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"Soltaram você na chuva, calma, eu vou te salvar": Olhar de filhote indefeso parte o coração de jovem, e ela decide agir

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em Proteção Animal

Na segunda-feira, a protetora de animais independente conhecida como Florzinha, de Ribeirão Preto (SP), se deparou com uma cena difícil de esquecer.

Era noite e chovia muito quando um filhote caramelo, magro, assustado, recém-abandonado, corria sem rumo.

Ele havia sido deixado ali à própria sorte. Não havia abrigo, não havia comida, apenas medo.

Correndo da ajuda

Assim que Florzinha tentou se aproximar, o filhote reagiu da única forma que parecia conhecer: fugindo.

“Ele corria e chorava muito, estava tão assustado que correu e quase foi atropelado, tadinho. Como deve ter sofrido nas mãos dos humanos maldosos”, relatou ela nas redes sociais.

O corpinho tremia e o rabinho entre as pernas dizia tudo. Ele não entendia que aquela voz suave queria ajudar. Para ele, qualquer aproximação poderia significar mais dor.

E então veio o momento mais angustiante: na tentativa desesperada de escapar, o filhote quase foi atingido por um carro.

O choro que cortava o coração

Depois de insistência e muita paciência, Florzinha conseguiu finalmente alcançá-lo. E foi aí que percebeu o quanto a situação era ainda mais delicada, já que o cãozinho gritava.

Não era apenas um choro comum de filhote. Era um grito agudo, de medo profundo. Segundo a protetora, ele reagia como se esperasse agressão.

“Ele deve ter apanhado muito porque ele grita”, disse, mostrando a carinha assustada do cãozinho.

Além do trauma emocional, havia o físico. O corpinho estava infestado de carrapatos.

Muito debilitado, ele precisaria passar por exames para verificar a possibilidade de doença do carrapato, condição séria que pode comprometer a saúde do animal rapidamente.

Atendimento e primeiros cuidados

O filhote foi levado para a clínica veterinária da Dra. Dayse, onde recebeu os primeiros atendimentos.

Lá, passou por avaliação, iniciou tratamento, foi vermifugado, vacinado e recebeu medicação antiparasitária (NexGard).

Apesar da fragilidade, mostrou-se forte. O medo ainda estava ali, evidente no olhar e nos tremores, mas agora ele tinha uma chance.

Na publicação feita pela protetora, ela fez o pedido:

“Paulistinha foi abandonado na chuva à própria sorte, quase morreu atropelado, mas conseguimos fazer o resgate. Ele estava com muitos carrapatos e bem debilitado. Precisa de um lar de muito amor e carinho. Quem vai querer adotar esse pobrezinho que tão novinho já conheceu a maldade humana?”

Um recomeço precisa de endereço

Hoje, o filhote, macho, de porte pequeno para médio, está vacinado, vermifugado e medicado. Mas ainda não tem onde ficar.

Ele precisa de um lar temporário ou, melhor ainda, definitivo. Um lugar onde possa aprender que mãos também podem significar carinho. Que vozes podem ser suaves. Que colo pode ser abrigo.

O maior desafio, agora, não é mais salvá-lo da rua, mas sim, salvá-lo da solidão.

Outro cão que aprendeu que humanos também podem ser bons

Em dezembro de 2025, a protetora Brenda Bianch compartilhou no Instagram o momento em que conheceu um filhote chamado Rufus.

Ele também estava encolhido, tremendo e também não confiava. Mas havia algo nele. Apesar do medo, ele não fugia completamente. Era como se quisesse ajuda, mas não soubesse como aceitar.

40 minutos que mudaram uma vida

Brenda decidiu que não desistiria. “Eu não vou judiar de você, meu amor”, repetia, com voz doce, mantendo distância respeitosa e movimentos calmos.

Foram cerca de 40 minutos de paciência e Rufus observava cada gesto, cada movimento.

Até que, devagarinho, deu alguns passos à frente, cheirou a mão estendida, abanou o rabinho e aceitou a comida.

Depois de comer, o filhotinho pareceu entender que estava seguro. Quando Brenda perguntou: “Vamos embora? Vamos para uma casa?”, ele começou a correr feliz, como se tivesse esperado por aquele convite a vida inteira.

Animais que sofreram maus-tratos frequentemente carregam marcas físicas e emocionais. Mas também carregam uma capacidade impressionante de reconstrução.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.