Logomarca Amo Meu Pet

'Ele corria atrás do meu carro!': Abandonado na UFC, vira-lata persegue mulher durante meses até mobilização nas redes garantir um recomeço

Por
em Cães

No final de julho de 2025, Bárbara Sena passeava com o próprio cachorro quando, de repente, ele apareceu. Do nada. Como se já a conhecesse.

Bebezão, o vira-lata caramelo, a seguia e entrava no condomínio, cheio de amor para oferecer.

E aquela “perseguição cheia de amor” passou a aumentar a cada dia. E é claro que, além de carinho, Bebezão ganhava espetinho, ração, água e até companhia nas corridas.

As pessoas até perguntavam: “É seu esse cachorro?” Mas ele não era.

O curioso é que Bárbara encontrava o Bebezão em três lugares diferentes. Às vezes nas avenidas, em áreas movimentadas, correndo risco real de atropelamento.

E sempre que via aquela cena, fazia a mesma coisa: abria a porta do carro e ele pulava para dentro.

Ela então o levava para um ponto que considerava menos perigoso.

“Era a maneira que eu tinha de tentar proteger mesmo sem poder levar pra casa.”

Uma proteção possível. Um amor que já existia, mesmo sem oficialização.

Abandonado, mas nunca sem afeto

Determinada a mudar o destino do cão, Bárbara publicou fotos e vídeos tentando encontrar um lar para ele. Foi então que descobriu: Bebezão havia sido abandonado na UFC.

Mesmo sem rumo, ele sempre dava um jeito de encontrá-la.

“E de longe ele vinha correndo balançando o corpo inteiro feliz como uma criança”, contou ela no TikTok.

Foi daí que surgiu o apelido. Grande no tamanho, mas puro e doce como um menino.

Durante meses, eles se encontraram, se perderam e se reencontraram. E cada reencontro vinha acompanhado de um aperto no coração.

“Meu coração sempre apertava, é claro, com medo de que algo ruim acontecesse com ele.”

Quem já se afeiçoou a um animal em situação de rua sabe: o medo é constante. Medo de atropelamento, de violência, de fome…

A porta que se abriu

Até que, como ela mesma descreveu:

“Deus fez o que só ele pode fazer. Abriu uma grande porta.”

Uma adotante apareceu. Sensível, paciente, amorosa. Alguém que enxergou no Bebezão exatamente o que Bárbara via desde o começo.

Com a ajuda do projeto Animais Universitários da UFC e da professora Alcineia, ele foi castrado, recebeu cuidados veterinários, ganhou saúde e ganhou algo ainda maior: um lar.

“Hoje o Bebezão não corre mais atrás do meu carro. Não porque deixou de gostar de mim. Mas porque agora ele tem um lar, uma família, um destino.”

Em dezembro de 2025, ela emocionou milhares de pessoas ao contar no TikTok a história.

“Diz a lenda que, quando um humano acolhe e protege um animal até o fim da vida, um raio de luz guia seu caminho para sempre”, escreveu uma pessoa nos comentários.

“Que possamos fazer um gesto assim qdo possível. Infelizmente julho, dez, jan e fev são os meses que mais se abandonam esses anjos. O povo quer viajar e não pensa isso quando adota”, disse outra.

“Tô chorando por uma mulher e um cachorro que nem conheço”, escreveu mais uma.

Abandono é crime; Maus-tratos também

Muita gente ainda trata o abandono como “descuido” ou “falta de opção”. Mas a legislação brasileira é clara: abandonar animal é crime.

A Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), com alteração pela Lei nº 14.064/2020, prevê que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar cães e gatos pode resultar em pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda.

O abandono é considerado uma forma de maus-tratos.

Além de deixar o animal exposto a fome, doenças e atropelamentos, o abandono causa sofrimento emocional. Cães criam vínculos profundos. Eles sentem a ausência, a rejeição, o medo.

Como denunciar maus-tratos

Se você presenciar abandono ou qualquer situação de maus-tratos, é importante denunciar.

As denúncias podem ser feitas:

  • Pelo telefone 190, em caso de flagrante ou risco .

  • Em delegacias comuns ou delegacias especializadas em crimes ambientais.

  • Pelo Ministério Público do seu estado.

  • Em algumas cidades, pela Delegacia Eletrônica de Proteção Animal.

  • Também é possível registrar denúncia anônima pelo Disque Denúncia (181), dependendo do estado.

Sempre que possível, reúna informações como:

  • Endereço ou ponto de referência.

  • Fotos ou vídeos (sem se colocar em risco).

  • Nome do responsável, se souber.

  • Data e horário do ocorrido.

Denunciar não é “se meter”. É proteger quem não pode se defender.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.