Pitbull idosa parecia saber que teria pouco tempo ao lado da bebê humana e aproveitou cada segundo
Por Larissa Soares em Aqueça o coraçãoQuando a pequena Sofi nasceu, já havia uma veterana na casa: Molly, uma pitbull que acompanhava a família havia muitos anos.
A cadela já era idosa, mas parecia determinada a aproveitar cada instante ao lado da nova integrante da matilha. E foi exatamente isso que aconteceu.
Nos primeiros meses de vida da bebê, Molly se tornou uma guarda costas dela, sempre por perto, observando, deitada ao lado do berço ou distribuindo lambidas carinhosas sempre que tinha oportunidade.
Parecia que a cadela queria garantir que Sofi sentisse, desde cedo, o quanto era amada.
Em 9 de março, Nikki, a tutora da família, compartilhou nas redes sociais um vídeo emocionante reunindo vários desses momentos.
As imagens mostram Molly interagindo com a bebê, aproximando o focinho com cuidado e enchendo Sofi de “beijinhos”.
“Sofi é um bebê seguro e feliz, graças em grande parte a Molly e seus infinitos beijos. Um amor que deixou sua marca em seu coração e permanecerá com ela para sempre”, escreveu Nikki.
O vídeo rapidamente tocou milhares de pessoas, especialmente quando a família revelou que Molly já não estava mais entre eles.
A cadela que formou uma família
A história de Molly com aquela família começou muito antes de Sofi nascer. Na verdade, segundo Nikki, foi a própria cadela que uniu o casal.
Em uma publicação feita alguns dias antes, em 5 de março, ela contou que tudo aconteceu de maneira quase cinematográfica.
“Alguns de vocês já sabem, mas Molly foi a razão pela qual nossa família se formou”, escreveu.
Certo dia, Nikki estava passeando com outra cadela chamada Gucci em um parque quando, de repente, uma pitbull de um ano apareceu correndo em direção a elas. Era Molly.
Cheia de energia, ela avançou feliz na direção das duas enquanto, alguns metros atrás, vinha seu tutor gritando:
“Desculpa! Ela não faz nada!”
A cena arrancou risadas e acabou se transformando no início de uma história muito maior.
“Uma cena de filme que vou lembrar até ficar bem velhinha”, escreveu Nikki.
Aquele encontro acabou aproximando os dois tutores e, pouco tempo depois, eles formariam uma família.
“Dizem que a vida sempre te dá o cachorro de que você precisa, e estou convencida de que, naquele momento, Molly sabia que precisávamos ser uma família.”
Líder da matilha
Com o passar dos anos, Molly se tornou uma figura central na casa.
Depois de Gucci, a família adotou outra cadela chamada Pelu, e logo as duas se tornaram inseparáveis.
Como Gucci já era mais velha, Molly naturalmente assumiu o papel de líder e protetora da matilha.
Segundo Nikki, ela era uma cadela cheia de alegria, sempre animada e pronta para brincar.
“Ela era a cachorrinha MAIS FELIZ DO MUNDO”, escreveu a tutora.
Mas, com o tempo, a saúde da pitbull começou a exigir cuidados.
Molly enfrentou durante anos uma batalha contra o câncer. Mesmo assim, continuou demonstrando a mesma energia e carinho de sempre, especialmente quando Sofi chegou.
A melhor irmã mais velha que Sofi poderia ter
Quando a bebê nasceu, Molly já era uma senhora canina. Ainda assim, assumiu com entusiasmo o papel de irmã mais velha.
Sempre que via Sofi deitada na cama ou no colo da mãe, ela se aproximava com cuidado e começava a distribuir lambidas.
Era uma cena que se repetia quase todos os dias.
“Foi a melhor irmã mais velha que Sofi poderia ter, enchendo-a de beijos sempre que podia”, contou Nikki.
A presença da cadela também parecia trazer tranquilidade para a bebê.
Segundo a tutora, Sofi cresceu cercada de carinho e contato com os animais da casa.
Graças a Molly, ela se tornou uma criança curiosa, feliz e completamente confortável na companhia de cães.
“Ela faz com que Sofi seja um bebê sem medo, com as defesas MUITO altas, amante dos animais e, acima de tudo, feliz”, brincou Nikki.
A despedida
Infelizmente, chegou o momento em que Molly precisou se despedir. Depois de anos lutando contra o câncer, a cadela partiu em fevereiro.
Para a família, foi uma perda profunda.
“Com um vazio no coração, quero contar a vocês que, em fevereiro, nossa princesa Molly cruzou o arco-íris para o céu”, escreveu Nikki.
Ela contou que levou vários dias até conseguir escrever sobre a perda.
Cada lembrança da cadela trazia uma mistura de saudade e gratidão.
“Sinto tanta falta de ouvir suas patinhas correndo pela casa… o ‘tap tap tap’ do seu rabinho quando eu cantava as músicas que inventei para você.”
A tutora também revelou que o marido, considerado o “homem forte” da família, ainda se emociona sempre que fala sobre Molly.
“Ela foi seu primeiro bebê.”
A promessa feita à velha guardiã
Nos últimos dias ao lado da cadela, Nikki fez uma promessa. Ela disse a Molly que sua matilha ficaria bem, que todos continuariam cuidando uns dos outros e que Sofi cresceria ouvindo histórias sobre ela.
“Prometi que Sofi crescerá ouvindo seu nome e vendo suas fotos para lembrar o quanto ela a amava.”
Para a família, Molly foi parte essencial da história deles, uma cadela que ajudou a formar a família e, anos depois, ajudou a ensinar à bebê o que é amor.
Cães lambendo bebês: é seguro?
As cenas de Molly enchendo Sofi de lambidas podem parecer irresistivelmente fofas e, de fato, são comuns em muitas famílias que convivem com cães.
Mas especialistas lembram que algumas precauções são importantes.
Segundo o veterinário Brian Collins, do Cornell Riney Canine Health Center, embora a cena seja adorável, permitir que cães lambam o rosto de bebês nem sempre é a melhor ideia.
“Não quero ser o maior estraga-prazeres do mundo”, disse ele em entrevista à revista Digest, “mas quando vejo vídeos de pessoas deixando seus cães lamberem o rosto dos filhos… por vários motivos, não tenho certeza se é a melhor coisa a se fazer.”
Uma das preocupações envolve doenças zoonóticas, ou seja, infecções que podem ser transmitidas entre animais e humanos.
Embora o risco seja considerado relativamente baixo em cães domésticos saudáveis, ele existe, principalmente se houver feridas abertas ou se a pessoa tiver o sistema imunológico enfraquecido.
Crianças muito pequenas também são mais vulneráveis.
A pediatra Yuliana Noah, da Tribeca Pediatrics, explica que bebês com menos de um ano ainda estão desenvolvendo suas defesas naturais.
Por isso, muitos especialistas recomendam evitar que cães lambam diretamente o rosto de bebês nessa fase.
Além disso, todas as interações entre crianças e cães devem ser supervisionadas.
Isso não significa que a convivência entre eles não seja positiva. Pelo contrário.
Quando acontece de forma segura e respeitosa, ela pode trazer inúmeros benefícios emocionais.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
