"Busca gravetos e tudo": Ave salva do cativeiro, se apega muito a golden e decide que é melhor ser um cachorro
Por Ana Carolina Câmara em Mundo AnimalO carcará é uma ave de rapina conhecida por sua inteligência, adaptabilidade e jeito curioso de observar tudo ao redor.
Muito comum em várias regiões do Brasil, ele chama atenção pelo comportamento esperto e pela facilidade em se aproximar de ambientes urbanos e rurais, sempre atento a qualquer oportunidade de alimento.
Apesar de não ser uma ave que costuma temer a presença humana, o carcará não é doméstico.
Ele é um animal silvestre, com instintos naturais e necessidades próprias da vida livre, e por isso deve ser respeitado e, sempre que possível, mantido em seu habitat.
Bom, mas parece que Wally, o carcará que a médica veterinária Martina Domínguez resgatou, cuidou e devolveu à natureza não entendeu muito bem que sua vida deveria seguir longe dali.
Mesmo após ser libertado, ele surpreendeu a todos ao voltar para a casa, permanecer por perto e agir como se fosse mais um cachorro da família, acompanhando a rotina, interagindo e até brincando com os outros animais.
A natureza é incrível e, quando quer, encontra jeitos inesperados de nos surpreender!
A história do carcará
Martina, que é veterinária especializada em aves, vive em Rosário, na Argentina, e foi justamente por causa do seu trabalho que ela acabou cruzando o caminho de Wally — um carcará que estava vivendo uma situação de partir o coração.
Segundo Martina, Wally foi encontrado em um ambiente de maus-tratos.
A ave vivia dentro de uma casa e era mantida presa em condições totalmente inadequadas, trancada dentro de uma caixa, sem liberdade e sem o mínimo de respeito pelo que ela realmente é: um animal silvestre.
O que mais chocou Martina foi a suspeita do motivo. De acordo com ela, “aparentemente o usavam para fazer rituais”.
Por sorte, Wally não foi sacrificado. E foi aí que Martina entrou em cena: resgatou o carcará, cuidou, tratou e fez o possível para devolvê-lo à vida que deveria ter — uma vida livre.
Mas, depois de tudo o que viveu, Wally acabou surpreendendo a todos com um comportamento inesperado. Mesmo após ser libertado, ele passou a agir como se fosse parte da casa… e mais do que isso: como se fosse um cachorro.
Martina até brinca dizendo que o carcará agora tem um “problema de identidade”, porque se comporta como um filhote brincalhão. “Ele busca gravetos no campo”, contou, como se estivesse imitando um cão em plena diversão.
E, entre todos os animais da família, Wally tem um favorito: Mailo, um cão idoso e muito querido. Para onde Mailo vai, Wally vai atrás, quase como um guardião fiel.
Martina se diverte dizendo que o cachorro só tolera essa “sombra” porque já está mais velhinho, meio cego, e talvez nem perceba o quanto está sendo seguido.
Veja só:
Algumas pessoas acreditam que Wally só segue Mailo porque percebe que o cão está no fim da vida e aguarda uma oportunidade para dar um bote.
Mas Martina faz questão de desmentir essa interpretação e defender o comportamento do carcará. Segundo ela, a relação entre os dois é completamente diferente do que muitos imaginam. “Ele não o segue para comê-lo”, garante.
Pelo contrário: Wally demonstra um tipo de apego curioso e constante. E, para surpreender ainda mais, às vezes ele chega a trazer a própria comida para compartilhar com Mailo, como se quisesse cuidar do companheiro do jeito dele.
E assim vive Wally: um carcará que deveria ter voado para longe, mas preferiu ficar por perto — como se finalmente tivesse encontrado o lugar onde se sente seguro, amado e, de alguma forma, pertencente.
Repercutiu
Martina contou a história de Wally em vídeo e compartilhou o registro em seu perfil do TikTok, @mar.aves, no dia 11 de janeiro.
A publicação rapidamente chamou atenção e já soma mais de 3,7 milhões de visualizações, além de milhares de comentários cheios de carinho e surpresa.
Muita gente se emocionou ao ver a forma como o carcará se aproxima da família e, principalmente, o jeito carinhoso com que ele acompanha Mailo pela casa.
“Que lindo! Eles formaram uma amizade incrível”, escreveu uma internauta, encantada com a conexão inesperada entre os dois.
Outros entraram na brincadeira e deram risada com o comportamento de Wally:
“Wally: eu não sou um carcará, eu sou um cachorro, cara!”.
E também não faltaram mensagens agradecendo Martina pelo resgate e pelos cuidados:
“Que ótimo! Obrigada por dar a ele outra chance!!!”.
Assista:
Sou seu amigo, sim!
Wally é apaixonado por Milo mesmo — e não abre mão do cãozinho por nada neste mundo. Onde o idoso vai, ele vai atrás.
Se Milo se levanta, Wally se levanta. Se Milo muda de cômodo, lá está o carcará logo em seguida, como um guarda-costas que decidiu que sua missão na vida é acompanhar o melhor amigo.
Ele age como um companheiro fiel, daqueles que fazem questão de estar por perto o tempo inteiro, como se Milo fosse seu porto seguro.
Veja:
Mas por que um carcará faria isso?
Uma explicação possível para esse comportamento é o fenômeno conhecido como imprinting (ou “impressão/estampagem”).
De forma simples, é quando um animal, em um período sensível da vida, cria um vínculo tão forte com alguém (ou com outro animal) que passa a reconhecê-lo como parte do seu “grupo”, quase como família.
Esse tipo de ligação pode influenciar o jeito de agir, de se aproximar e até de buscar proteção e companhia.
Segundo o portal Consciência Animal (Unicamp), o imprinting acontece em uma fase limitada do desenvolvimento e pode ter forte influência do ambiente, levando o animal a seguir e se ligar intensamente a uma figura de referência.
No caso de Wally, tudo indica que ele encontrou em Milo o que talvez nunca tenha tido antes: segurança, rotina e afeto. E por isso, mesmo sendo uma ave silvestre, ele se comporta como se fosse “mais um da matilha” — do jeitinho dele.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.
