“Ele só falta falar”: Homem simples, agricultor de 87 anos se emociona ao falar do cão abandonado que mudou sua vida
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coraçãoO registro é de autoria do internauta @peregrineiro que registrou a história do cão Pitoco e do tutor José, no Assentamento Nova Esperança em Alagoas.
Nem sempre paramos para pensar no valor de uma amizade que nasce de um momento difícil. No interior de Alagoas, um encontro transformou a vida de um agricultor e de um pequeno animal que não tinha muitas esperanças de sobrevivência.
O protagonista dessa história é Pitoco, um cachorro que encontrou no carinho de uma família o caminho para superar o abandono e se tornar o braço direito de seu tutor.
O registro desse encontro foi feito pelo internauta e ciclista conhecido como @peregrineiro , que percorre estradas compartilhando histórias de vida.
Ao passar pelo Assentamento Nova Esperança, em solo alagoano, ele conheceu José, um senhor de 87 anos que carrega na pele as marcas do sol e no olhar o orgulho de quem construiu uma trajetória baseada na dedicação à terra e aos animais.
A história de Pitoco começou de forma trágica em uma ponte da região. O animal foi abandonado naquele local junto com outros quatro filhotes.
Sem proteção ou alimento, o destino dos animais foi cruel e alguns dos irmãos de Pitoco acabaram atropelados pelos veículos que passavam pela estrada.
A sorte do cão mudou quando o filho de José o avistou. Naquele momento, o animal era tão pequeno que cabia na palma da mão.
O filhote foi levado para casa, recebeu cuidados e logo conquistou o espaço de xodó da família. O vínculo entre o tutor e o pet se tornou tão forte que hoje José afirma que o animal só falta falar.
Pitoco demonstra uma inteligência que impressiona quem passa pelo assentamento. Basta um comando de voz ou um chamado específico para que ele saia de onde estiver, corra em direção ao seu dono e suba com agilidade na carroça para acompanhá-lo no trabalho diário.
Confira o vídeo abaixo:
Essa relação de lealdade acontece em um cenário de muita resiliência. José vive há 28 anos no Assentamento Nova Esperança, um local composto por três vilas onde a lida no campo exige esforço constante.
O agricultor cultiva um pedaço de terra e cuida do gado, atividades que ele realiza com satisfação apesar da idade avançada. Ele se define como um homem da luta, mantendo a disposição para gerenciar suas propriedades e animais todos os dias.
A vida no assentamento também apresenta desafios estruturais que José faz questão de pontuar. Embora a água para o consumo humano tenha chegado às residências, o trabalhador explica que a falta de infraestrutura para irrigação ainda limita a produção agrícola.
A ausência de um sistema que leve água para o cultivo dificulta o manejo da terra, mas não retira a esperança do agricultor em dias melhores para a comunidade onde fincou suas raízes.
Durante o encontro registrado em vídeo, houve também um momento de conexão espiritual e troca cultural. O ciclista presenteou o idoso com uma fitinha de Canindé, no Ceará, cidade famosa pela devoção a São Francisco, o protetor dos animais.
A conversa fluiu entre comparações sobre o clima de estados vizinhos como Pernambuco e Alagoas, destacando como a chuva é um evento aguardado e celebrado por quem depende da natureza para viver.
Assim como cães de raças famosas pela esperteza, animais sem raça definida também mostram níveis elevados de compreensão e adaptação quando inseridos em uma rotina de carinho e comandos claros.
Eles conseguem identificar sinais corporais e sonoros de seus tutores, criando uma linguagem própria de entendimento.
José e Pitoco mostram que a amizade verdadeira não exige palavras sofisticadas, mas sim presença e respeito mútuo.
Quem decide acolher um animal em casa ganha um companheiro para todas as horas e um motivo a mais para sorrir todas as manhãs.
