“Eu só queria ajudá-lo”: Jovem socorre cão que mancava nas ruas e, tempos depois, ele aparece no dia mais feliz da sua vida
Por Larissa Soares em Proteção AnimalEm março de 2023, em meio a uma garoa fina em Cascavel (PR), Ana Finkler viu um cão de rua que parecia invisível para o mundo.
Ele perambulava pela rua, sem rumo. Estava machucado, sujo, com frio e fome. Ele mancava, tremia e, ainda assim, seguia andando como quem não tem para onde voltar.
“Ele estava vagando totalmente sem destino, muito machucado, com frio, fome e medo”, escreveu Ana ao compartilhar o vídeo daquele dia.
Ana poderia ter seguido caminho, mas escolheu não ignorar.
“Os animais que precisam de ajuda são guiados para mim. Podem ser invisíveis para alguns, mas não para mim.”
Um encontro na chuva
Ana parou o carro e chamou o cão com um pouco de comida. Ele hesitou, mas a fome falou mais alto. Aproximou-se devagar, desconfiado.
“Não sei sua história, o que passou até aqui. Mas com um pouquinho de paciência ganhei sua confiança.”
Pouco depois, ela já fazia carinho nele, mesmo debaixo da chuva.
O problema era o tamanho. Com cerca de 25 quilos e visivelmente machucado, ele não conseguia subir sozinho no carro.
Ana precisou esperar ajuda para colocá-lo no banco traseiro, enrolado em uma cobertinha.
Ali, ela descobriu algo importante: apesar da dor, ele era extremamente dócil.
O destino seguinte foi direto para o veterinário.
O diagnóstico
Na clínica, vieram as respostas. O cão tinha aproximadamente dois anos, estava com miíase (bicheira) e apresentava espasmos musculares.
Os exames revelaram que aqueles espasmos eram sequelas de uma doença grave: cinomose.
Segundo a rede veterinária VCA Animal Hospitals, a cinomose é uma doença viral altamente contagiosa que afeta cães domésticos e outros animais, como furões e guaxinins.
Causada pelo vírus da cinomose canina (CDV), é multissistêmica, ou seja, pode atingir os sistemas respiratório, gastrointestinal e nervoso central.
Entre os principais sintomas estão:
- Diarreia e vômito
- Secreção espessa nos olhos e nariz
- Tosse
- Convulsões
- Sinais neurológicos, como tropeços, inclinação da cabeça e paralisia
Mesmo após a recuperação, muitos cães permanecem com espasmos musculares persistentes e convulsões recorrentes, exatamente como aconteceu com ele.
A cinomose não tem tratamento específico contra o vírus. O cuidado é de suporte: fluidoterapia, controle de sintomas e tratamento de infecções secundárias.
A prevenção, porém, é eficaz e feita por meio de vacinação.
Dick, como passou a se chamar, era um sobrevivente.
De invisível a integrante da família
Além da cinomose, Dick precisou tratar a bicheira, ganhar peso e recuperar a confiança.
Ele tomou banho, fez exames, recebeu medicação e, aos poucos, foi deixando o sofrimento para trás.
Dick passou a dividir a casa com Penélope, Charmosa, Vigarista, Pelé e Zeus, a maioria também resgatados.
E revelou sua personalidade: carente, brincalhão e absurdamente carismático.
“CÃOsultor de vendas”
Hoje, Dick, apelidado carinhosamente de Dogão pelo tamanho, também tem um cargo oficial. Ele é mascote e “CÃOsultor de vendas” da loja AutoTrader Motors, onde passa os dias ao lado do “papai”.
Dick participa da rotina, grava propagandas e recebe clientes com entusiasmo.
Apesar de ainda apresentar espasmos ocasionais, consequência da cinomose, leva uma vida completamente normal.
Agora, o maior desafio é não pedir colo para todos que entram na loja.
O grande dia
Em dezembro do ano passado, Ana viveu um dos momentos mais importantes da sua vida: o casamento.
E não havia a menor possibilidade de que os cães ficassem de fora.
Penélope, Charmosa, Dick, Vigarista, Pelé e Zeus entraram na cerimônia junto com as madrinhas, usando terninhos e vestidos sob medida.
Comparado ao dia do resgate, Dick parecia outro cachorro.
“Quem já foi invisível nas ruas hoje entrou no meu casamento como minha família”, escreveu Ana ao compartilhar o vídeo.
Cada um daqueles cães tem uma história marcada por abandono, dor e recomeço. Incluí-los na cerimônia foi uma forma de dizer: “Vocês construíram essa história com a gente.”
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
