Logomarca Amo Meu Pet

Alfredinho não entende por que foi o único filhote que sobrou na feira de adoção, mas seu final feliz estava muito perto

Por
em Proteção Animal

No dia 6 de janeiro, o silêncio de uma gaiola em um shopping center de Bauru em São Paulo tornou-se o centro de uma mobilização digital que mudaria o destino de um animal.

Cristina Balduino, integrante da ONG Arca da Fé, registrou em vídeo o momento em que o filhote Alfredinho permanecia sozinho após o encerramento de uma feira de adoção.

O cão foi o único a não ser escolhido entre diversos animais que participavam do evento naquele dia.

A imagem do animal de quatro meses de idade esperando por um tutor enquanto o movimento do centro comercial continuava ao seu redor gerou comoção imediata.

A protetora utilizou as redes sociais para pedir que o vídeo fosse compartilhado com o objetivo de encontrar um lar para o cão.

Na descrição da postagem, ela disponibilizou o contato da organização para possíveis interessados na adoção.

A repercussão surtiu efeito pouco tempo depois da publicação. O interesse de uma família surgiu justamente por causa das imagens compartilhadas no Instagram.

Os novos tutores se sentiram sensibilizados pela história do filhote que havia sobrado no evento e decidiram que ele seria o novo integrante da casa.

Em entrevista ao Amo Meu Pet, Endrielly, voluntária da Arca da Fé, explicou que existem padrões de comportamento do público que dificultam a saída de certos animais em feiras.

Ela explica que muitos visitantes buscam por cães que possuam características físicas semelhantes a animais de raça definida.

No caso de Alfredinho, ser um cão sem raça definida e do sexo masculino somou-se aos motivos da demora, já que existe uma preferência cultural por fêmeas.

O filhote estava aguardando por um adotante há cerca de um mês antes do episódio no shopping.

Como a maioria dos animais atendidos pela organização, a origem de Alfredinho está ligada ao resgate nas ruas, terrenos baldios ou estradas de terra.

A ONG também atende animais vindos de famílias em situação de vulnerabilidade social que não possuem condições de manter os cuidados básicos.

Critérios rigorosos para garantir o bem-estar

A adoção do filhote seguiu o protocolo padrão da Arca da Fé, que busca evitar o abandono recorrente ou maus-tratos.

“Para adotar precisa ser maior de 21 anos, apresentar RG, CPF, comprovante de residência e mandar uma foto ou vídeo do quintal/espaço que a o animalzinho vai ficar. Se morar em casa tem que ser portão e muro fechado, com parte coberta, se for apartamento tem que ser telado.”, afirmou.

Após a entrega do animal, a organização realiza o acompanhamento por meio de aplicativos de mensagem.

A voluntária Endrielly afirma que o suporte veterinário continua sendo oferecido pela ONG após a adoção. Isso inclui a aplicação de vacinas, a realização da castração e consultas de rotina.

O objetivo é manter um vínculo com os novos donos e garantir que o animal receba os cuidados necessários durante toda a vida.

Confira o vídeo abaixo:

A estrutura por trás dos resgates em Bauru

A Arca da Fé atua desde 2016 sob a responsabilidade de Vanessa Araújo e hoje mantém uma estrutura que abriga mais de mil animais. O complexo é dividido para atender diferentes espécies e necessidades clínicas.

O setor de canis abriga mais de 800 cães em espaços amplos equipados com casinhas individuais.

Para os gatos, existe um gatil específico que comporta mais de 200 felinos. Além de animais domésticos comuns, o abrigo possui baías destinadas ao cuidado de cavalos resgatados.

Um dos diferenciais da estrutura é a área de internação climatizada, desenvolvida para receber animais que chegam das ruas em condições críticas de saúde e necessitam de conforto térmico para a recuperação.

O local também oferece espaços externos para que os cães em tratamento possam ter acesso ao sol e uma área dedicada ao banho e tosa.

Estima-se que, desde a sua fundação, a organização tenha viabilizado a adoção de mais de 5 mil animais.

Alfredinho já ganhou um lar!

Como funciona a manutenção do abrigo

Manter uma estrutura dessa magnitude exige recursos constantes. Atualmente, o abrigo passa por obras de expansão para a construção de novas casas, o que permitirá o resgate de mais animais.

A manutenção diária depende de doações da comunidade local e de simpatizantes da causa animal em todo o país.

As formas de auxílio são variadas e não se limitam apenas ao aporte financeiro. A população pode colaborar doando ração de forma direta ou medicamentos de uso veterinário.

A divulgação das histórias de animais que aguardam por um lar, como foi feito com Alfredinho, também é considerada uma forma essencial de ajuda pelos voluntários.

Para quem deseja contribuir financeiramente com as obras de expansão ou com os custos fixos de alimentação e limpeza, a ONG disponibiliza o PIX através do CNPJ 24.285.635/0001-40.

Cada contribuição ajuda a manter o atendimento aos bichos que ainda aguardam a mesma oportunidade que Alfredinho recebeu após seu vídeo percorrer a internet.

Enquanto Alfredinho se adapta ao seu novo lar, outras centenas de animais permanecem nos canis da Arca da Fé esperando o dia em que também serão notados por uma nova família.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.