“De barriguinha pra cima”: Guarda registra animal do Pantanal todo feliz se divertindo em poça de lama e cena viraliza

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em Mundo Animal

A rotina silenciosa do maior tatu do mundo ganhou holofotes inesperados no final de 2025.

Um vídeo publicado pelo perfil oficial do Sesc Pantanal no Instagram mostra um tatu-canastra em um momento de descontração na lama.

O registro foi feito por Joaquim Santana, guarda-parque da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, e revela um comportamento que poucos seres humanos conseguiram presenciar na natureza.

Nas imagens, o animal de grande porte ignora a presença da câmera para desfrutar de uma poça de água em uma estrada de terra batida. O vídeo mostra o tatu já posicionado no centro da poça, deitado de costas.

Ele agita as patas para cima e esfrega a carapaça contra o solo úmido com movimentos que demonstram entusiasmo e conforto.

Durante os segundos seguintes, o mamífero gira o corpo lateralmente para garantir que a mistura de terra e água cubra toda a sua extensão, incluindo a barriga.

O animal permanece quase imóvel por alguns instantes, aproveitando o frescor do ambiente. O registro feito por Joaquim Santana que é guarda-parque termina com o tatu retornando à posição de quatro patas, exibindo o brilho da carapaça molhada.

A publicação tem mais de 300 mil visualizações, 32 mil curtidas e 457 comentários.

“Que felicidade uma imagem dessas!”
“A potência dessa frase: "a vida acontece no Sesc" !!! Faz o coração da gente transbordar! Vida longa ao Sesc !!!”.
“Muito obrigado a todos que cuidam desse espaço e dessas criaturas. Viva a vida!”.

Confira abaixo:

O papel ecológico do gigante solitário

O tatu-canastra é uma espécie que impressiona pelos números. Ele pode ultrapassar um metro de comprimento e pesar mais de 50 quilos, mas seu comportamento dificulta o monitoramento científico.

Por possuir hábitos estritamente noturnos e ser um animal solitário, ele passa a maior parte do tempo em tocas profundas, escavadas com suas garras que chegam a 20 centímetros.

O hábito de rolar na lama cumpre funções vitais para a sobrevivência do animal. A lama atua como um regulador térmico, resfriando o corpo do mamífero em regiões de calor intenso.

Além disso, ao secar, a camada de barro forma uma barreira física na carapaça, protegendo a pele contra parasitas e picadas de insetos.

Apesar da força física e da capacidade de escavação, a espécie enfrenta sérios riscos de extinção.

Estimativas indicam uma redução de 30% na população desses animais nas últimas duas décadas, motivada pela perda de habitat, atropelamentos e incêndios florestais.

O impacto do Sesc Pantanal na conservação

A RPPN onde o vídeo foi gravado é um dos maiores refúgios privados do Brasil e desempenha um papel estratégico na manutenção da biodiversidade.

O monitoramento contínuo feito pelos guarda-parques permite que animais raros sejam vistos em comportamentos naturais, sem a interferência humana que poderia afugentá-los.

A alimentação do tatu-canastra é composta basicamente por cupins e formigas, o que o torna um importante controlador de populações desses insetos no bioma.

Ao cavar suas tocas, ele também atua como um engenheiro do ecossistema, pois os buracos abandonados servem de abrigo para dezenas de outras espécies de vertebrados que não possuem a mesma habilidade de escavação.

Isabel: a professora da espécie

De acordo com a BBC a história do monitoramento do tatu-canastra mudou com Isabel, uma fêmea que em 2024 tinha cerca de 20 anos. Batizada pelo pesquisador Arnaud Desbiez, ela foi a primeira da espécie a ser acompanhada de perto pela ciência.

Através de Isabel descobriu-se que a gestação gera apenas um filhote por vez e que a maturidade sexual ocorre entre os sete e nove anos.

A ciência não sabia até então a duração exata da gestação ou que o desmame ocorria apenas após o primeiro ano de vida.

Os registros mostraram que Isabel é uma mãe dedicada mudando o filhote de toca a cada 15 dias para protegê-lo de predadores. Ela guiava os pequenos que nasciam cegos por trajetos de até 200 metros.

Mesmo sendo um animal robusto, Isabel demonstrou um cuidado parental delicado amamentando até os oito meses. O monitoramento revelou comportamentos sociais complexos incluindo a interação com diferentes machos ao longo dos anos.

Testes genéticos confirmaram que seus descendentes pertencem a pais distintos provando que a espécie possui um sistema reprodutivo dinâmico no território pantaneiro.

A trajetória de Isabel permitiu entender que o tatu-canastra pode se reproduzir mesmo após os 20 anos de idade. Em 2023 ela foi registrada com seu quarto filhote trazendo dados cruciais para modelos populacionais e cálculos de tempo de geração.

A farsa da "doença do tatu"

De acordo com o icasconservation.org.b circulava uma notícia sobre a doença do tatu, no entato isso não existe.. A Paracoccidioidomicose (PCM) é causada por um fungo que vive no solo. A transmissão ocorre apenas pela inalação dos esporos presentes na poeira, e não pelo contato direto com o animal ou entre pessoas.

Por que o termo é perigoso?

  • Desinformação: o nome errado sugere que o animal é o culpado, o que leva a ataques cruéis contra espécies ameaçadas, como o tatu-canastra e o tatu-bola.
  • Falsa segurança: esconde o real risco, que é o manejo de solo contaminado sem proteção.

O papel do tatu: os tatus são apenas "sentinelas". Como vivem em tocas, eles sinalizam aos pesquisadores se o fungo está presente em determinada região. Eles são aliados da saúde pública, ajudando a monitorar o ecossistema e prevenir epidemias humanas.

Você já conhecia essa espécie?

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.