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Após ver outros cães partirem, cachorro desesperado por adoção manda beijos para tentar ser notado em abrigo

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em Proteção Animal

No Valley Animal Center, em Fresno, Califórnia (EUA), uma cadela chamada Zelda já viu centenas de cães chegarem e partirem para novos lares. Mas ela continua lá.

Já foram mais de 410 dias de espera, observando a vida seguir para os outros enquanto a dela permanece em pausa atrás das grades do canil.

Para quem não a conhece de perto, Zelda pode parecer reservada. O ambiente barulhento do abrigo a deixa ansiosa, e isso acaba afastando possíveis adotantes.

Mas, para a equipe e os voluntários, Zelda é muito mais do que aparenta.

“Ela é uma menina grande e brincalhona que adora longas caminhadas e bastante tempo para brincar. A Zelda é motivada por petiscos e incrivelmente inteligente — ela está pronta para aprender, especialmente se houver petiscos envolvidos!”, conta o abrigo, em uma publicação no Instagram.

Um esforço para ser notada

Recentemente, na tentativa de chamar atenção, Zelda encontrou uma forma fofa de se apresentar: ela começou a “mandar beijinhos” pelas grades do canil, esticando o focinho, como quem pede carinho e uma chance de ser vista.

Mas, mesmo com esse gesto doce, ela segue sendo ignorada.

Parte da dificuldade está em suas necessidades específicas. Zelda precisa ser o único animal da casa.

Isso reduz as opções de adoção, já que muitas famílias procuram cães que convivam bem com outros pets.

Outro obstáculo é a ansiedade que o barulho e a movimentação do abrigo despertam nela. Quem a vê nesse ambiente, muitas vezes acredita que se trata de uma cadela fechada ou nervosa, o que não condiz com a realidade fora dali.

“Às vezes, é difícil ver a verdadeira personalidade de um cachorro por trás das paredes do abrigo”, escreveu o Valley Animal Center em suas redes sociais. “Zelda merece ser vista como ela realmente é: uma companheira brincalhona, amante de petiscos e com o coração cheio de amor”.

O lado invisível dos cães de abrigo

Assim como Zelda, muitos cães passam despercebidos em abrigos simplesmente porque o estresse os impede de mostrar sua verdadeira personalidade.

Segundo a RSPCA da Austrália do Sul, cães ansiosos dão sinais de desconforto, como lamber os lábios, bocejar sem estar com sono, ofegar sem calor ou encolher o corpo quando alguém se aproxima.

Mas esses comportamentos, em vez de serem vistos como ansiedade, muitas vezes são interpretados como desinteresse ou agressividade.

Um estudo realizado nos Estados Unidos sobre o comportamento de cães adotados em abrigos acompanhou 99 adoções durante seis meses.

O estudo mostrou que:

  • Quase todos os cães apresentam algum tipo de medo ou ansiedade nos primeiros seis meses de adoção.
  • Ao final dos seis meses, 100% dos donos indicaram que seus cães se adaptaram ‘extremamente’ ou ‘moderadamente bem’ ao novo lar.
  • 75% dos donos indicaram que o comportamento geral de seus cães melhorou em 180 dias.

Ou seja, com o tempo, amor e paciência, a grande maioria se adapta e mostra melhora significativa no comportamento.

Guia rápido para adaptar um cão de abrigo

  • Dê tempo para adaptação: mudanças podem ser assustadoras; os primeiros dias podem trazer comportamentos ansiosos.
  • Prepare o ambiente: ofereça um cantinho seguro, com cama, brinquedos e acesso constante a água.
  • Respeite os sinais: se o cão recuar ou se mostrar desconfortável, dê espaço e avance no ritmo dele.
  • Rotina é essencial: horários regulares para alimentação, passeios e brincadeiras ajudam a dar segurança.
  • Peça ajuda quando necessário: adestradores podem apoiar no processo de adaptação.

Se você pensa em aumentar a família, considere visitar um abrigo local. Às vezes, o melhor amigo da sua vida está atrás das grades, esperando apenas que você o enxergue.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.