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Por ter “cotovelo marcado no concreto”, cão que dormia na rua é recusado na adoção, mas seu destino estava prestes a mudar

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em Cães

João é um vira-latinha de pelagem encaracolada que, apesar de ser muito fofo, dócil e companheiro, sentiu a dor de ser dispensado de uma adoção quando tudo parecia finalmente estar dando certo.

O motivo da rejeição foi ainda mais triste do que se poderia imaginar: quando o possível adotante percebeu que seus cotovelos tinham marcas de concreto — reflexo do tempo difícil que ele viveu nas ruas, dormindo em calçadas frias e improvisando abrigo onde fosse possível — simplesmente não o quis mais.

Aquelas marquinhas, que para João eram apenas sinais de sobrevivência, viraram motivo de julgamento. E assim, mais uma vez, ele foi deixado para trás… não por falta de amor, mas por carregar no corpo as marcas de uma vida sem lar e sem carinho.

Mas a história de João não terminou ali. Porque o que parecia ser o “fim” virou, na verdade, o seu recomeço.

Agora, esse lindinho finalmente ganhou um lar de verdade, uma família e a chance de viver tudo o que sempre mereceu: proteção, acolhimento e amor todos os dias.

A história de João

Em entrevista ao Amo Meu Pet, Sonia, do Projeto Faustina — que ajudou na divulgação do João — contou que tudo indica que esse lindinho viveu praticamente a vida inteira nas ruas.

João costumava circular pelas ruas do bairro Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, sempre aparecendo ali e acolá como quem já conhecia cada esquina do lugar.

Veja:

Foi nesse cenário que Dona Valdirene, proprietária de um mercadinho da região e conhecida por ter um coração enorme, começou a notar a presença dele com frequência.

Ela já cuidava de outros animaizinhos, oferecendo comida, ajudando com castração quando possível e fazendo o que estava ao seu alcance para amenizar o sofrimento dos que viviam abandonados.

Até que, em um dia aparentemente comum, Dona Valdirene presenciou uma moradora da vizinhança amarrando João e imediatamente foi entender o que estava acontecendo.

Ao descobrir que ele seria levado para tomar banho, ela não perdeu tempo: aproveitou a oportunidade para agir e comprou um comprimido de Simparic, garantindo que ele já recebesse proteção contra pulgas.

A partir desse momento, a vida de João começou a mudar, mesmo que ainda devagar. Ele continuou vivendo na rua, mas passou a ser acompanhado de perto por Dona Valdirene, que se tornou sua verdadeira guardiã.

Com constância e carinho, ela garantiu que ele fosse castrado, recebesse alimentação regular, fosse medicado contra pulgas e carrapatos e, principalmente, vacinado — cuidados que fazem toda a diferença para um cão que só conheceu a sobrevivência.

Há cerca de dois anos, Dona Valdirene tomou mais uma atitude emocionante: acolheu João em seu local de trabalho e começou a divulgá-lo para adoção, acreditando que aquele vira-latinha merecia, enfim, viver o que nunca teve… um lar de verdade.

Foi então que o Projeto Faustina soube do caso e entrou em ação, ajudando a divulgar o João nas redes sociais para que mais pessoas conhecessem sua história e ele finalmente tivesse a chance de encontrar uma família.

E foi assim que, depois de um tempo, um possível adotante apareceu. Após passar por uma entrevista e mostrar interesse real em dar um lar para o vira-latinha, ele foi aprovado — e tudo indicava que João, enfim, viveria o tão esperado recomeço.

"Ele solicitou o envio de um vídeo em câmera lenta para observar melhor o João. Após analisar o vídeo junto com um veterinário, desistiu da adoção, alegando que o João aparentava ser um cachorro doente, com possível cegueira e problemas de pele, e que não estava preparado para lidar com um animal nessas condições", contou Sonia.

Triste e com um sentimento de revolta, Sonia compartilhou um vídeo no perfil do Instagram do projeto, @projetofaustina, no dia 7 de janeiro, desabafando sobre o motivo da rejeição que João sofreu.

A publicação rapidamente acumulou milhares de visualizações e gerando centenas de comentários cheios de indignação, carinho e apoio ao vira-latinha.

Muita gente se comoveu com a história e deixou mensagens emocionadas, como:

“A pessoa que o ‘dispensou’ não merece o amor puro desse anjo ou de qualquer outro. Esse pequeno merece todo o amor duplicado do mundo… por tudo que passou.”

Outro comentário que tocou o coração de todos dizia:

“Muito doce o olhar de João… tem gente que não merece nem uma mordida, viu João.”

Assista:

O que parecia ser o fim foi, na verdade, o início de uma nova vida para João — e dessa vez, com final feliz de verdade.

No dia 18 de janeiro, ele foi finalmente adotado e passou a viver sob os cuidados de Marlene Pieroni, que abriu as portas de casa e do coração para dar a ele tudo o que faltou por tantos anos: segurança, acolhimento e muito amor.

"Gente, hoje peguei o João! Estou muito feliz. Ele é lindo e meigo. Já estamos bem afinadinhos"

Comentou Marlene nas redes sociais.

Que João seja muito feliz com sua nova família!

Sobre o Projeto Faustina

Segundo Sonia, o projeto é formado por uma família apaixonada por animais, composta por quatro irmãs, sendo que duas delas atuam de forma mais direta na causa dos animais em situação de rua.

Ela explicou que elas trabalham como protetoras independentes e que cerca de 80% das ações são custeadas com os próprios salários.

Sonia também destacou que são pessoas comuns, assalariadas, que muitas vezes deixam de comprar coisas para si para investir no cuidado de animais abandonados.

De acordo com ela, elas já cuidam de animais de rua desde 2010, mas o trabalho se intensificou nos últimos cinco anos, atuando em duas frentes: São Paulo e Bahia.

"Em São Paulo, na região da Zona Norte, cuidamos de uma colônia de gatos de rua. Já castramos e encaminhamos para adoção mais de 40 gatos desse local. Atualmente, ainda há cerca de 12 gatinhos que continuam sendo alimentados por nós", contou.
"Em Mortugaba, na Bahia, nossa cidade natal, nossa mãe alimenta aproximadamente 40 gatos em situação de rua. Nós, aqui de São Paulo, financiamos a ração para esses animais, pois na Bahia o custo é extremamente elevado", relatou.

Ela contou que, nos últimos três anos, o projeto realizou três mutirões de castração em Mortugaba. Segundo Sonia, os dois primeiros foram financiados por ela e pela irmã, com apenas uma pequena parte vinda de doações.

Já no último mutirão, a prefeitura colaborou com cerca de um terço do investimento. Ao todo, as três ações resultaram na castração de 213 animais, e, para tornar isso possível, elas contrataram um castramóvel e o levaram até Mortugaba.

Para ajudar o projeto, você pode conferir na bio do Instagram do @projetofaustina as formas de contribuição.

Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.

Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.

Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.

Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.