Labrador é reprovado como cão de serviço por excesso de cutucões e isso se torna o seu maior charme
Por Larissa Soares em Aqueça o coraçãoSamantha Welborn estava passando por um momento difícil quando ouviu falar de Leo pela primeira vez. Há pouco, ela havia perdido seu amado cãozinho e ainda sofria com o luto.
Mas a proposta de adoção vinha de uma amiga próxima, e Leo, um labrador caramelo reprovado como cão de apoio, precisava de um lar.
Leo foi treinado para ser um cão de apoio para pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), o que significa que ele aprendeu a identificar mudanças emocionais e intervir com pequenas ações para ajudar seu tutor.
No caso de Leo, a intervenção vinha em forma de “boops”, leves empurrões com o focinho para chamar a atenção.
Mas ele não aprendeu totalmente como aplicar isso:
"Ele sente emoções ou percebe quando um episódio de TEPT está se aproximando e dá um empurrãozinho", contou Samantha ao canal GeoBeats Animals.
Apesar do histórico de treinamento, Leo tinha alguns comportamentos que o tornavam incompatível com a rotina exigente de um cão de serviço.
Ele adorava pular nas pessoas para dar “oi”, o que poderia ser um problema em situações com pessoas idosas ou com mobilidade reduzida.
E mais: Leo tinha uma queda por trazer objetos e mexer nas coisas, o que exigiria um ambiente mais espaçoso e liberdade para explorar.
A equipe que o treinava decidiu, então, colocá-lo para adoção, com a consciência de que ele seria mais feliz em outro tipo de vida.
Foi aí que Samantha entrou.
Boops, choros e a primeira noite
A primeira noite dos dois juntos foi marcada por emoção. Samantha chorou, não por não amar Leo, mas por se sentir culpada por estar abrindo espaço para um novo cão em sua vida.
Foi nesse momento que Leo fez o que sabe de melhor. Ele percebeu o estado emocional da tutora, colocou a cabeça no colo dela e apenas ficou ali.
“Foi como se dissesse: ‘Ei, estou aqui e vamos passar por isso juntos’”, relembra.
Nas semanas seguintes, Samantha tirou um tempo do trabalho para ajudar o novo morador a se adaptar.
“Ele acordava como uma criança, com olhos bem abertos, como se dissesse: ‘O que vamos fazer hoje?’”.
A rotina passou a incluir trilhas, natação e muito tempo em casa, para que Leo se sentisse à vontade e confiante.
E agora, sempre que Leo quer algo, como um petisco, ele cutuca.
O mais surpreendente é que Ellie, a outra cachorrinha da casa, acabou aprendendo com Leo a “cutucar” também.
O charme do “cutucador” oficial da casa
O que poderia ser considerado um “defeito” no treinamento se transformou em uma característica encantadora no novo lar.
Leo é sensível, afetuoso e tem a mania de estar sempre trazendo algo para Samantha.
“Às vezes são coisas que ele me viu usando recentemente”, conta ela, que compartilha os momentos no Instagram.
Lá, muitos seguidores comentam sobre o charme de Leo.
“O jeito que ele diz ‘eu me saí bem, mamãe?’ depois que ele deixa a coisa cair”, disse um internauta.
E Samantha sempre faz questão de mostrar que aprecia o gesto dele.
“Para mim, não é ‘mau comportamento’. Me faz sorrir, me faz rir e alegra o meu dia. E enquanto o Leo quiser ajudar, vou incentivá-lo e garantir que ele saiba que o aprecio”, disse ela no Instagram.
O que é um cão de serviço?
De acordo com o American Kennel Club (AKC), um cão de serviço é treinado para executar tarefas específicas para pessoas com deficiência física ou mental.
Eles não são considerados animais de estimação, e sim animais de trabalho. Essas tarefas podem incluir guiar pessoas cegas, alertar sobre sons para quem tem deficiência auditiva, sinalizar crises médicas e muito mais.
Há também os cães de serviço psiquiátrico, como Leo foi treinado para ser, que auxiliam indivíduos com TEPT, esquizofrenia, TOC e outras condições.
Esses cães podem, por exemplo, interromper comportamentos repetitivos ou sinalizar crises emocionais iminentes, exatamente o que Leo tenta fazer com seus boops.
Por outro lado, animais de apoio emocional não se qualificam como cães de serviço, já que não são treinados para realizar tarefas específicas. Eles oferecem conforto por sua presença, mas não têm os mesmos direitos legais de acesso que os cães de serviço.
Leo pode não ter seguido a “carreira” de cão de serviço, mas...
“Só para informar que o Leo não falhou como cão de serviço. Ele oferece apoio emocional a milhares de pessoas todos os dias”, comentou um seguidor no Instagram.
E alguém discorda?
Você pode acompanhar o Leo no Instagram (@samantha_welborn)
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.