"Cara, tive uma visão aqui da natureza": Biólogo fica impressionado ao encontrar estrutura engenhosa feita por formigas
Por Beatriz Menezes em Mundo AnimalO biólogo e produtor rural Jardel registrou um comportamento de sobrevivência extrema em Linhares, no Espírito Santo, em dezembro de 2025.
Após uma forte chuva alagar parte de sua propriedade, ele flagrou centenas de formigas organizadas em uma estrutura viva.
Os insetos utilizaram os próprios corpos para criar uma ponte sobre a água, garantindo a evacuação do formigueiro comprometido.
A manobra permitiu que o grupo transportasse ovos e larvas para uma área seca, evitando a extinção da linhagem local.
A cena ocorreu em um cenário de emergência ambiental. Quando a água invade as galerias subterrâneas, o oxigênio acaba e a temperatura oscila bruscamente.
Sem a possibilidade de cavar novos túneis sob a inundação, a espécie iniciou um protocolo de evacuação coordenado por sinais químicos.
Essa estratégia mantém a integridade física da prole, que é levada individualmente por operárias que caminham sobre o tapete formado pelas companheiras.
“Isso aqui é digno de Discovery Channel, nunca tinha visto isso aqui, eu to impressionado”, comentou o biólogo.
A publicação tem mais de 2 milhões de visualizações, 303 mil curtidas e 6.700 comentários.
“Moço você tinha que ter filmado até o último ovinho e depois filmar o destino da nova casa delas, não pode contar a história pela metade rsrs”.
“Isso mostra que a união de um povo faz a força e a sobrevivência de uma nação deveria ser assim nos humanos tbm”.
“A natureza é perfeita”.
São alguns dos comentários.
A ciência por trás da eficiência coletiva
Diferente do comportamento humano, que muitas vezes reduz o esforço individual em tarefas grupais, certas espécies de formigas apresentam um ganho de eficiência proporcional ao tamanho do grupo.
Segundo a Revista Galileu, um estudo publicado pela Current Biology revela que esses insetos se tornam mais produtivos à medida que o número de integrantes na tarefa aumenta.
Em testes laboratoriais, uma formiga sozinha foi capaz de puxar o equivalente a 59 vezes o próprio peso, mas, ao atuar em grupos de 15, essa força individual saltou para 103 vezes.
Esse aumento exponencial de potência explica como o grupo flagrado em Linhares conseguiu sustentar uma estrutura tão estável sobre a água. O segredo reside na formação de correntes funcionais onde cada indivíduo desempenha um papel específico.
Enquanto as formigas posicionadas na frente utilizam as mandíbulas para gerar tração e movimento, as que ficam na retaguarda atuam como resistentes passivas.
Elas se agarram às companheiras e fixam as patas firmemente no substrato, evitando que a estrutura recue e garantindo a estabilização da força acumulada.
O papel das patas aderentes na estrutura
A sustentação dessa ponte viva depende de uma adaptação física essencial: as patas aderentes. Funcionando como ganchos naturais de alta precisão, essas extremidades permitem que os insetos se fixem em superfícies diversas e uns aos outros com uma firmeza impressionante.
Essa característica garante que a corrente suporte tensões intensas sem se romper, permitindo até que uma única formiga sustente pesos desproporcionais, como um pequeno pássaro, sem escorregar.
No cenário de inundação observado pelo biólogo, essa aderência impediu que a ponte fosse arrastada pelo fluxo da água. Cada elo da corrente atua como um ponto de ancoragem que potencializa o trabalho das companheiras.
A anatomia desses animais, protegida por um exoesqueleto impermeável, fornece a rigidez necessária para que o grupo se transforme em uma infraestrutura sólida e funcional em poucos minutos.
Estratégia biológica e sucessão
A organização social das formigas é um dos sistemas mais bem-sucedidos da natureza, com uma história evolutiva de 80 milhões de anos.
Em uma colônia, a divisão de tarefas garante que o foco permaneça sempre na sobrevivência da linhagem. A rainha foca na geração de novos indivíduos, enquanto as operárias assumem os riscos logísticos e físicos.
Durante o resgate filmado no Espírito Santo, a prioridade absoluta foi a evacuação de ovos e larvas. Os ovos fecundados darão origem a novas operárias e futuras rainhas, enquanto os não fecundados geram machos via partenogênese.
Perder esses elementos durante a enchente significaria a extinção imediata daquela unidade social.
Por isso, a construção da ponte não é apenas um feito de engenharia, mas um investimento biológico onde o esforço coordenado supera as limitações físicas individuais de seres que medem apenas alguns milímetros.
Inspiração na inteligência de rede
A observação de fenômenos como este oferece dados valiosos sobre como a organização em rede pode resolver desafios físicos complexos sem a necessidade de um comando centralizado.
As formigas transformam um problema de sobrevivência em uma solução colaborativa de alta performance. Para os cientistas, o estudo desses comportamentos traz novas perspectivas sobre eficiência coletiva e logística.
Muitos internautas relataram que já presenciaram essa cena durante a infância, você também costumava observar as formigas? Deixe seu relato nos comentários!
