“É meu bebê agora”: Vira-lata caramelo surpreende ao adotar filhotes de gato e cuidar deles como se fossem seus
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coraçãoO ditado popular afirma que cães e gatos são inimigos naturais, mas uma vira-lata chamada Chiquinha decidiu reescrever essa regra de forma prática.
Ao recepcionar filhotes de gatos órfãos, a cadela não apenas aceitou a presença dos felinos, como assumiu integralmente a responsabilidade pelos cuidados maternos.
A interação foi registrada em vídeos que mostram a dedicação do animal em oferecer conforto e proteção aos novos integrantes da casa.
A história começou quando a ONG @miaudoteudi, localizada em Uberlândia, Minas Gerais, resgatou um gatinho preto em situação de vulnerabilidade. Assim que o pequeno felino saiu da caixa de transporte, Chiquinha apresentou uma reação imediata e acolhedora.
Ela se deitou de barriga para cima como se fosse amamentar, um comportamento que demonstra a ativação do instinto de cuidado, mesmo sem haver um vínculo biológico entre as espécies.
Ianara Ramirez é a fundadora da organização e compartilhou os registros que mostram a rotina da nova família. Segundo a protetora, os animais não complicam o amor e simplesmente cuidam uns dos outros.
Nas imagens, é possível observar que a cadela não se limita a dar carinho. Ela realiza tarefas essenciais para a sobrevivência de felinos recém-nascidos, como lamber os filhotes para estimular as necessidades fisiológicas e realizar a higiene completa dos animais.
O cuidado foi tão positivo que a experiência se repetiu em um segundo momento, quando outros gatinhos chegaram ao local. Chiquinha demonstrou a mesma empolgação ao ver a caixa de transporte e logo começou a interagir com um gatinho malhado.
Assista:
A cadela acompanha cada passo dos pequenos e permanece em estado de alerta sempre que os humanos pegam os felinos no colo, monitorando a situação para garantir que nada aconteça com seus protegidos.
Quando um animal demonstra tamanha docilidade, ele quebra preconceitos sobre raças ou comportamentos agressivos.
O trabalho da @miaudoteudi foca justamente em encontrar lares responsáveis para animais que, assim como os protegidos de Chiquinha, precisam de uma segunda chance.
Os interessados em conhecer mais sobre o projeto ou ajudar na manutenção dos resgatados podem acompanhar as atualizações nas redes sociais da instituição.
O segundo vídeo de Chiquinha recepcionando órfãos recebeu mais de 464 mil visualizações, 70 mil curtidas e 864 comentários.
“Que gracinha, ela querendo por tudo dar mamazinho para o nenê gato!”.
“Expectativa: adotar um gato/ Realidade: a cadela que adotou o gato e você virou avó”.
“Meu sonho era ser mãe, Márcia”.
Foram alguns dos comentários.
Confira abaixo:
A biologia da adoção e a influência hormonal nos animais
O fenômeno da adoção entre espécies diferentes encontra explicação na endocrinologia animal e no funcionamento do sistema nervoso dos mamíferos.
De acordo com o médico-veterinário Zenildo Prazeres, especialista em comportamento animal com cinco décadas de experiência, esse ímpeto é desencadeado por um gerenciamento hormonal específico que ocorre principalmente no organismo das fêmeas.
A presença de um filhote vulnerável pode estimular a glândula hipófise a liberar substâncias que alteram o comportamento do animal adulto para garantir a sobrevivência do recém-nascido.
O especialista explica que a ocitocina e a prolactina são os dois pilares químicos que sustentam essa vontade de adotar.
A ocitocina atua diretamente no sistema límbico para fortalecer o vínculo afetivo e provocar a constrição dos ductos das glândulas mamárias, permitindo que o leite chegue até a boca do filhote.
Paralelamente, a prolactina trabalha na produção do alimento, o que possibilita que fêmeas em situações de gravidez psicológica ou que pariram recentemente consigam nutrir seres de outras espécies.
Embora o comportamento seja frequentemente associado aos mamíferos, Zenildo Prazeres ressalta que o ímpeto também pode ser observado em aves. No entanto, o veterinário destaca que a ocorrência em machos é considerada uma raridade biológica.
No caso dos cães, o instinto paternal não é mediado pela mesma carga hormonal das fêmeas, o que torna o papel da mãe adotiva central na organização social e na segurança dos filhotes órfãos dentro de uma residência.
