Desde filhote, interessados desistem de adotar cão chamado Fofo ao descobrir sua condição: "Ele é o mais amável do abrigo"
Por Beatriz Menezes em Cães
Um cão de porte médio chamado Fofo permanece em um abrigo no Guarujá, litoral de São Paulo, três anos após ser resgatado das ruas.
O animal foi o único de sua ninhada a ser abandonado, uma ação que protetores atribuem à sua cegueira total.
Mesmo com uma rotina ativa e comportamento sociável com outros animais, ele enfrenta a barreira do preconceito de adotantes que desistem do processo ao saberem de sua condição visual.
A trajetória de Fofo mostra uma realidade comum em abrigos brasileiros onde animais com deficiência física ou sensorial costumam permanecer por longos períodos à espera de um tutor.
De acordo com os responsáveis pelo resgate, o interesse inicial pelo animal é frequente devido à sua aparência e temperamento, porém o fluxo de adoção é interrompido quando a deficiência é mencionada.
Diferente do que muitos interessados imaginam, a cegueira canina não impede que o animal tenha uma vida funcional.
Cães utilizam o olfato e a audição como sentidos primários, o que permite que se desloquem com segurança em ambientes conhecidos.
No caso de Fofo, os vídeos divulgados mostram o animal interagindo com outros cães e circulando pelo espaço do abrigo sem dificuldades severas, o que reforça sua prontidão para um ambiente doméstico.
Fofo foi retirado das ruas em uma situação de vulnerabilidade logo após o nascimento.
Enquanto seus irmãos de ninhada seguiram para novos lares, ele permaneceu sob os cuidados do abrigo devido à ausência de propostas de adoção.
Durante esse período de três anos, o animal desenvolveu habilidades sociais e demonstrou facilidade no convívio com diferentes espécies no local.
Os cuidadores relatam que ele é um dos cães mais amáveis do coletivo, mantendo um comportamento equilibrado.
O longo tempo de espera causa preocupação, pois a permanência prolongada em abrigos pode limitar as experiências de socialização individualizada que apenas um lar definitivo oferece.
O objetivo da campanha atual é garantir que 2026 seja o ano de transição para o animal.
A história ganhou visibilidade no último dia 11 de janeiro por meio de uma publicação no perfil da plataforma Hyppet no Instagram.
O vídeo alcançou 44 mil visualizações e gerou centenas de comentários de tutores que relatam experiências positivas com cães cegos.
“Ele é lindo eu tenho uma idosa que ficou cega mas TB nada a impede de correr e ser feliz”
“Tenho uma que perdeu a visão, ela vive NORMAL, se adaptam muito bem”
“Ô meu Deus! Ele é muito lindo e merece mais amor e cuidado ainda por ser especial! Eu adotei uma idosinha cega, já estou com ela há dois anos! Ela é só amor e gratidão!!”
Foram alguns dos comentários.
Veja o vídeo abaixo:
Atualmente com cerca de três anos de idade, Fofo já está castrado, vacinado e apto para convivência familiar imediata.
A adaptação em uma nova casa exige apenas que o tutor evite mudar móveis de lugar constantemente e mantenha rotinas previsíveis, cuidados considerados simples por quem já convive com animais especiais.
Para facilitar o encontro de Fofo com uma nova família, os organizadores da campanha oferecem o serviço de carona solidária.
Embora o cão esteja localizado no Guarujá, existe a possibilidade de transporte para outras cidades e regiões, ampliando o raio de alcance para possíveis adotantes que residam fora do litoral paulista.
O processo de seleção é rigoroso e focado na posse responsável. Os interessados devem passar por entrevistas e avaliações para garantir que o perfil da família seja compatível com as necessidades do animal.
Todo o trâmite é centralizado pelo aplicativo da Hyppet, ferramenta que conecta protetores a adotantes e organiza o histórico de saúde e comportamento dos animais disponíveis.
A importância da conscientização em 2026
Animais idosos, pretos ou com deficiências são estatisticamente os últimos a saírem dos abrigos.
A mobilização em torno deste cão específico busca não apenas encontrar um lar para ele, mas também educar o público sobre a viabilidade de adotar animais com necessidades especiais.
Para aqueles que desejam iniciar o processo de entrevista, o primeiro passo é baixar o aplicativo mencionado e buscar pelo perfil do animal.
A transparência sobre sua condição de saúde é total, garantindo que o futuro tutor esteja consciente e preparado para desfrutar da companhia de um cão que, apesar de não enxergar com os olhos, demonstra perceber o mundo com entusiasmo e resiliência.
De acordo com a ATIVE Fisioterapia e Bem-estar Pet, se o pet já nasceu com a cegueira o maior desafio é em como lidar com o animalzinho sem estressá-lo.
Dicas essenciais para tutores de pets cegos
- Comunique-se antes do toque: aproxime-se devagar e chame o animal pelo nome para evitar sustos e estresse.
- Mantenha a mobília fixa: a organização constante permite que o pet memorize as rotas e crie um mapa mental seguro da casa.
- Centralize os recursos: mantenha cama, água e comida em locais fixos e de fácil acesso, respeitando as distâncias higiênicas.
- Utilize estímulos sonoros e olfativos: sinos de vento ou fragrâncias suaves ajudam a marcar trajetos, como o início de escadas ou a entrada de casa.
- Crie trilhas táteis: o uso de tapetes diferentes ajuda o animal a identificar caminhos e cômodos através das patas.
- Identifique outros animais: coloque guizos na coleira dos outros cães da casa para que o pet cego saiba onde eles estão (evite o uso em gatos).
- Estimule a autonomia: evite carregar o animal no colo para mudar de ambiente; ele precisa caminhar para manter a orientação espacial.
Você tem algum pet que nasceu cego ou que tenha perdido a visão? Compartilhe abaixo a sua experiência!











