“Nunca vi isso na natureza”: Lontra aparece em casas de SC e cena brincando com bola deixa biólogo intrigado
Por Larissa Soares em Mundo AnimalUma cena fora do comum chamou a atenção de moradores e amantes da natureza em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, uma lontra aparece fazendo algo que dificilmente se vê na natureza: brincando com uma bola.
O registro foi comentado em 11 de março pelo biólogo Gilberto Ademar Duwe, conhecido nas redes como biólogo Giba, que costuma compartilhar conteúdos sobre fauna brasileira, resgates de animais silvestres e curiosidades da natureza.
A cena rapidamente despertou curiosidade, mas também preocupação.
Isso porque, segundo o próprio biólogo, o comportamento da lontra indica algo importante: o animal provavelmente cresceu em cativeiro e teve contato direto com humanos desde filhote.
Visitante surpresa na cidade
Segundo Giba, tudo começou quando a lontra começou a aparecer em algumas casas de Jaraguá do Sul.
No início, a presença do animal não parecia necessariamente preocupante. Lontras são animais silvestres que podem circular por regiões próximas a rios e áreas naturais.
Mas havia algo diferente no comportamento daquele indivíduo.
“Olha só o que recebemos essa semana. Na última semana, essa lontra apareceu em algumas casas aqui em Jaraguá do Sul”, explicou o biólogo no vídeo.
Até que veio a cena curiosa.
“Olha só, acho que não é muito comum ver uma lontra jogando bola, né?”
Nas imagens, o animal interage com o objeto como se estivesse participando de uma brincadeira, algo incomum para uma lontra que viveu sempre na natureza.
Um comportamento que levanta suspeitas
Para o biólogo, o comportamento da lontra indica que ela provavelmente foi criada como animal de estimação.
“Esse comportamento indica que essa lontra foi criada como pet, em cativeiro, desde filhotinha”, explicou.
Animais silvestres que crescem em contato com humanos costumam desenvolver hábitos diferentes dos indivíduos que vivem livres na natureza.
Brincadeiras com objetos, busca por proximidade com pessoas e falta de medo são alguns dos sinais mais comuns.
“Olha, ela gosta de brincar. Isso mostra que realmente desde criança, vamos dizer assim, desde criancinha, desde bebezinho, ela está com contato com o ser humano.”
Isso também explicaria por que o animal apareceu tão à vontade perto de casas.
“Não sabemos de onde ela veio, mas provavelmente ela acabou fugindo e apareceu aí nesse lugar”, disse Giba.
O problema de um animal silvestre acostumado com humanos
Embora a cena da lontra brincando com uma bola seja curiosa e até divertida, especialistas alertam que esse tipo de situação pode ser perigosa para o próprio animal.
Quando um animal silvestre cresce em cativeiro e se acostuma com humanos, ele perde parte dos comportamentos naturais necessários para sobreviver sozinho.
Além disso, a falta de medo das pessoas pode colocá-lo em situações de risco.
“Por mais que ela estivesse em liberdade quando foi encontrada, com esse comportamento ela sempre vai procurar o ser humano”, explicou o biólogo.
Isso pode resultar em acidentes, conflitos com pessoas ou até captura ilegal.
Por esse motivo, a recomendação é que a lontra seja encaminhada para um centro de reabilitação de animais silvestres.
Ainda assim, Giba destaca que a readaptação pode ser um desafio.
“Apesar de que com esse comportamento é muito difícil realmente a reabilitação.”
Animais fascinantes e extremamente inteligentes
As lontras fazem parte da família dos mustelídeos, o mesmo grupo que inclui doninhas e texugos. Elas são conhecidas por sua inteligência, curiosidade e grande habilidade na água.
Segundo o WWF, algumas espécies de lontras passam praticamente toda a vida no ambiente aquático.
As lontras-marinhas, por exemplo, vivem perto da costa e realizam quase todas as atividades no mar, inclusive dormir, brincar, se alimentar e até dar à luz.
Mestres no uso de ferramentas
Outro comportamento fascinante desses animais é o uso de ferramentas. Lontras estão entre os poucos mamíferos capazes de utilizar objetos para obter alimento.
Elas costumam usar pedras como se fossem martelos para quebrar conchas de mexilhões, amêijoas ou ouriços-do-mar. Elas também utilizam o objeto para brincar.
Algumas também utilizam pequenas “bolsas” de pele sob as axilas para guardar alimentos ou pedras favoritas, funcionando quase como bolsos naturais.
Essa habilidade demonstra o alto nível de inteligência desses animais.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
