“Pensamos que ele estava partindo”: Família descobre cobra coral mastigada e entende por que boxer passou mal
Por Ana Carolina Câmara em CãesBartolomeu é um cachorro da raça boxer que já está em seus anos dourados, mas, mesmo com a idade avançada, nunca deixou de seguir seu instinto protetor e cuidar da casa onde vive.
Sim, esse lindinho mostrou mais uma vez sua coragem ao defender a própria família de uma potencial ameaça.
Ao perceber a presença de uma cobra coral, uma das serpentes mais perigosas do país, Bartolomeu não hesitou e partiu para cima do animal.
Ele conseguiu deter a cobra e evitar que ela se aproximasse da casa, protegendo quem ama. Porém, durante o confronto, acabou sendo picado pela serpente.
Agora, infelizmente, Bartolomeu está em estado grave de saúde e recebe todos os cuidados possíveis.
Sua família, que vive em Blumenau, Santa Catarina, acompanha cada momento com o coração apertado, torcendo para que esse guerreirinho consiga vencer mais essa batalha.
Para eles, Bartolomeu não é apenas um cachorro — é um herói de quatro patas que colocou a própria vida em risco para proteger quem ama.
Bartolomeu, um herói
Bartolomeu está prestes a completar 12 anos de vida no dia 20 de maio. O querido de aproximadamente 40 kg pertence ao casal Ana e Bernardo, conhecidos nas redes sociais pelo perfil @meumaridomarceneiro.
Apesar da idade e dos desafios que já enfrentou, Bartolomeu sempre demonstrou ser um cachorro forte, determinado e cheio de personalidade.
Há algum tempo, ele foi diagnosticado com câncer, situação que levou inclusive à amputação de um dedo. Ainda assim, segundo Ana, o grandão vinha levando a vida “bem, dentro do possível”, cercado de cuidados e carinho.
Quem convive com Bartolomeu sabe que ele tem um temperamento forte. Não gosta muito de ser manipulado e prefere manter certa independência.
Durante o período de tratamento, por exemplo, a situação foi delicada: ele não permitia que ninguém da família realizasse os curativos necessários.
Por isso, precisou ficar internado na clínica veterinária por dois meses, onde profissionais conseguiam realizar os cuidados adequados.
Mesmo com todas essas dificuldades, a família acreditava que a situação estava relativamente estável. Porém, nesta semana, Bartolomeu acabou provocando mais um grande susto.
Ana e Bernardo haviam viajado em família, deixando o cão sob os cuidados da mãe de Bernardo. Foi então que a sogra percebeu algo estranho.
Bartolomeu começou a chorar, estava quieto demais e, principalmente, recusava comida — algo que rapidamente acendeu o sinal de alerta.
A princípio, a família chegou a temer que aqueles pudessem ser sinais de despedida. Afinal, Bartolomeu já enfrenta algumas limitações naturais da idade: está surdo, possui catarata e já não tem a mesma disposição de antes.
Mas o pior ainda estava por vir.
Na noite do dia 3 de março, quando o casal já havia retornado para casa, Bernardo encontrou o cachorro deitado no chão, completamente imóvel, com a respiração difícil e a língua para fora.
O desespero foi imediato.
“Eu pensei que ele pudesse ter tido um AVC ou um infarto, como aconteceu com o Baltazar [irmão canino de Bartolomeu], que morreu dormindo, provavelmente do coração”, contou Ana.
Sem perder tempo, o casal correu para levá-lo ao veterinário. Já era por volta das 21 horas, e o trajeto até a clínica não foi simples. Como Bartolomeu não gosta de ser manipulado, colocá-lo no carro e transportá-lo até o atendimento exigiu muito esforço e cuidado.
Ao chegar na clínica, a veterinária levantou uma possibilidade: envenenamento.
Ana descartou a hipótese naquele momento.
“A gente mora numa rua sem saída, muito tranquila. Não imaginávamos que alguém pudesse fazer uma coisa dessas”, explicou.
Bartolomeu foi então internado, enquanto os veterinários tentavam descobrir o que realmente estava acontecendo.
Na manhã seguinte, 4 de março, Ana decidiu ir até a casinha do cachorro para pegar o paninho dele, que queria levar para a visita na clínica. Foi então que se deparou com uma cena surpreendente.
Ali, no chão, estava uma cobra coral completamente mastigada.
A descoberta mudou completamente o entendimento do caso. Tudo indicava que Bartolomeu havia enfrentado a serpente — e provavelmente foi picado durante o confronto.
Apesar da gravidade da situação, havia um pequeno sinal de esperança: Bartolomeu não havia morrido imediatamente, como costuma acontecer em casos graves de picada de coral.
E mais: ele começou a apresentar pequenas reações.
“A gente não sabe como ele está assim, porque ele estava totalmente paralisado, e agora já está mexendo a boca e já consegue engolir”, contou Ana, emocionada.
Nas redes sociais, a família passou a compartilhar atualizações e pediu aos seguidores que orem por Bartolomeu, na esperança de que ele consiga se recuperar e voltar para casa.
Internautas deixaram mensagens de carinho e esperança para Bartolomeu nos comentários.
“Caramba… coitado do Barto. O instinto fala alto nesses nossos bichinhos. Desejo melhoras para ele. Um abraço, queridos Ana e Bernardo.”
“São Francisco já está intercedendo pela vida dele. A saúde dele vai se regenerar.”
“Ahhhh… se as pessoas soubessem o quanto os animais são leais — muitas vezes mais do que os próprios humanos — haveria muito mais pets adotados. E, com certeza, muito mais gente feliz.”
No entanto, em uma atualização mais recente, as notícias trouxeram nova preocupação. Bartolomeu voltou a ficar mais quietinho, sua respiração está lenta e ele não está urinando, sinais que podem indicar complicações mais sérias.
Agora, a torcida da família e de milhares de pessoas que acompanham a história é para que o boxer consiga superar mais esse desafio e que não ocorra uma falência múltipla de órgãos.
Enquanto isso, Bartolomeu segue lutando — como sempre fez. Um verdadeiro guerreiro, que continua mostrando sua força e coragem, mesmo diante das batalhas mais difíceis.
Sobre a cobra coral
A cobra coral é uma das serpentes mais venenosas do Brasil, pertencente ao gênero Micrurus. Apesar da fama, ela costuma ser tímida e pouco agressiva, preferindo fugir do contato com humanos e outros animais.
Seu corpo é facilmente reconhecido pelas cores vibrantes em anéis vermelhos, pretos e amarelos ou brancos, um padrão que serve como aviso para possíveis predadores.
O veneno da coral é neurotóxico, ou seja, afeta diretamente o sistema nervoso. Em casos de picada, os sintomas podem incluir dificuldade para respirar, visão turva, fraqueza muscular e paralisia, por isso o atendimento médico ou veterinário deve ser imediato.
Essas serpentes costumam viver em áreas de mata, jardins, terrenos úmidos e até perto de casas, escondendo-se sob folhas, troncos ou buracos no solo. Alimentam-se principalmente de pequenos répteis, anfíbios e outras serpentes.
Curiosamente, existem também as chamadas “falsas corais”, que imitam as cores da coral verdadeira, mas não possuem veneno perigoso. Essa semelhança é um exemplo clássico de estratégia de defesa na natureza.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.
