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Abandonada, cachorrinha carente e de olhar triste deita no colo de urso de pelúcia na esperança de ganhar carinho

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em Proteção Animal

Melina passou dois dias vagando pelas ruas de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, até encontrar um lugar onde parecia haver um pouco de conforto.

Cansada, assustada e sem entender por que havia sido deixada para trás, a cachorrinha subiu em uma pelúcia gigante que ficava na entrada de uma cafeteria e se acomodou ali, como quem procurava um abraço.

A cena chamou a atenção de uma mulher que passava pelo local e não conseguiu esconder a emoção ao registrar o momento.

“Gente, olha isso aqui, pelo amor de Deus”, disse enquanto filmava.

Nas imagens, a cachorrinha aparece encolhida sobre o urso de pelúcia. Com o olhar abatido e o corpo recolhido, ela parecia buscar um pouco de acolhimento depois de dias difíceis.

“Eu tô na cafeteria e ela subiu aqui, ó”, comentou a mulher.

O vídeo chegou até Michele Goes no dia 22 de maio. Ao ver a situação da cadela, ela decidiu agir imediatamente.

Michele foi até o local para resgatá-la e iniciou uma busca pelo tutor.

“Perdida na Estrada do Rio Grande, na Taquara, Jacarepaguá. Procuro o dono pois ela está muito chorosa. Está comigo”, publicou.

Durante as tentativas de identificação, descobriram que a cadela possuía microchip.

Segundo informações da Petlove, o microchip funciona como uma espécie de RG do animal. O dispositivo tem o tamanho de um grão de arroz e é implantado sob a pele.

Ele armazena dados importantes como nome do pet, contatos do tutor e informações básicas de identificação.

Ao contrário do que muita gente imagina, ele não funciona como GPS e não permite rastreamento em tempo real.

Quando um animal perdido é encontrado, clínicas veterinárias e ONGs podem usar um leitor específico para acessar o número do chip e consultar o banco de dados vinculado ao cadastro do tutor.

A notícia parecia promissora, mas havia um problema: o chip de Melina nunca havia sido cadastrado. Na prática, era como se o sistema de identificação não existisse.

Mais tarde, Michele usaria a própria história da cachorrinha para fazer um alerta.

Segundo ela, muitas organizações realizam a implantação do microchip, mas deixam para os tutores a etapa do cadastro, o que pode comprometer completamente sua utilidade caso o animal desapareça.

“Quantas Melinas estão perdidas por aí?”, questionou.

Enquanto buscavam respostas sobre o passado da cadela, outra preocupação surgiu. Era preciso encontrar um lugar seguro para ela ficar.

A ONG Patinhas CJ, do Rio de Janeiro, assumiu os custos iniciais do resgate e começou uma campanha para arrecadar recursos.

Em uma publicação, a entidade destacou que ela aparentava ser uma mistura com Staffordshire Bull Terrier e demonstrava ser extremamente dócil.

“Não podemos deixá-la lá. Ela não sabe se virar sozinha”, escreveu a ONG.

A primeira ideia era encaminhá-la para uma hospedagem, onde ficaria até encontrar uma família. Mas a possibilidade partiu o coração de quem já estava acompanhando sua recuperação.

Segundo Michele, bastaram poucas horas de convivência para perceber que aquela não era uma cachorra acostumada à vida nas ruas.

Ela chorava quando ficava sozinha, buscava companhia constantemente e demonstrava comportamento típico de quem passou boa parte da vida dentro de casa.

“É uma cachorra que foi criada dentro de casa”, explicou.

O plano inicial previa que ela ocupasse uma baia individual em uma hospedagem. Embora estivesse segura, passaria boa parte do tempo sozinha.

A perspectiva não agradou Michele. Determinada a ajudar, ela fez algumas adaptações em sua própria casa para conseguir acolher a cadela temporariamente.

A tarefa exigiu organização extra porque Melina não aceitava bem a presença de outros animais.

Mesmo assim, as mudanças deram certo e ela pôde permanecer em um ambiente familiar enquanto aguardava uma adoção definitiva.

Aos poucos, a personalidade da nova hóspede começou a aparecer. Segundo Michele, Melina é extremamente carinhosa e gosta de estar sempre perto das pessoas.

Ela adora se acomodar no sofá, acompanha os humanos pela casa e demonstra uma paixão especial por passeios de carro.

Depois de viver dias de incerteza, a cachorrinha parece ter encontrado um pouco de tranquilidade.

Os exames veterinários também trouxeram boas notícias. Melina não apresentou doença do carrapato e estava com a saúde geral preservada.

O único tratamento necessário naquele momento era para uma cistite, motivo pelo qual ainda não poderia ser castrada.

Acompanhe a ONG @patinhascj e @michelegoespitbulls no Instagram para mais informações sobre o caso.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.