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"Não consigo sentir pena dele": Tutor da depoimento surpreendente sobre seu cão com deficiência

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em Cães

Quando Pelé chegou às mãos do protetor Fábio, em Portugal, sua história estava longe de ser fácil.

Vítima de um atropelamento, o cão carregava no corpo e no comportamento as marcas de tudo o que havia enfrentado. Mas ele também carregava algo que ninguém conseguiu tirar: a vontade de viver.

Hoje, pouco mais de um ano depois, a trajetória do cachorro resgatado tem emocionado milhares de pessoas, pela forma como ele aprendeu a ser feliz, apesar da dor.

Um começo difícil

Pelé foi resgatado em janeiro de 2025 pelo protetor Fábio, responsável pelo projeto “Olha-me aquele cão”. O estado do animal exigia cuidados intensos.

Ele havia sido atropelado e apresentava uma série de complicações: feridas abertas, infecções, um dedo fraturado e, principalmente, perda de sensibilidade em parte do corpo. A situação era delicada.

Em maio, Fábio descreveu o momento vivido pelo cão como uma prova de resistência:

“Feridas, infeções, perda da sensibilidade, dedo partido, ansiedade… a vida está a meter o Pelé à prova. Contudo, o desejo dele em viver feliz está a dar luta e por isso não vamos desistir.” E não desistiram.

Meses de tratamento e recomeço

Desde o resgate, Pelé passou por uma rotina intensa de recuperação. Internações, medicações, fisioterapia e acompanhamento constante fizeram parte do processo.

Além das limitações físicas, havia também desafios emocionais.

“Durante meses teve que usar o cone para não se morder. Ansiedade, dor, alergias, falta de exercício, faziam o nosso Pelé não sair de um ciclo vicioso”, contou Fábio.

Aos poucos, com o tratamento adequado e uma rotina mais estimulante, o comportamento começou a mudar.

“Foi medicado, começou a ter uma vida mais ativa, com mais cheiros e estímulos. E assim começou a estar em paz.”

“Não sinto pena dele”

Apesar de tudo o que passou, o que mais chama atenção na história de Pelé não é a tragédia, mas sim, a forma como ele vive hoje.

Recentemente, Fábio fez um desabafo que surpreendeu quem acompanha o caso. Segundo ele, há uma frase que se repete sempre que Pelé aparece em público:

“Ai coitadinho”, “oh pobrezinho”, “tenho tanta pena dele”.

Mas, para quem convive com o cão todos os dias, essa não é a melhor forma de enxergá-lo.

“Talvez por conhecer o Pelé, a sua força, vontade de viver e felicidade, não consigo sentir pena dele. Para mim, ele é tal e qual outro cão, apenas tem uma condição no seu andar.”

A fala reforça uma mudança importante de perspectiva: enxergar animais com deficiência não pela limitação, mas pela capacidade de adaptação e alegria.

Uma rotina diferente, mas cheia de vida

Cuidar de Pelé exige dedicação. Fábio não esconde isso.

“Dá mais trabalho que o outro patudo? Sim. Tenho que fazer-lhe pensos diários para ele não ferir as patas no chão, tenho que limpar xixis e cocôs por onde ele anda e lavar constantemente mantas e camas.”

Mesmo assim, o protetor deixa claro que isso está longe de ser um problema. “Ele chega e vai onde quer.”

A rotina pode ser mais intensa, mas não impede que o cachorro tenha qualidade de vida. Pelo contrário: com os cuidados certos, Pelé vive de forma ativa e participativa.

A emoção de voltar a “correr”

Um dos momentos mais marcantes dessa jornada aconteceu quando Pelé ganhou uma cadeira de rodas, em novembro do ano passado.

Até então, outras tentativas não haviam funcionado. Mas, dessa vez, foi diferente.

“Não consigo colocar em palavras o que senti ao ver o Pelé a ser feliz desta forma.”

Segundo Fábio, o cão se adaptou instantaneamente: “No primeiro segundo arrancou como se fosse um piloto de F1.”

Ao compartilhar a história de Pelé, Fábio também deixou um recado direto para quem ainda enxerga esses animais com pena ou dúvida:

“Em nome do Pelé, peço-te que quando encontrares um cão com condições especiais que a eutanásia não seja o plano A, B ou C. Deixa-o ser feliz.”

A fala resume o principal aprendizado dessa trajetória: cães com deficiência não são definidos pelo que perderam, mas pelo que ainda podem viver.

Cães com paralisia podem viver bem?

De acordo com a The Spruce Pets, muitos cães com paralisia ou mobilidade reduzida conseguem viver de forma confortável quando recebem os cuidados adequados.

A paralisia pode ter diferentes causas, como lesões na coluna, doenças neurológicas ou traumas, como no caso de atropelamentos. Em alguns casos, a recuperação total não acontece, mas isso não impede o animal de ter qualidade de vida.

Cuidados essenciais com cães paralisados

O manejo de um cão com deficiência envolve alguns cuidados específicos, que fazem toda a diferença no bem-estar do animal.

  • Higiene e cuidados com a pele

Cães com mobilidade reduzida podem ter dificuldade para controlar urina e fezes. Por isso, manter a pele limpa e seca é fundamental para evitar infecções e irritações. Trocas frequentes de tapetes, limpeza da pelagem e atenção a possíveis feridas são essenciais.

  • Prevenção de feridas

Animais que passam muito tempo deitados podem desenvolver úlceras de pressão. O ideal é garantir superfícies macias, mudar o cão de posição regularmente e estimular movimentos sempre que possível.

  • Mobilidade assistida

Cadeiras de rodas, como a de Pelé, são grandes aliadas. Elas permitem que o cão se movimente, explore o ambiente e mantenha uma rotina mais ativa. Além disso, tipoias e suportes podem ajudar em deslocamentos curtos.

  • Fisioterapia

Segundo especialistas, a fisioterapia é uma parte importante do tratamento. Mesmo quando não há recuperação total, ela ajuda a manter a musculatura ativa, reduzir rigidez e melhorar o conforto.

  • Estímulo mental e emocional

Assim como qualquer outro cão, animais com deficiência precisam de estímulos. Brincadeiras, passeios adaptados e interação com os tutores são fundamentais para evitar tédio e ansiedade.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.