"Onde você arrumou essa cachorra?": Família recupera Shih-tzu após motorista desconfiar de tentativa de venda no trânsito
Por Beatriz Menezes em CãesNo dia 04 de janeiro a família de uma Shih-tzu chamada Moana viveu momentos de tensão. A cachorrinha foi furtada por volta das 12h40 no bairro Cidade Jardim, em Anápolis, Goiás, enquanto brincava em uma praça ao lado do prédio onde reside.
O caso mobilizou as redes sociais e terminou com o resgate do animal após uma tentativa de venda flagrada por motoristas.
A busca pelo paradeiro da cadela começou imediatamente após os proprietários perceberem a ausência do animal. Em relato concedido ao portal Mais Goiás, a tutora Andrielle Arantes explicou que as equipes de busca focaram primeiro nos fundos da praça.
Familiares entraram em prédios, casas e lotes vazios, pedindo autorização para verificar quintais e garagens.
Por volta das 15h, o acesso às câmeras de segurança de um prédio vizinho mudou o rumo da investigação ao mostrar que Moana havia saído pela frente do local acompanhada pelo suspeito.
Enquanto a família percorria as ruas, a linha do tempo do crime avançava em direção ao centro da cidade. Entre 14h e 16h do mesmo dia, o homem foi visto no viaduto da Avenida Brasil, nas proximidades do Brasil Park Shopping.
Um registro em vídeo feito de dentro de um carro comprovou que o suspeito abordava motoristas na sinaleira para oferecer a Shih-tzu. Nas imagens, ele pede o valor de R$ 1.500,00 e alega que o animal possui pedigree.
A gravação termina com o confronto verbal de uma passageira que reconhece o absurdo da situação.
A gravidade do furto ia além do valor afetivo, pois Moana possui síndrome epiléptica e depende de medicação de uso contínuo. Sem os remédios, o animal sofre crises de tosse, falta de ar e engasgos que podem levar ao óbito.
A saúde da cadela é considerada delicada pelos veterinários, que inclusive contra indicam que ela tenha filhotes. O medo de que ela sofresse maus-tratos ou fosse explorada por criadores clandestinos acelerou a divulgação do caso na internet.
A situação gerou uma forte onda de solidariedade digital que ultrapassou as fronteiras de Anápolis.
A imagem de Moana e as características do homem que a levava foram compartilhadas milhares de vezes, tornando inviável a permanência do animal com o infrator ou qualquer tentativa de comercialização ilegal na região.
O abalo emocional atingiu severamente a dona oficial de Moana, Maria Tereza, uma criança de apenas nove anos. A angústia da família só terminou quando a mobilização surtiu efeito e informações precisas levaram à localização da cadela.
Confira o vídeo abaixo:
O reencontro aconteceu após horas de exposição do animal a situações de risco em via pública.
Após o resgate, Moana foi levada para casa para receber os cuidados necessários e retomar o tratamento da epilepsia.
Um boletim de ocorrência foi formalizado na delegacia local para que as autoridades tomem as medidas cabíveis contra o autor do furto.
A família utilizou as redes sociais para agradecer o empenho da população e confirmar que a cadela passa bem após o susto.
O desfecho positivo do caso Moana reforça a eficácia das redes de monitoramento e do engajamento comunitário em crimes contra animais domésticos.
A rápida circulação do vídeo foi o elemento chave para desmascarar a tentativa de venda e garantir que o animal voltasse para o convívio de seus tutores originais.
Assista:
O que diz a lei sobre o furto de animais?
Embora o laço emocional entre humanos e pets seja imenso, o Código Penal Brasileiro ainda enxerga os animais de estimação como bens móveis (objetos de valor pertencentes a alguém). Por isso, quando um animal é levado de seus donos, o crime é registrado como furto (Artigo 155), da mesma forma que o furto de um celular ou de um carro.
Pontos principais para entender:
- Configuração do crime: subtrair um animal para si ou para vender a outra pessoa é crime. Dependendo de como ocorreu (se houve arrombamento de portões ou ajuda de outras pessoas, por exemplo), o furto pode ser classificado como simples ou qualificado, o que aumenta a pena.
- Impacto emocional: a lei reconhece a "posse" do bem, mas a Justiça já entende que o impacto psicológico na vítima é muito superior ao de um objeto comum, já que o animal é considerado um membro da família.
- O que fazer: se o seu pet for levado, o primeiro passo é ir à delegacia mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.). Isso formaliza o crime perante o Estado e é essencial para que a polícia possa investigar e para que você tenha provas legais da propriedade do animal caso ele seja localizado com terceiros.
Além disso a Lei nº 14.064/2020 (Lei Sansão) que trata de maus tratos de animais, prevê a pena de reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda, tornando o ato inafiançável e com prisão em flagrante, pois a violência animal pode indicar ligação com crimes mais graves.
