“Sem pensar muito, resgatei todos”: Moça decide levar todos os cães que a seguiam na rua e maior desafio começa
Por Larissa Soares em Proteção AnimalEra outubro de 2025, quando a protetora de animais Deise Falci, de Porto Alegre (RS), percebeu que um grupo de cães caminhava, todos os dias, até uma escola municipal.
Lá, eles tinham a chance de receber um pouco de comida e atenção.
Mas aquele encontro cotidiano logo virou algo muito maior.
“A história é longa, mas vale a pena”, avisou Deise antes de contar em suas redes sociais como tudo aconteceu.
Uma caminhada de mais de 30 minutos por comida
Os cães não apareciam por acaso. Eles percorriam mais de 30 minutos de caminhada todos os dias para chegar até a escola.
Era ali que encontravam pessoas dispostas a dar carinho, restos de comida e alguns minutos de afeto.
Para quem vive nas ruas, esses pequenos gestos fazem toda a diferença.
Deise começou a observar a rotina dos animais e percebeu que eles formavam praticamente uma “turma”.
Andavam juntos, dividiam o pouco que recebiam e voltavam para as ruas depois.
A cena ficou marcada na cabeça dela, até que um dia veio a decisão que mudaria tudo.
“Sem pensar muito, resgatei todos”, contou.
Um resgate coletivo e vários finais felizes
Depois da decisão impulsiva, veio o maior desafio: cuidar de todos aqueles cães e encontrar famílias para cada um.
Apesar das dificuldades, a missão deu certo. “Todos eles vieram comigo e todos foram adotados”, contou Deise.
Quase todos. Entre os cães resgatados havia um que precisava de cuidados muito especiais e que acabaria ficando mais tempo sob a proteção da protetora.
O nome dele era Josué.
Um cãozinho que precisava de ajuda urgente
Josué já havia passado por muita coisa antes de ser resgatado. Ele havia sido atropelado e, por causa do acidente, ficou com uma das patas gravemente comprometida.
“Ele ficou com a patinha torta”, explicou Deise.
Além disso, o cachorro também perdeu a visão de um dos olhos.
A locomoção era difícil e a dor constante. Com o tempo, os veterinários chegaram a uma conclusão: a melhor solução seria a amputação da pata.
A cirurgia era necessária para garantir qualidade de vida ao animal. Josué passou pelo procedimento e se tornou um cãozinho de três patas.
Mas, apesar da nova chance, encontrar um lar para ele não seria fácil.
A busca por uma família
Deise não mediu esforços para tentar encontrar uma família para o cachorro.
Josué participou de sessões de fotos em estúdio, apareceu em vitrines de adoção e teve sua história divulgada em diversos lugares.
Na tentativa de ampliar as chances, ele chegou até a viajar para São Paulo para participar de ações de adoção.
“Levamos ele para ter a oportunidade de ser adotado”, contou a protetora.
Mesmo com toda a divulgação, nada acontecia.
“Ele é um doce de cachorrinho, se dá bem com todo mundo”, dizia Deise.
Mas, ainda assim, os interessados acabavam escolhendo outros animais.
A volta para casa e a tristeza
Depois de várias tentativas sem sucesso, Josué teve que voltar para Porto Alegre. Segundo Deise, aquele momento foi difícil.
“Ele voltou chorando muito, pois entendeu o quanto foi rejeitado.”
Para quem acompanha resgates, essa é uma das partes mais dolorosas: ver animais incríveis sendo ignorados simplesmente por terem alguma deficiência ou necessidade especial.
Mesmo assim, Deise não desistiu e Josué continuou esperando por sua chance.
O questionário que mudou tudo
Pouco tempo depois de voltar para Porto Alegre, algo inesperado aconteceu. Deise recebeu um questionário de adoção.
Era alguém interessado especificamente em Josué. Depois de tantas tentativas frustradas, finalmente parecia que o destino estava mudando.
“Agora eu deixo essa alegria aí para vocês”, contou ela nas redes sociais.
Josué havia sido adotado.
“Esse pãozinho de três patinhas agora vai ter a segurança e o amor de um lar todinho para ele.”
Cães de três patas podem viver normalmente?
A história de Josué também ajuda a quebrar um mito comum: o de que cães amputados não conseguem ter uma vida feliz.
Segundo especialistas do site veterinário PetMD, cães com três patas, chamados de “tripés”, geralmente se adaptam muito bem à nova condição.
Mesmo após a perda de um membro, a maioria consegue correr, brincar e levar uma vida bastante ativa.
“Eles podem viver uma vida longa e saudável”, explicam os especialistas.
Na maioria dos casos, os cuidados especiais são necessários apenas durante o período de recuperação após a cirurgia.
Adaptações que ajudam na rotina
Apesar da boa adaptação, existem algumas mudanças simples que podem facilitar a vida de um cão tripé. Entre elas estão:
- manter o peso do animal controlado
- evitar atividades de alto impacto
- oferecer caminhadas mais curtas e frequentes
- garantir pisos antiderrapantes em casa
Essas medidas ajudam a proteger as articulações restantes, que acabam suportando mais peso do que o normal.
Segundo o PetMD, também pode ser útil oferecer camas acolchoadas e recipientes elevados para comida e água, que ajudam o cachorro a manter o equilíbrio.
Uma vida feliz com três patinhas
Outro ponto importante é que cães amputados não precisam abrir mão da diversão. Com o tempo, muitos aprendem a correr, brincar e explorar o ambiente normalmente.
O segredo é respeitar o ritmo do animal e evitar esforços excessivos.
“Com paciência e compreensão, eles podem viver uma vida plena e feliz”, explicam os especialistas.
Para muitos tutores, inclusive, esses cães acabam desenvolvendo um vínculo ainda mais forte com a família.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
