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“Eu não tenho nada, mas ela precisa de ajuda”: Sem recursos, morador de rua faz apelo emocionante por sua cachorrinha

Por
em Aqueça o coração

Há algumas semanas, uma cena à beira de uma avenida mudou completamente o rumo de uma vida.

Éricka Gallindo dirigia quando percebeu um senhor atravessando a rua com uma cachorrinha no colo. Ela era muito magrinha e algo naquele quadro chamou atenção.

“O que me chamou atenção foi a cabeça dela muito pendurada. Deu para perceber que ela era muito magrinha, mesmo passando rápido”, contou Éricka no Instagram.

O carro seguiu, mas a imagem ficou. Pelo retrovisor, ela tentou entender para onde aquele homem ia.

E, mesmo depois de passar, não conseguiu simplesmente seguir em frente. “Será que ele estava precisando de ajuda?”, dizia uma voz na cabeça dela.

“Aí eu ouvi essa voz”, relembra.

Ela voltou.

"Eu faço o melhor que posso"

Éricka encontrou o homem embaixo de uma árvore. Ao se aproximar, perguntou sobre a cachorrinha.

Ele explicou que a havia encontrado há cerca de uma semana, na estrada, e desde então vinha fazendo tudo o que podia por ela.

Quando Éricka perguntou onde ele morava, a resposta foi direta: “na rua”.

Ainda assim, ele fez questão de explicar como cuidava dela.

“Ela come porque eu peço comida pra ela. Não deixo ela passar sede porque eu peço água pra ela.”

Mesmo sem casa, sem garantias e sem recursos, havia cuidado, atenção e amor.

A conversa foi registrada em vídeo, e cada resposta tornava a situação ainda mais comovente.

“Tô tentando cuidar dela. Tanto que comprei medicamento pra vermes pra ela. Consegui também pra dores, analgésicos. Eu faço o melhor que posso. Mesmo na situação que eu vivo, eu faço o melhor.”

A decisão mais difícil e mais generosa

Em um determinado momento, Éricka fez a pergunta que mudaria tudo:

“O senhor deixaria eu levar ela?”

A resposta veio sem hesitação: “Deixo, deixo sim senhora.”

Ela ainda quis saber se ele gostaria de tê-la de volta caso ela se recuperasse. E foi então que veio uma das falas mais fortes de toda a história:

“Nessa vida que eu levo aqui, é melhor que ela fique com alguém que tenha condições. Não tenho nada. Não tenho casa, não tenho nada.”

Mesmo dizendo que não tinha nada, ele tinha algo que falta em muita gente: empatia.

“O que eu puder fazer por ela, eu vou fazer. Depois eu vou procurar o senhor pra dar notícia dela”, prometeu Éricka.

O resgate que virou lição

Na legenda do vídeo publicado no Instagram, Éricka resumiu o que viveu naquele dia:

“Eu não vi só uma cachorrinha doente. Eu vi um pedido de socorro.”

Ela descreveu o homem atravessando a pista sob o sol, carregando nos braços “o pouco que ainda respirava”.

Confessou que chorou ali, depois, sozinha no carro. Não era apenas tristeza. “Era constrangimento da alma.”

“Esse resgate não foi só por ela. Foi por mim. Foi uma lição. Hoje eu vi que ajudar não é sobre ter. É sobre se importar.”

A cachorrinha foi levada para casa, ganhou um nome, Lisa, e, principalmente, a chance de lutar.

Diagnóstico: cinomose

Lisa foi avaliada por um veterinário e diagnosticada com cinomose, uma doença grave, altamente contagiosa e que não tem cura, mas possui tratamento de suporte.

Segundo o American Kennel Club (AKC), a cinomose canina é causada por um vírus que afeta diversos sistemas do organismo, incluindo o respiratório, gastrointestinal e neurológico.

A doença é mais comum em cães não vacinados e pode apresentar sintomas como febre, secreção nasal e ocular, letargia, vômitos, diarreia e, em casos mais avançados, sinais neurológicos.

Não existe um medicamento capaz de eliminar o vírus, mas o tratamento de suporte é fundamental.

Ele inclui controle dos sintomas, suplementação, fortalecimento do sistema imunológico e prevenção de infecções secundárias, exatamente o que Lisa vem recebendo desde o primeiro dia.

O AKC reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção da cinomose e que o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na qualidade de vida do animal.

Recuperação e próximos passos

Desde que iniciou o tratamento, Lisa vem mostrando sinais de melhora dia após dia. Ainda há um caminho pela frente, mas ela já não está sozinha. E isso muda tudo.

Sobre o homem que cuidou dela quando ninguém mais cuidava, Éricka contou que está se organizando, junto com outras pessoas, para reencontrá-lo e entender, com responsabilidade, como pode ajudá-lo também.

“Prefiro fazer tudo com cuidado, sem prometer ou anunciar nada antes de saber exatamente o que é possível fazer”, explicou.

Enquanto isso, Lisa segue recebendo amor, cuidados intensivos e torcida. Quando estiver saudável, dará o próximo passo, seja qual for o destino que a vida reservar.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.