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“Eles ficaram 7 dias esperando”: Mesmo devastados pela pior dor do mundo, trio de cães emociona por não se separar

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em Cães

Por uma semana inteira, três cães permaneceram deitados em frente a uma academia em Peruíbe, no litoral de São Paulo.

Era como se eles estivessem esperando por alguém. No entanto, esse alguém nunca mais voltaria.

A história de Benício, Carlota e Matilde chegou até a protetora de animais Bia Sanchez, responsável pelo projeto Entre Patas. Ao atender o chamado, ela encontrou os três cães juntos.

Segundo relato compartilhado nas redes sociais no dia 23 de março, os três cães já eram conhecidos na região.

“Eles já rodavam pela cidade há mais de um ano, mas eles sempre tinham pra onde voltar, até o dia em que eles não tinham mais”, contou Bia.

A explicação para a espera dolorosa era ainda mais triste. A tutora deles havia falecido.

De repente, aqueles três companheiros inseparáveis ficaram sem um lar para voltar. Mas eles nunca se abandonaram.

“Por uma semana, o Benício, a Carlota e a Matilde ficaram parados na frente de uma academia, como se estivessem esperando alguma coisa acontecer. Mas ninguém veio”, disse a protetora.

Unidos até o fim

Se havia algo que chamava atenção naquele trio, era o vínculo entre eles. Em meio à dor e à incerteza, os três permaneceram juntos o tempo todo.

“Três vidas que só têm uma coisa em comum: eles nunca se abandonaram”, destacou Bia.

Cada um com sua personalidade, eles formavam um equilíbrio perfeito:

Benício era descrito como extremamente amoroso, daqueles que gostam de ficar colados o tempo todo.

Matilde, mais sensível e um pouco assustada, só precisava de um pouquinho de confiança para revelar o lado carinhoso.

Carlota, a mais velha, tinha seu “jeitinho rabugento”, mas também carregava muito amor para dar.

Resgatar os três era apenas o primeiro desafio. O maior viria depois.

“Eles são um trio, e a gente sabe que não é fácil adotar os três juntos”, explicou Bia na época. Ainda assim, o maior desejo era que eles pudessem continuar lado a lado, debaixo do mesmo teto.

O lar temporário

Antes de qualquer adoção, os cães foram encaminhados para um lar temporário.

Foi assim que Juliana entrou na história. Ela abriu as portas de casa para acolher o trio, oferecendo segurança, rotina e carinho. E, pouco a pouco, a mudança começou a acontecer.

“A tristeza foi sumindo. O carinho foi se tornando abrigo. E o lar foi se tornando família”, relatou Bia em um novo vídeo, publicado no dia 6 de abril.

Juliana não apenas acolheu, mas se apaixonou pelos cães.

Final feliz

Poucos dias depois, veio a notícia que todos esperavam.

“Nosso trio está oficialmente adotado, juntos! Parabéns Benício, Carlota e Matilde: vocês conseguiram”, comemorou a protetora.

A decisão de mantê-los unidos tornou o desfecho ainda mais especial. Depois de tudo o que enfrentaram, eles não precisaram se separar.

A importância do lar temporário

O lar temporário tem um papel essencial na proteção animal. Segundo a organização Four Paws, o acolhimento provisório traz benefícios significativos para todos os envolvidos.

Para os abrigos

Cada animal que vai para um lar temporário libera espaço em abrigos, permitindo que mais animais sejam resgatados. Em alguns lugares do mundo, isso pode significar literalmente salvar vidas, já que a superlotação pode levar à eutanásia.

Para o animal acolhido

Muitos cães e gatos sofrem com o estresse dos abrigos. Barulhos, cheiros e a convivência com muitos outros animais podem ser assustadores, especialmente para os mais sensíveis, idosos ou que já passaram por traumas.

Além disso, no ambiente de um lar temporário, eles têm a chance de recuperar a confiança em humanos, aprender ou reaprender comportamentos básicos, se adaptar à rotina de uma casa e receber atenção individualizada.

Esse processo é essencial para aumentar as chances de adoção, já que um animal mais seguro e sociável tende a conquistar uma família com mais facilidade.

Para quem acolhe

Ser lar temporário também transforma a vida de quem ajuda. Além da satisfação de participar diretamente da recuperação de um animal, o cuidador contribui para prepará-lo para o futuro.

Outro ponto importante é que, na maioria dos casos, ONGs e grupos de resgate oferecem suporte, cobrindo despesas veterinárias e, às vezes, alimentação.

E, como aconteceu com Juliana, há sempre a possibilidade de um “fracasso” no lar temporário, quando o tutor se apaixona e decide adotar definitivamente.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.