'Cão da raça velcro': Cão resgatado pensa que ainda é neném, ignora o próprio tamanho e se recusa a sair do colo
Por Larissa Soares em CãesO ator e criador de conteúdo Gustavo Vargas Spina é conhecido nas redes sociais pela sua grande ‘matilha’. Ele divide a vida com sete cães, cada um com uma personalidade bem definida.
Entre eles, a famosa Kyra, a “irmã” golden retriever que viralizou por simplesmente odiar MPB.
Basta Gustavo começar a cantar para que ela mostre os dentes em uma expressão de reprovação.
Mas, nas últimas semanas, quem roubou a cena foi outro integrante da família: Nicolau, ou simplesmente Nico.
O cão sem raça definida parece pedir colo 24 horas por dia.
No vídeo publicado em 15 de fevereiro, Nicolau aparece aninhado no colo de Gustavo, tentando, literalmente, caber inteiro ali.
“Você não é mais neném”, diz o tutor, enquanto o cachorro se enrosca ainda mais, abraçando-o com as patas e encostando o rosto no dele.
Enquanto isso, ao fundo, o cão caramelo aparece tranquilamente em sua casinha, roendo um osso, entretido com suas próprias atividades.
“O irmão dele brinca na dele e esse cara não larga do meu pé”, brinca Gustavo.
Na legenda, ele resume a situação com bom humor: “Esse cara quer viver colado em mim…”.
Os internautas se derreteram:
“Chorei quando ele colou o rosto dele no seu. Nenhum ser humano consegue ser tão grato assim”, disse uma seguidora.
“Que amor mais puro!”, escreveu outra.
O que é um “cão velcro”?
Segundo o portal veterinário PetMD, o termo “cão velcro” é usado para descrever cães extremamente apegados aos seus tutores. São aqueles que:
- Seguem a pessoa de cômodo em cômodo
- Buscam contato físico constante
- Querem estar sempre por perto
Embora o comportamento possa ser encantador e muito fofo, ele também levanta dúvidas. É só amor? É carência? É ansiedade? A resposta pode variar.
Amor aprendido (e reforçado)
Um dos motivos mais comuns para o comportamento “grudento” é o aprendizado, já que cães aprendem por associação.
Por exemplo, se toda vez que o cão seguir o tutor até a cozinha ele ganhar um petisco, ou se receber carinho sempre que se aninha no sofá, ele entende rapidamente que proximidade gera recompensa.
Resgate e vínculo
Cães que passaram por abandono ou insegurança podem se apegar intensamente quando encontram um ambiente estável.
Isso não significa, necessariamente, que haja um problema comportamental. Muitas vezes, trata-se apenas de um processo natural de adaptação e construção de confiança.
O que diferencia um “cão velcro” saudável de um cão com ansiedade de separação é a reação quando o tutor não está presente.
- Cães apegados gostam de estar perto, mas conseguem relaxar sozinhos.
- Já cães com ansiedade de separação entram em pânico: choram excessivamente, destroem objetos, fazem necessidades fora do lugar e demonstram sinais claros de estresse.
Por isso, sempre que o comportamento for intenso ou surgir de forma repentina, a recomendação é buscar orientação veterinária.
Predisposição e personalidade
Assim como pessoas, cães têm personalidades diferentes.
Raças de trabalho e companhia tendem a ser mais apegadas porque foram historicamente selecionadas para atuar lado a lado com humanos. Exemplos:
- Vizsla
- Golden Retriever
- Labrador Retriever
- Shih Tzu
- Cavalier King Charles Spaniel
Quando o grude vira problema?
De acordo com especialistas citados pelo PetMD, a dependência excessiva só se torna preocupante quando está associada à ansiedade de separação ou a problemas de saúde.
Cães idosos com perda de visão ou audição podem se tornar mais dependentes por insegurança. Cães doentes também podem buscar mais proximidade.
Sinais de alerta:
- Pânico quando o tutor sai
- Comportamento destrutivo
- Vocalização excessiva
- Alterações repentinas de comportamento
Dá para incentivar mais independência?
Sim e isso não significa amar menos. Especialistas recomendam:
- Mais exercício físico: Um cão fisicamente satisfeito tende a ficar menos ansioso.
- Estimulação mental: Brinquedos interativos e desafios ajudam a reduzir o tédio.
- Criar um “cantinho seguro”: Crie um espaço com a caminha e os brinquedos favoritos do cão. Ensine o comando “lugar” e recompense o cão por ficar ali para ajudá-lo a desenvolver autonomia.
Tudo isso deve ser feito com paciência e reforço positivo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
