Sem olhinhos e sem uma patinha, cão invade escola em busca de ajuda e duas alunas 'anjos' decidem mudar sua vida
Por Larissa Soares em CãesNo dia 10 de abril, duas estudantes de Palmas, no Tocantins, foram surpreendidas quando um cachorro em estado crítico entrou na escola.
O cão, que mais tarde recebeu o nome de Atlas, chegou até a sala de aula com muitas marcas que denunciavam um passado de abandono e violência.
Ele não tinha uma das patas dianteiras, estava cego, tinha as orelhas cortadas e ainda apresentava outros sinais de sofrimento, como cicatrizes pelo corpo e episódios de tosse com sangue.
Diante da cena, as alunas ficaram abaladas, mas não hesitaram. Elas retiraram o animal da escola e o levaram para a casa de uma delas, onde ele pudesse, ao menos, ficar em segurança.
“Hoje, no período da tarde, um cachorro apareceu na escola em uma situação muito triste”, relataram. “Eu e uma colega ficamos muito abaladas ao ver aquilo e conseguimos levá-lo para a casa dela.”
“Ajuda o Atlas”
Sem recursos para arcar com todos os cuidados necessários, as meninas criaram um perfil nas redes sociais chamado “Ajuda o Atlas”, com o objetivo de divulgar a situação e buscar apoio.
A ideia era alcançar o maior número possível de pessoas que pudessem contribuir com ração, atendimento veterinário, medicamentos ou até mesmo um lar definitivo.
“Estamos tentando cuidar dele, mas no momento não temos recursos suficientes.”
Além da mobilização, elas também fizeram questão de reforçar que toda ajuda seria destinada exclusivamente ao cachorro.
“Antes que pensem que é pra consumo meu e da minha amiga, é puramente pro cachorro. Ele depende da gente pra sobreviver e tá na hora dele começar a viver uma vida digna.”
Um cão doce, apesar de tudo
Mesmo com todo o sofrimento enfrentado, Atlas demonstrou desde o início um comportamento que surpreendeu as jovens.
Durante o trajeto até a casa, ele tremia bastante, possivelmente por medo ou dor, mas em nenhum momento tentou reagir de forma agressiva. “Ele é quietinho na dele.”
Com o passar dos dias, elas foram conhecendo melhor a personalidade do cão, que se mostrou ainda mais especial.
“Ele é um cachorro tão doce, ele é amoroso. Ele é muito engraçado também, às vezes faz gracinha.”
A força de Atlas também chamou atenção. Mesmo sem enxergar e com apenas três patas, ele conseguiu sobreviver sozinho até encontrar ajuda. “Ele é muito forte”, disseram.
Desafios e próximos passos
Entre as prioridades das meninas está garantir atendimento veterinário completo para Atlas, incluindo vacinação e acompanhamento clínico.
Além disso, elas já pensam no futuro do cão, incluindo a possibilidade de uma prótese.
A preocupação das estudantes é que a ausência de um membro possa, ao longo do tempo, causar sobrecarga na coluna e nas outras patas.
Outro desafio é encontrar um lar definitivo. Segundo elas, muitas pessoas ainda têm receio de adotar animais com necessidades especiais.
“Tá sendo difícil conseguir um lar pra ele… ninguém quer ajudar dando um lar pra um cachorro que precisa de tantos cuidados especiais.”
Ainda assim, elas seguem tentando, na esperança de que alguém enxergue em Atlas o mesmo que elas enxergaram.
Cães tripé: adaptação e qualidade de vida
Apesar das preocupações iniciais, a realidade de animais com três patas costuma ser mais positiva do que muitos imaginam.
De acordo com informações da Clínica Veterinária Belton, cães que passam por amputação, ou que já vivem sem um membro, tendem a se adaptar muito bem à nova condição.
Diferente dos humanos, eles não carregam um peso emocional significativo relacionado à perda. Com os cuidados adequados, esses animais podem viver vidas longas, saudáveis e felizes.
Na maioria dos casos, não há necessidade de cuidados complexos a longo prazo. Após o período de recuperação inicial, eles conseguem retomar atividades como caminhadas e brincadeiras, com algumas adaptações.
Segundo a clínica, os principais cuidados com cães tripé são:
- Controle de peso: essencial para evitar sobrecarga nas outras patas
- Ambiente seguro: evitar pisos escorregadios e locais que possam gerar quedas
- Adaptações simples: como tigelas elevadas e superfícies antiderrapantes
Além de, claro, acompanhamento veterinário para monitorar possíveis impactos na mobilidade.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
