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“Ele ainda tem esperança e vem na grade pedir carinho”: Protetora implora para que cão idoso não passe últimos dias em abrigo

Idosinho chamado Ralf emociona ao mostrar que, mesmo após anos de espera, ainda acredita no amor

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em Cães

O vídeo publicado publicado no dia 17 de abril, no Instagram da protetora de animais de Florianopolis Júlia Opuski, começa com um pedido simples, mas carregado de urgência. Na tela, a mensagem chama atenção para um cão idoso, cansado pelo peso dos anos, que só precisa de uma chance. Um lar. Um recomeço. Alguém que olhe para ele e veja além do tempo que passou.

Ralf, como foi identificado depois, é um desses cães que parecem carregar no olhar tudo o que já viveram. Mesmo assim, há algo que resiste. A vontade de amar. E isso aparece no gesto mais simples e mais comovente de todos. Ele vai até a grade. Ele pede carinho.

Não há exigência, não há medo. Só um pedido silencioso de afeto.

A legenda do vídeo reforça o apelo. Ele não merece passar o restinho da vida sem conhecer o amor de uma família. E quem assiste entende rápido que não é exagero. É um pedido real, urgente, quase um último chamado.

Lar Temporário

Por sorte depois do apelo a história de vovô começa a ganhar outro rumo.

Recentemente, ele foi acolhido em um temporário pela protetora Luanna Machado, que há anos se dedica a ajudar animais em situação de vulnerabilidade, especialmente cães idosos. Em relato, ela conta que o vovô chegou recentemente e que sua história é marcada por sofrimento desde o resgate, ainda em 2022.

Agora, pela primeira vez em muito tempo, Ralf tem algo diferente. Um espaço tranquilo, um banho, comida, um quintal para explorar, ainda que com limitações, e principalmente um lugar quentinho para descansar.

“O vovô agora está bem, se chama Ralf. Tomou banho, comeu, passeou no quintal com todas suas limitações e agora dorme quentinho, na paz, sabendo que terá um restinho de dignidade no finalzinho da vida”, relatou.

E mesmo com o corpo já cansado, ele continua sendo descrito como um cachorro carinhoso. Daqueles que não perderam a essência, mesmo depois de tudo.

O que é a DIBEA e qual seu papel

A Diretoria de Bem-Estar Animal, conhecida como DIBEA, é um órgão público municipal responsável por acolher, tratar e encaminhar animais em situação de abandono, maus-tratos ou vulnerabilidade. Em cidades como Florianópolis, ela atua como uma espécie de suporte emergencial, recebendo casos que muitas vezes não têm para onde ir.

Na prática, a DIBEA funciona como uma casa de passagem. Os animais resgatados recebem atendimento básico, alimentação e cuidados necessários até que possam ser encaminhados para adoção ou, quando possível, para lares temporários que ajudam a desafogar a estrutura.

No entanto, como acontece em muitos serviços públicos, a demanda costuma ser muito maior do que a capacidade. Com dezenas ou até centenas de animais sob responsabilidade, o trabalho depende não apenas da estrutura disponível, mas também da colaboração da sociedade, seja por meio de adoções, lares temporários ou apoio à causa.

É nesse cenário que histórias como a de Ralf ganham ainda mais importância. Porque mostram que, por trás dos números, existem vidas esperando por uma chance.

Por que cães idosos quase nunca são escolhidos

A história de Ralf também escancara uma realidade silenciosa. Cães idosos são os que mais enfrentam dificuldades para encontrar um lar. Em abrigos e resgates, eles costumam ser os últimos a serem adotados. Muitas vezes, acabam passando anos esperando por uma oportunidade que nem sempre chega.

Parte disso está ligada a preconceitos comuns. Muitas pessoas acreditam que cães mais velhos não se adaptam, que não criam vínculo ou que só trarão gastos e preocupações. Mas estudos na área de comportamento animal mostram o contrário. Cães idosos tendem a ser mais tranquilos, já têm a personalidade formada e frequentemente desenvolvem vínculos profundos com seus tutores em pouco tempo.

Além disso, especialistas em bem-estar animal apontam que, justamente por terem vivido situações difíceis, muitos desses animais demonstram níveis elevados de apego e gratidão quando finalmente encontram um ambiente seguro.

Ainda assim, a idade pesa contra eles. E o tempo, que poderia ser vivido com conforto e carinho, acaba sendo gasto entre grades e despedidas silenciosas.

Ralf, no entanto, segue esperando. Mas agora, com um pouco mais de esperança.

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes. 

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.