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"Pulinhos de alegria": Cachorrinha que não mexe as patinhas recebe uma nova chance e agradece a família todos os dias

Animais com deficiência estão entre os menos adotados no Brasil, embora muitos consigam viver bem com os cuidados certos

Por
em Aqueça o coração

Nem sempre a adoção acontece de forma planejada. Às vezes, ela vai se construindo aos poucos, em visitas, em olhares que se repetem, até virar escolha.

Foi assim com a Babalu.

A história foi compartilhada em um vídeo no Instagram de Caio Lima, que já soma quase 300 mil visualizações. Nas imagens, ela aparece andando com sua cadeirinha, dando pequenos pulinhos que chamam atenção de quem assiste. Mas por trás da cena leve, existe um caminho longo até ali.

Caio e a mãe sempre tiveram ligação com a causa animal. Em um desses momentos, enquanto ajudavam em outro caso, acabaram indo até um espaço no interior de São Paulo que também funcionava como ponto de adoção.

“E aí tinha uma área lá dos menores, né? E a gente foi visitar” afirmou Caio em entrevista ao Portal Amo Meu Pet.

A ideia não era adotar naquele momento. Mas, entre vários cães, Babalu acabou se destacando. Não porque fazia mais barulho ou chamava mais atenção, mas justamente pelo contrário.

Ela não andava com as patas de trás.

A história dela veio junto, difícil de ignorar. A cachorrinha tinha sido levada para ser sacrificada depois de sofrer uma agressão.

“Ela correu atrás de um cara de moto, o cara chutou ela e ela teve uma fratura na coluna” relembrou.

A lesão não tinha reversão. Ainda assim, eles voltaram outras vezes. Seguiram visitando o local, vendo outros animais, mas sempre esbarrando nela. Até que, em um desses dias, a decisão saiu de forma simples.

“Minha mãe falou: ‘Ah, quero pegar ela pra cuidar, vamos ver se ela doa pra mim" destacou Caio.

E foi assim que Babalu ganhou uma nova casa.

Uma nova rotina, do jeito dela

No começo, a rotina exigiu adaptação. Cuidar de um animal como Babalu é aprender no dia a dia, ajustando o que for preciso.

“Hoje em dia ela vive super bem. Ela só precisa de ajuda pra fazer xixi e cocô” relembrou Caio

Com o tempo, tudo foi se encaixando. Babalu usa fralda apenas para dormir, por precaução. No restante do dia, leva uma vida ativa dentro das suas possibilidades. E uma das mudanças que mais ajudou veio logo no início.

“Eu postei na internet e me doaram uma cadeirinha.”

É com ela que Babalu aparece no vídeo. Andando, se movimentando e dando pulinhos que dizem muito mais sobre presença do que sobre limitação.

Dentro de casa, aliás, ela faz questão de mostrar isso o tempo todo.

“Ela manda em todo mundo. Todo mundo tem medo dela” afirmou Caio dando risada.

Hoje, ela vive com outros cinco cães, a maioria também resgatada. Alguns mais velhos, outros que simplesmente apareceram e ficaram. E também escolheu sua pessoa.

“Minha mãe é a paixão dela. Onde minha mãe vai, a Babalu vai junto.”

A relação das duas virou rotina compartilhada. Com Caio, o vínculo acontece de outra forma.

“Comigo é mais lazer. Eu levo pra passear, dar uma volta” destacou.

E assim, entre adaptações, cuidados e convivência, já se passaram quase oito anos.

Animais com deficiência ainda esperam mais por um lar

Histórias como a da Babalu ainda não são as mais comuns. Animais com deficiência ou problemas de mobilidade costumam enfrentar mais dificuldade para serem adotados.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde Animal, o abandono de animais segue sendo um problema global, e no Brasil o cenário é agravado por fatores como falta de informação e custo percebido dos cuidados.

Levantamentos de ONGs e institutos como o Instituto Pet Brasil apontam que o país tem milhões de cães e gatos em situação de abandono. Dentro desse grupo, os animais com deficiência estão entre os que permanecem mais tempo em abrigos, justamente por exigirem cuidados específicos.

Já estudos sobre bem-estar animal mostram que limitações físicas não impedem qualidade de vida. Com adaptações simples e rotina adequada, muitos desses animais conseguem viver com conforto, autonomia e interação social.

Ou seja, o que muitas vezes falta não é capacidade do animal de viver bem, mas oportunidade.

Mais do que uma adoção

No caso da Babalu, essa oportunidade virou rotina, vínculo e presença.

“Mesmo assim, ela recompensa a gente sendo essa cachorrinha incrível” finalizou Caio.

No vídeo, isso aparece sem esforço.

Ela andando com a cadeirinha, dando pulinhos, ocupando espaço na casa e na vida de quem escolheu ficar.

Sem precisar provar nada.

Só vivendo, do jeito dela.

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes. 

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.