“Será que tá viva? Se tiver viva, a gente tira”: Em rio remoto, homem pede para guia retornar ao ver animal preso em fenda

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em Proteção Animal

O que seria apenas mais um momento de contemplação da natureza acabou se transformando em um resgate emocionante.

Alexandre Ataíde estava em um rio quando, de longe, percebeu algo fora do lugar: um pequeno ser parecia preso em uma fresta de um tronco, em um canto remoto da margem.

Sem pensar duas vezes, ele interrompeu o trajeto e pediu ajuda ao guia que o acompanhava.

“Pedi pro guia voltar e parar para eu ajudar o cágado preso em uma fenda de tronco”, escreveu Alexandre ao compartilhar o vídeo do resgate em seu Instagram.

Segundo ele, o animal provavelmente havia subido no tronco para se aquecer e acabou ficando preso sem conseguir se mover.

“Será que tá viva?”

No vídeo, Alexandre e o guia conversam enquanto se aproximam do tronco.

“Será que tá viva? Se tiver viva nois tira”, diz alguém.

Ao chegar mais perto, Alexandre comemora: “Acho que ela ainda tá viva.”

Ele segura o animal e consegue puxá-lo com firmeza, mas sem violência. O cágado é então colocado de volta na água.

Em um alívio coletivo, o animal reage imediatamente e mergulha.

“Tá viva, rapaiz. Salvou!”, comemora o guia, enquanto o cágado desaparece no rio.

Internet se emociona com o gesto

A cena tocou milhares de pessoas. Nos comentários, internautas comemoraram o resgate e a sensibilidade de Alexandre.

“Oi dona tartaruga. Deus ouviu a sua súplica e me enviou aqui pra te ajudar”, escreveu uma usuária.
“Pra mim esse é o propósito do ser humano na terra. Cooperar com outros e ajudar os indefesos”, comentou outra.
“O bichinho, ainda bem que você viu!!!”, resumiu mais um.

O vídeo reforça algo que muitas vezes passa despercebido: observar o ambiente ao redor pode ser a diferença entre a vida e a morte para animais silvestres.

Um resgate que exigiu ainda mais cuidado

Embora o resgate do cágado tenha ocorrido de forma tranquila, nem sempre ajudar um animal silvestre é simples ou seguro.

Um exemplo disso aconteceu em fevereiro de 2025, quando um vídeo viral mostrou um pai sendo alertado pela própria filha durante um resgate tenso.

“Cuide para não ser mordido”

Em maio de 2022, Zebadiah caminhava com a filha, Cora, de apenas 8 anos, próximo a um lago na propriedade da família, em Ohio, nos Estados Unidos, quando percebeu uma tartaruga presa em um ralo do sistema de drenagem.

O que eles não sabiam de início é que se tratava de uma tartaruga mordedora, espécie conhecida pela força extrema da mordida.

Mesmo assim, Zebadiah decidiu agir. Usando uma corda, tentou puxar o animal pela cauda. Aos poucos, as patas começaram a aparecer e ele passou a usar as mãos.

Durante todo o resgate, Cora filmava e alertava:

“Papai, tem que evitar ser mordido.”

Em determinado momento, a tartaruga avançou e quase o mordeu. Apesar do susto, ele persistiu até conseguir soltá-la.

Arremessada para longe pela força do movimento de reflexo, a tartaruga rapidamente se levantou e seguiu seu caminho.

“Graças a Deus”, disse a menina.

Cágado, jabuti ou tartaruga?

A dúvida é comum — e não é à toa. Tecnicamente, todos pertencem ao mesmo grupo: os Testudines.

Segundo o Science Mill, o termo “turtle” engloba todas essas espécies, mas existem diferenças importantes entre elas.

Onde vivem

  • Os jabutis vivem exclusivamente em terra firme.
  • As tartarugas marinhas vivem no oceano e só vão à terra para colocar ovos.
  • Já os cágados passam parte da vida na água e parte em terra, como o animal resgatado por Alexandre.

Formato do casco

Jabutis costumam ter cascos altos e arredondados. Cágados e tartarugas possuem cascos mais achatados e hidrodinâmicos, ideais para a natação.

As tartarugas marinhas, por exemplo, têm corpo em formato de gota, o que facilita mergulhos profundos, mas impede que recolham cabeça e patas para dentro do casco.

Patas e deslocamento

  • Jabutis têm patas grossas, parecidas com as de um elefante, feitas para caminhar.
  • Cágados possuem dedos com membranas, o que ajuda tanto na água quanto em terra.
  • Já as tartarugas marinhas têm nadadeiras e são consideradas os répteis mais rápidos na água.

Alimentação

Jabutis são herbívoros. Cágados costumam ter dieta variada, com plantas e pequenos animais. Tartarugas marinhas variam conforme a espécie: algumas comem algas, outras se alimentam de crustáceos, peixes ou até águas-vivas.

Como ajudar sem colocar o animal em risco

Especialistas recomendam que, ao encontrar um animal silvestre em perigo, a ajuda seja feita com cautela. Se for seguro, o ideal é permitir que o animal siga o caminho que já estava fazendo.

No caso de travessias de estrada, por exemplo, a orientação é ajudar o animal a chegar ao lado para onde ele já se dirigia, nunca mudar sua direção.

Além disso, reduzir o uso de plástico e descartar corretamente o lixo também é uma forma indireta de proteger espécies aquáticas.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.