“Todo educado, assistindo a um casamento no quintal”: Vídeo antigo mostra cão Orelha participando da cerimônia e cena comove
Por Beatriz Menezes em CãesUm vídeo resgatado das redes sociais trouxe uma nova onda de emoção aos internautas que acompanham o caso do cão Orelha. O animal era uma figura conhecida na Praia Brava, em Santa Catarina, e teve sua trajetória marcada por um desfecho que mobilizou o país.
No dia 30 de janeiro, o criador de conteúdo @riccifilm publicou um registro feito em 2016 que mostra o cachorro participando de um casamento realizado na areia. A cena reforça o comportamento dócil do animal que vivia livre na orla e era considerado um membro da comunidade local.
As imagens mostram Orelha caminhando com tranquilidade em direção ao altar improvisado. Mesmo com a movimentação de convidados e a decoração com flores, o cão parece perfeitamente ambientado ao cenário.
Ele se aproxima dos noivos, Fernanda e Rafael, e da cerimonialista com uma postura serena. Em um momento específico do vídeo, o cachorro se deita na areia ao lado da noiva e chega a bocejar, demonstrando confiança e conforto com a presença humana ao seu redor.
O vídeo superou a marca de 6 milhões de visualizações e acumulou 760 mil curtidas. Nos comentários, cerca de 16 mil pessoas expressaram tristeza e indignação.
“Eu nem sei explicar como essa história mexeu comigo. Acho que eu nunca mais vou ser a mesma pessoa.”
“Ele chegando pra assistir um casamento no seu próprio quintal”
“Coração até dói só em saber o quanto ele deve ter sofrido sem nem ao menos ter conseguido se defender”.
O autor da filmagem relatou que teve o prazer de registrar o momento e questionou como alguém seria capaz de ferir um animal com aquele temperamento.
“Orelha de orelhinha em pé fazendo jus ao nome … aqui ele chegando para cerimônia de casamento da Fer e do Rafa na Praia Brava… convidado ilustre. Fico me perguntando como pode alguém fazer mal a um ser assim? Tão ingênuo, sereno, querido. Tive o prazer de fazer esses registros que agora se tornam ainda mais especial. Que justiça seja feita e que a PENA seja SEVERA a TODOS os envolvidos. Os adolescentes e seus pais e mães que dizem educar esses monstros…”, escreveu na descrição.
A repercussão do caso tomou proporções nacionais após a notícia de que Orelha foi vítima de maus-tratos. O episódio envolveu agressões que levaram a comunidade a cobrar punições rigorosas para os envolvidos.
O clamor por justiça aparece em grande parte das mensagens deixadas no Instagram, onde pessoas de diversas regiões do Brasil se solidarizaram com a história do animal que não teve oportunidade de defesa.
Cães comunitários como Orelha desenvolvem uma relação de confiança mútua com o ambiente onde vivem. Eles aprendem a identificar a rotina do local e se tornam protetores naturais do espaço.
A presença de Orelha no casamento de 2016 não foi um evento isolado, pois ele era visto diariamente interagindo com turistas e surfistas. Essa característica social torna o caso ainda mais sensível para a opinião pública.
Ao g1, a médica veterinária contou que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência.
Segundo ela, o cachorro era extremamente dócil e brincalhão, além de fazer sucesso com os turistas.
“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.
A Associação de Moradores da Praia Brava, destacou o papel afetivo do animal e informou que Orelha se tornou um "simbolo simples, mas muito querido". A entidade também divulgou uma nota lamentando o ocorrido.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”
O registro de @riccifilm permanece disponível como um tributo à vida do cão que, por muitos anos, foi o anfitrião silencioso das areias catarinenses.
