“Todos foram escolhidos… menos ele”: Voluntários não entendem por que o cão mais amável do abrigo nunca ganhou uma chance
Por Larissa Soares em Proteção AnimalEra fim de tarde quando Jayme e Caroline dirigiam por uma estrada no interior de São Paulo e avistaram algo se mexendo às margens da pista.
Quatro filhotes de cachorro, magros e machucados, haviam sido abandonados com apenas um pote de água.
Entre eles estava Luffy, que hoje, aos dois anos e meio de idade, segue em um abrigo à espera de adoção, enquanto todos os irmãos já encontraram família.
Resgatados à beira da estrada
O resgate aconteceu após dias de exposição ao perigo. Os filhotes haviam sido deixados em um matagal próximo à rodovia e, desorientados, conseguiram se aproximar da estrada.
Com curvas perigosas ao redor e sinais de negligência, ferimentos, bicheiras e desnutrição, dificilmente resistiriam por muito tempo.
Sem hesitar, o casal parou o carro e levou os cães para atendimento veterinário. Começava ali uma rotina intensa de exames, medicação e cuidados constantes.
Aos poucos, os quatro se recuperaram, voltaram a brincar, a interagir e a demonstrar confiança nas pessoas.
Final feliz para quase todos
Todos acreditavam que não levaria tempo para que os filhotes encontrassem lares amorosos.
Tuca foi a primeira a ser adotada. Espoleta, mais tarde rebatizada de Merlot, também encontrou um lar.
Panco, o mais tímido, esperou quase dois anos até que toda a divulgação de sua história finalmente tocasse alguém. Ele ganhou uma família em julho de 2025.
Mas Luffy ficou.
Apelidado carinhosamente de “Sorriso” por estar quase sempre com uma expressão que lembra um sorriso, ele viu cada um dos irmãos partir.
O momento mais marcante aconteceu quando o último deles foi adotado. Em um vídeo divulgado pelo Hyppet, o olhar de Luffy ao perceber que estava sozinho comoveu seguidores.
Desde então, ele passou a ser o único da ninhada ainda vivendo no abrigo.
Dois anos esperando a própria vez
Quando foi resgatado, Luffy estava em estado crítico. Machucado, frágil, precisou de acompanhamento veterinário até se recuperar completamente.
O processo incluiu tratamento das bicheiras, controle de infecções, alimentação adequada e, posteriormente, castração e vacinação.
O filhote assustado deu lugar a um cão ativo, brincalhão e extremamente carinhoso. Mesmo assim, o tempo passou e ele continuou no abrigo.
A saída do último irmão marcou o início de uma fase ainda mais solitária.
Dê uma chance ao Luffy
Descrito como super amável, sociável e de coração enorme, Luffy é um cão de porte médio para grande, já castrado e vacinado.
Ele convive bem com pessoas e outros animais e participa frequentemente de feiras de adoção em São Paulo.
Ainda assim, ninguém se interessa e o principal fator pode ser a idade. Luffy já não é mais um filhote.
Com dois anos e meio, ele compete, nas feirinhas, com cães menores e mais novos, que costumam chamar mais atenção do público.
A história se repete a cada evento. Pessoas passam, fazem carinho, elogiam, mas seguem adiante.
O cão que sobreviveu ao abandono e à doença assiste, mais uma vez, a oportunidade ir embora.
No entanto, especialistas costumam destacar que cães jovens adultos já passaram pela fase mais intensa de destruição típica de filhotes e têm personalidade mais definida, o que facilita a adaptação da família adotante.
“Melhor idade pra adotar um doguinho. Já não é mais um filhote caótico e destrutivo, mas é cheio de energia e carinho”, relatou uma internauta.
Como adotar
Luffy está em São Paulo e disponível para adoção responsável. O processo pode ser iniciado pelo aplicativo Hyppet ou por meio do perfil @meaudota2025 no Instagram.
A adoção responsável envolve entrevista, avaliação do ambiente e compromisso com cuidados veterinários, alimentação adequada e acompanhamento ao longo da vida do animal.
Para Luffy, significa algo ainda mais simples: finalmente ter um lar para chamar de seu.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
