“Graças a ele que eu não fiz nada pior com a minha vida”: Moça adota cão idoso, mas é ele quem salva sua vida
Por Larissa Soares em CãesQuando Karine Charpinel, de São Paulo, decidiu adotar um cão idoso de abrigo, ela achava que estava fazendo uma boa ação. Queria oferecer “uma aposentadoria digna” para um cachorro que ninguém procurava.
O que ela não imaginava é que, no fim das contas, seria ela quem se sentiria salva.
“Ele foi um resgate pra mim. Ele me resgatou da depressão. Era por ele que eu levantava todo dia da cama”, contou em entrevista ao projeto Todos Têm Histórias, por Thainá Prado.
Teddy foi adotado aos 9 anos. Veio carregando cicatrizes físicas e emocionais de um passado difícil. Mas também trouxe algo gigante: propósito.
Um passado de marcas
Teddy foi resgatado pelo Instituto Amor em Patas quando tinha cerca de 4 anos. Depois disso, passou cinco anos no abrigo. Cinco anos esperando que alguém olhasse para ele e enxergasse além da idade.
Quando finalmente foi adotado, já era considerado idoso.
Ele tem as duas orelhas cortadas de forma simétrica. Não foi briga, pois os cortes são iguais. Também perdeu alguns dentes, provavelmente em decorrência de maus-tratos. A história exata ninguém sabe.
“Como tiveram coragem de fazer isso com você, Teddy?”, pergunta Thainá na entrevista, enquanto faz carinho nele.
Hoje, ela brinca que ele vive “vida de burguês safado”: ração premium, vacinas em dia, plano de saúde veterinário e muito, muito amor.
Mas a relação entre eles vai muito além dos cuidados básicos.
“Foi ele que me salvou”
Karine contou que enfrentava depressão quando Teddy entrou na vida dela.
“Graças a ele que eu não fiz nada pior com a minha vida”, disse. “Pra mim, ele significa vida.”
A depressão não é apenas tristeza. Segundo a Mental Health America, trata-se de um estado persistente de profunda desesperança, perda de interesse e alteração de energia, sono e autoestima.
Pode comprometer a capacidade de cumprir tarefas diárias e de se conectar com outras pessoas.
Em dias em que sair da cama parecia impossível, Teddy precisava de comida. Precisava de passeio. Precisava de cuidado. E isso fazia toda a diferença.
“Era por ele que eu levantava todo dia”, disse.
Às vezes, o primeiro passo da cura não é grandioso. É colocar ração no potinho.
Como os pets ajudam na saúde mental
De acordo com a Mental Health America, a interação humano-animal pode reduzir níveis de ansiedade, frequência cardíaca, pressão arterial e até o cortisol, o hormônio associado ao estresse.
Quando estamos ansiosos, nosso corpo entra em estado de “luta ou fuga”. Coração acelerado, músculos tensos, respiração curta.
O simples ato de acariciar um cão pode ajudar a regular essas respostas fisiológicas.
Além disso, intervenções assistidas por animais (IAA) têm mostrado redução nos sintomas de depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
Estudos apontam que a presença de animais pode promover sensação de segurança, diminuir sentimentos de isolamento e estimular interações sociais.
No caso de pessoas com trauma, os animais podem funcionar como âncoras no presente, ajudando a interromper pensamentos intrusivos e trazendo a atenção para o aqui e agora.
Propósito e rotina
Um dos fatores mais importantes na recuperação da saúde mental é o senso de propósito.
Cuidar de um pet exige responsabilidade diária: alimentar, passear, dar banho, administrar medicação. Essa rotina cria estrutura, algo essencial para quem enfrenta depressão.
A Mental Health America destaca que a necessidade de cuidar de um animal pode ajudar a pessoa a lembrar de cuidar de si mesma. A rotina compartilhada cria estabilidade emocional.
Amor sem julgamento
Outro ponto importante é o apoio emocional incondicional.
Animais não julgam. Não questionam. Não cobram produtividade. Não exigem explicações.
Para alguém lidando com culpa, vergonha ou baixa autoestima, sentimentos comuns na depressão, essa ausência de julgamento é transformadora.
O simples fato de ser recebido com alegria, mesmo nos dias difíceis, reforça a sensação de ser necessário.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
