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Câmera flagra como lojista reagiu ao ver estabelecimento 'invadido' por grupo grande de cães: "Cedeu as exigências"

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em Comportamento

A loja Drika Calçados, localizada no distrito de Icoaraci, em Belém, mantém uma clientela fiel que frequenta o estabelecimento diariamente.

Ao contrário do público que busca as últimas tendências em sapatos, esse grupo específico de visitantes procura outros benefícios.

Cerca de seis cães de rua costumam bater o ponto no local para usufruir de regalias que incluem água com gelo, ração e um ambiente climatizado para o descanso.

Um registro das câmeras de segurança da loja mostra que, no dia 10 de janeiro, o grupo chegou ao local exatamente às 9h18.

As imagens capturaram o momento em que os animais entram de forma coordenada assim que as portas são abertas para o início do expediente.

A rotina é tão estabelecida que a administração da loja define a situação como a chegada da patrulha canina para conferir o trabalho da equipe, garantindo que o dia comece com o que chamam de bagunça boa.

A recepção oferecida aos animais atende a exigências específicas diante do clima característico da capital paraense.

A oferta de água com gelo surge como uma medida essencial para combater as altas temperaturas, permitindo que os cães se refresquem enquanto ocupam os corredores.

Além da alimentação, o estabelecimento fornece um refúgio contra o calor do asfalto, transformando o piso da loja em um dormitório improvisado onde os animais tiram sonecas prolongadas entre as prateleiras de mercadorias.

O comportamento dos cães demonstra um nível de confiança e familiaridade com o ambiente que ultrapassa a busca por comida.

Eles circulam com liberdade pelos setores de calçados interagindo com funcionários e ignorando a movimentação de clientes.

Essa segurança é tamanha que os animais demonstram comportamentos territoriais, chegando a levantar a perna para marcar pontos da estrutura interna da loja.

Confira o vídeo abaixo:

O grupo de cães permanece fiel ao endereço enquanto as condições de conforto forem mantidas. A rotina de chegar logo cedo, exigir os mimos matinais e garantir um local fresco para o cochilo virou a marca registrada da unidade.

Base legal ampara o acolhimento aos animais de rua

O comportamento da loja em relação aos cães encontra respaldo em avanços legislativos recentes que visam proteger quem dedica tempo e recursos ao cuidado animal.

A prática de oferecer suporte a bichos em situação de vulnerabilidade deixou de ser apenas um ato de compaixão individual para se tornar um direito garantido por lei.

No Tocantins a lei nº 4.315 estabelece que o fornecimento de alimento e água para animais que vivem nas ruas é uma atividade permitida e protegida, impedindo que comerciantes ou cidadãos sejam cerceados ao realizar tais ações.

De acordo com as diretrizes jurídicas vigentes em contextos similares, qualquer pessoa física ou colaborador de empresa tem o direito de disponibilizar auxílio em espaços públicos.

A legislação orienta que a ajuda ocorra por meio de pequenas porções, utilizando vasilhas reutilizáveis ou comedouros e bebedouros confeccionados em materiais resistentes como tubos de PVC.

Para garantir a qualidade do que é oferecido, o texto legal recomenda que as instalações ocorram em locais com cobertura, evitando que a chuva ou o sol excessivo estraguem a ração, exatamente como a logística observada no caso da patrulha canina.

A norma estabelece punições rigorosas para quem tentar impedir o acesso dos animais ao alimento e à hidratação.

O descumprimento dessas garantias pode resultar em multas de R$ 500, valor que dobra em caso de reincidência.

Os recursos arrecadados com essas infrações são destinados a fundos voltados ao meio ambiente, reforçando o ciclo de proteção ao ecossistema urbano.

Além de proteger o animal, a lei resguarda o cidadão que, ao colocar uma vasilha de água na calçada, cumpre um papel social de saúde pública e bem-estar.

Outro ponto relevante da legislação é o respeito à autonomia do animal, determinando que eles não devem ser forçados a ingerir nada caso se recusem.

Essa visão harmoniosa entre o direito de ajudar e o respeito ao bicho consolida um ambiente de segurança jurídica para estabelecimentos que, como a loja de calçados, decidem se tornar pontos de apoio.

O amparo legal transforma a iniciativa voluntária em uma prática institucionalizada, desencorajando conflitos e promovendo uma convivência mais tolerante entre o comércio e a fauna urbana.

Decisões judiciais em conflitos de convivência

A aplicação desses direitos tem gerado embates jurídicos em áreas de uso comum.

Em Teresina, uma briga em um condomínio chegou ao Tribunal de Justiça do Piauí após uma síndica proibir uma moradora de alimentar gatos que circulavam pela garagem do prédio.

Na primeira instância, ocorrida em outubro do ano passado, o juiz manteve a proibição imposta pelo condomínio, fundamentada em regras internas.

Entretanto, as novas legislações buscam padronizar as medidas de proteção e defesa, incluindo ações de identificação, registro de animais e campanhas educativas.

O conjunto de normas também proíbe o abandono em áreas públicas ou privadas e veda a eutanásia em centros de controle de zoonoses, exceto em casos de doenças graves ou incuráveis que representem risco à saúde pública, sempre mediante laudo técnico.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.