“Na rua, parecia tão calminho”: Cachorrinho percebe que não seria mais devolvido e então revela sua real personalidade

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em Aqueça o coração

Quem vê Tunico hoje, correndo pela casa e aprontando sem parar, mal imagina como foi o começo da sua história.

O vira-latinha foi encontrado sozinho, muito magro e fragilizado pelo marido de Aryane Andrade.

“Achamos um cachorrinho na rua… miudinho, bem magro”, contou a tutora.

Naquele primeiro contato, o comportamento do cãozinho chamou atenção. Ele tremia sem parar, ficava encolhido e praticamente não reagia.

“Ele parecia tão calmo”, relembrou Aryane.

A aparência frágil e o jeitinho quieto fizeram com que o casal decidisse acolhê-lo, sem imaginar que aquela calmaria escondia apenas uma fase.

Problemas de saúde exigiram cuidados intensivos

Logo no dia seguinte ao resgate, Tunico foi levado ao veterinário. Foi então que a situação real veio à tona.

O pequeno não tinha metade da língua, e a parte restante já apresentava necrose. Além disso, sofria com regurgitação, vômitos frequentes e sinais claros de desnutrição.

Após exames mais detalhados, veio outro diagnóstico: Tunico tem megaesôfago congênito, uma condição rara em que o esôfago perde a capacidade de levar o alimento corretamente até o estômago.

Diante do quadro, ele precisou ficar internado por 12 dias para ganhar peso, controlar infecções e estabilizar a saúde.

Mesmo nesse período delicado, um detalhe chamou atenção e acabou viralizando nas redes sociais.

O vídeo que conquistou milhões

Durante o tratamento, Tunico precisou fazer nebulização por conta de uma bronquite. E foi justamente nesse momento que ele conquistou a internet.

Calminho, ele não só aceitou o procedimento como apoiou as patinhas na máscara, como se estivesse colaborando com o tratamento.

A cena ultrapassou milhões de visualizações e encantou quem assistiu.

Era impossível não se comover com aquele cachorrinho frágil, aparentemente tranquilo e extremamente colaborativo.

Mas, como a própria tutora resumiu depois: “A gente não sabia de uma coisa… era só uma fase”.

O início da transformação

Após a alta e já em casa, Tunico começou a dar pequenos sinais de que sua personalidade verdadeira estava surgindo.

Ele ainda era tranquilo na maior parte do tempo, mas já demonstrava curiosidade. O rabinho, antes tímido, passou a balançar com mais frequência.

Com a melhora da saúde, veio também a energia.

Tunico começou a explorar a casa, brincar, roubar objetos e testar limites. O cachorro quietinho deu lugar ao “modo furacão”.

Brinquedos desapareceram, o sofá virou alvo de mordidas e até o cabelo da tutora entrou na lista de “brincadeiras”.

“Virou uma criança hiperativa”, contou Aryane.

Veja o vídeo:

O comportamento de Tunico é mais comum do que parece em cães resgatados.

Animais que passaram por situações de abandono ou sofrimento costumam apresentar, nos primeiros dias, um comportamento mais retraído. Isso acontece por medo, insegurança e até exaustão.

À medida que se sentem seguros, alimentados e acolhidos, começam a mostrar sua verdadeira personalidade. E foi exatamente isso que aconteceu com Tunico.

A regra 3-3-3 na adaptação de cães resgatados

Essa mudança de comportamento pode ser explicada por um conceito bastante conhecido entre os protetores: a regra 3-3-3.

Segundo informações da New Hope Animal Rescue, a diretriz ajuda a entender o processo de adaptação de um cão resgatado ao novo lar.

Primeiros três dias: adaptação

Nos primeiros dias, o animal ainda está confuso. Tudo é novo: ambiente, cheiros, pessoas. É comum que ele fique quieto, assustado.

Primeiras três semanas: criação de vínculo

Nesse período, o cão começa a relaxar e entender que está seguro. É quando surgem os primeiros sinais da personalidade.

Também é comum que ele comece a testar limites, explorar a casa e demonstrar mais energia.

Primeiros três meses: confiança e rotina

Com o tempo, o cachorro se adapta completamente. Ele já se sente parte da família e passa a agir com naturalidade.

É nessa fase que o comportamento se estabiliza e o tutor passa a conhecer, de fato, quem é aquele animal.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.