Logomarca Amo Meu Pet

“Quero o cão mais difícil de adotar”: Atleta faz pedido inesperado em abrigo e destino de Belinha muda para sempre

Por
em Proteção Animal

O atleta e criador de conteúdo Willian Brito Piovezan, conhecido nas redes sociais como @bitelonatural, mudou o destino de uma cadela idosa que vivia na Associação Francisco de Assis, em Nova Granada, interior de São Paulo.

O registro da adoção, recompartilhado pelo perfil @nutricionismo.br no dia 04 de janeiro, alcançou a marca de 1,7 milhão de visualizações e gerou um debate sobre o abandono de animais domésticos durante o período de festas.

William chegou ao abrigo com o objetivo de adotar o animal que tivesse a menor probabilidade de encontrar um lar.

A escolha do influenciador recaiu sobre Belinha, uma cadela de aproximadamente dez anos que foi deixada no local pelo seu antigo tutor. Segundo os responsáveis pela ONG, o tutor anterior alegou problemas de saúde para justificar a entrega do animal ao abrigo.

Belinha apresentava sinais de tristeza e sentiu o impacto da separação nos primeiros dias de permanência na instituição.

Animais com idade avançada compõem o grupo que costuma permanecer por mais tempo em canis por causa da preferência de adotantes por filhotes.

O influenciador chegou ao local decidido a conhecer um dos cachorros mais difíceis de ser adotado e reforçou que sua intenção era levar justamente um dos animais mais velhos.

Uma protetora então apresentou a história de Belinha e descreveu a situação como um abandono, já que a cadela tinha uma rotina estabelecida com uma família antes de ser entregue à instituição.

O encontro entre o novo dono e o pet foi registrado e Belinha demonstrou agitação e alegria ao ser solta do canil e ter o primeiro contato com o novo tutor.

Assista abaixo:

Além de adotar a cadela, o influenciador assumiu o compromisso de auxiliar a Associação Francisco de Assis mensalmente com doações de ração e suporte para serviços de veterinária.

O vídeo termina com Belinha correndo livre em um sítio, o que marca o início de sua nova rotina fora das grades do canil.

“E a pior coisa é ser abandonado por quem você confiou. Venho compartilhar com vocês a Belinha, minha nova companheira aqui no sítio. Não posso apagar os traumas que ela teve no passado, mas posso garantir um futuro com amor e carinho. Eu acredito na força do bem, então adote galera! Se não puder adotar, doe. Se não puder doar, curte e compartilha esse vídeo. Boas festas, que Deus te abençoe e tchau, obrigado!”, contou em outro vídeo do dia 31 de dezembro.

A realidade enfrentada pela Belinha antes da adoção é a mesma de milhares de animais em todo o estado de São Paulo.

Entidades de proteção animal explicam que o abandono de cães idosos é comum quando o animal passa a exigir cuidados médicos constantes ou quando a família decide viajar e não encontra local para deixar o pet.

A Associação Francisco de Assis, onde Belinha vivia, sobrevive de doações da comunidade para manter o tratamento de saúde e a alimentação dos cães resgatados.

A Associação Francisco de Assis continua em operação na cidade de Nova Granada. A instituição aceita doações de qualquer valor para a manutenção do canil através do Pix utilizando o CNPJ 34.397.244/0001-7.

O trabalho das ONGs depende diretamente do apoio da sociedade civil para continuar retirando animais das ruas e proporcionando finais semelhantes ao da cadela adotada por Willian.

Confira outro vídeo:

Barreiras invisíveis dificultam a busca de cães abandonados por um lar

A relação entre humanos e animais de estimação atingiu níveis globais históricos, com uma população superior a 1 bilhão de pets domésticos no mundo. Contudo, de acordo com dados da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), o cenário brasileiro revela um contraste crítico, onde cerca de 30 milhões de cães e gatos vivem em situação de abandono.

No território nacional, a aquisição de cães ocorre prioritariamente via redes de contatos pessoais, como amigos e parentes.

Dados de um levantamento global da Mars, citados pela ANDA, apontam que 51% das famílias brasileiras manifestam preferência por animais de linhagem definida, com a raça shih-tzu ocupando o topo das escolhas.

Critérios de rejeição: o peso da idade e da aparência

O processo de escolha de um animal é diretamente influenciado por preconceitos enraizados.

Segundo a ANDA, os animais que mais sofrem com a invisibilidade em instituições de resgate são os cães idosos, os de pelagem preta e os populares vira-latas caramelo.

Esses animais possuem 90% menos chances de serem escolhidos quando comparados a cães de raça, sendo frequentemente estigmatizados.

Cães de cor preta enfrentam barreiras psicológicas por parte dos adotantes, que muitas vezes associam a pelagem escura a comportamentos agressivos ou conceitos supersticiosos.

Essa rejeição é ainda mais acentuada quando o animal é de médio ou grande porte. Paralelamente, os cães mais velhos sofrem com o receio de custos elevados com saúde e a preferência generalizada pela vivacidade dos filhotes.

Sobre a importância de considerar animais mais velhos, Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal, afirma em entrevista à ANDA que “cães idosos têm muito a oferecer: são calmos, amorosos e, muitas vezes, mais fáceis de educar. É um relacionamento maduro e gratificante”.

Para reverter o quadro de abandono, a ANDA reforça que a adoção responsável deve priorizar a afinidade entre o perfil do animal e a rotina da família.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.