“Essa foi a última vez”: Cachorrinha ‘invisível’ come lixo na rua sem saber que sua vida estava prestes a mudar
Por Larissa Soares em Proteção AnimalEra setembro do ano passado quando Roberta Mendes Antunes, criadora de conteúdo de Cachoeirinha (RS), passava por uma rua comum, em um dia comum… Até que uma cena interrompeu o fluxo automático da rotina.
Uma cachorrinha extremamente magra, com os ossos aparentes, revirava o lixo em busca de algo para comer.
Muitos viram. Poucos pararam. Mas Roberta decidiu não apenas enxergar, como também agir.
“Ela ainda não sabe, mas essa foi a última vez que ela precisou comer lixo para sobreviver…”, escreveu ela, em um vídeo emocionante publicado no Instagram.
O primeiro passo para uma nova vida
Roberta chamou a cachorrinha. Ela veio, mas com cautela, toda desconfiada. O olhar carregava medo, daqueles que são ensinados pelas experiências.
Mas, como Roberta escreveu:
“Ela ainda não sabe, mas essa foi a última vez que ela precisou ter medo do ser humano…”
Não se sabe exatamente o que Tóia, como a cachorrinha foi batizada, enfrentou nas ruas. Mas o corpo contava parte da história.
Ela estava “puro osso”, coberta de moscas e carrapatos. Mais tarde, descobriria-se que eram mais de 120.
Roberta também já tinha outros pets. Não estava nos planos assumir mais uma responsabilidade. Mas, como ela mesma admite, o coração falou mais alto.
Naquele momento, tudo o que ela conseguiu fazer foi colocar a cachorrinha no carro e levar para casa.
O diagnóstico difícil
Após receber os primeiros cuidados, Tóia foi levada ao veterinário. Exames, avaliação clínica e, então, o diagnóstico: anaplasmose (doença do carrapato) e anemia extrema.
A doença do carrapato pode se manifestar de diferentes formas. No caso da anaplasmose, a infecção é causada pela bactéria Anaplasma phagocytophilum ou Anaplasma platys.
De acordo com informações da rede veterinária VCA Animal Hospitals, a anaplasmose é transmitida pela picada de carrapatos e pode causar sintomas como febre, letargia, perda de apetite, dor nas articulações e claudicação (dificuldade para andar).
Em alguns casos, podem surgir vômitos, diarreia e, mais raramente, sinais neurológicos.
No caso da Anaplasma platys, a infecção pode provocar trombocitopenia cíclica, ou seja, uma queda nas plaquetas, responsáveis pela coagulação sanguínea, aumentando o risco de sangramentos.
A anemia de Tóia indicava que seu organismo já estava bastante debilitado.
Mas havia uma boa notícia: a doença tem tratamento.
Tratamento e esperança
Segundo a VCA, o tratamento padrão para anaplasmose é feito com o antibiótico doxiciclina, geralmente administrado por duas a quatro semanas.
A melhora clínica costuma ser rápida e muitos cães apresentam sinais de recuperação entre 24 e 48 horas após o início da medicação. E foi o que aconteceu com Tóia.
Ela iniciou o tratamento, recebeu cuidados intensivos, foi vermifugada, vacinada e, após estabilização, também passou pela castração.
Pouco a pouco, aquela cachorrinha frágil começou a dar lugar a uma versão cheia de energia.
“Ela está curada e salva!”, comemorou Roberta em outra publicação.
Dos traumas ao recomeço
A recuperação física foi visível, mas os traumas emocionais levam mais tempo.
Na legenda de um dos vídeos, Roberta escreveu:
“Nossa Tóia, meu amor! Faço esse vídeo chorando aqui, de pensar nas coisas horríveis que ela passou na rua, nos traumas que ela carrega, nos medos e nos receios que ela tem com os ‘homens’, que com muito amor, carinho e paciência, irei dar um jeito de ela esquecer tudo o que passou!”
Hoje, Tóia corre e brinca com os outros pets da casa. Tem energia, curiosidade e momentos de pura alegria.
Ainda carrega medos, especialmente em relação a homens, por conta de um passado que ninguém conhece completamente.
Mas carrega também algo novo: segurança.
“Resgatar ela foi a coisa mais importante que já fiz na minha vida”, declarou Roberta. “Foi a coisa mais significativa que já fiz.”
Tóia, que um dia precisou disputar restos para sobreviver, hoje disputa brinquedos no quintal.
Aquela que tinha mais de 120 carrapatos agora tem uma coleira colorida.
Aquela que temia a aproximação humana agora aprende, aos poucos, que carinho pode ser seguro.
“Que todos possam dar uma segunda chance para algum ser indefeso desses um dia. Eles merecem viver melhor!”, escreveu Roberta.
A importância da prevenção contra carrapatos
Carrapatos são mais do que um incômodo. Eles podem transmitir doenças sérias tanto para animais quanto, potencialmente, para humanos.
A anaplasmose é considerada um patógeno zoonótico, ou seja, tem potencial de infectar pessoas.
Embora a transmissão direta de cães para humanos não seja documentada, a presença da doença indica que há carrapatos infectados no ambiente.
Por isso, a prevenção é essencial.
Ainda segundo a VCA, limitar a exposição dos cães a áreas com vegetação densa, manter o pet protegido com medicamentos antiparasitários e verificar regularmente a presença de carrapatos após passeios são medidas fundamentais.
Medicamentos que eliminam carrapatos em menos de 24 horas ajudam a reduzir o risco de transmissão da doença, já que o parasita precisa se alimentar por um período mínimo antes de infectar o hospedeiro.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
