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“Não foi um resgate, foi um presente”: Há 3 anos, cadela escolhia um portão e mudava uma família para sempre

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em Proteção Animal

Em 21 de abril, a cadela Hope completou três anos desde que apareceu na porta da casa do médico-veterinário Matheus Dejavite e mudou completamente a rotina da família.

O pedido de ajuda

Segundo o tutor, a história começou alguns dias antes do resgate. A cachorrinha havia sido vista circulando pela rua de uma chácara, onde a filha da família chegou a oferecer comida.

Depois disso, ela desapareceu por cerca de dez dias. Até que retornou, desta vez parando em frente ao portão da casa.

“Como um pedido de ajuda, ali ela ficou”, contou Matheus nas redes sociais.

Sem pensar duas vezes, a família acolheu a cadela e a levou para atendimento veterinário.

O estado de saúde era preocupante. Hope estava muito magra, com infecções e infestação por miíase (conhecida popularmente como bicheira) na pata e também na região dos olhos.

Além disso, demonstrava muito medo, evitando contato e reagindo com insegurança a qualquer aproximação.

Recuperação e confiança

O processo de recuperação envolveu tanto cuidados médicos quanto paciência para reconstruir a confiança da cadela. Aos poucos, o quadro clínico foi estabilizado, e Hope começou a responder ao tratamento.

Durante os exames, surgiu o diagnóstico de ceratoconjuntivite seca, uma condição ocular que exige acompanhamento contínuo. A partir daí, a rotina passou a incluir cuidados específicos com os olhos.

Mesmo com as limitações, Hope evoluiu em poucas semanas. O pelo voltou a crescer, o comportamento mudou e ela começou a se integrar à rotina da casa.

“Em algumas semanas já estava dormindo na cama, de roupinha”, relatou o tutor.

Com o tempo, Hope deixou de ser apenas uma paciente em recuperação e passou a ocupar um espaço definitivo na família.

“No início era só uma ajuda, depois virou uma paixão”, escreveu Matheus ao relembrar a trajetória.

Hoje, a cadela acompanha os tutores em viagens e passeios, incluindo idas à praia, mostrando uma adaptação completa à nova vida.

Nos comentários, muitos ficaram encantados com a transformação:

“Tão bom saber que existem pessoas boas ainda”, escreveu uma pessoa.
“Paciência, perseverança e muito amor cura tudo. Ela é muito linda”, disse outra.
“Eu amooooo essas histórias! Que anjos como vocês cruzem o caminho de outras Hope”, escreveu uma terceira.

O que é a ceratoconjuntivite seca?

A condição diagnosticada em Hope é conhecida como ceratoconjuntivite seca (CCS), ou síndrome do olho seco, e é relativamente comum em cães.

De acordo com o VCA Animal Hospitals, trata-se de uma inflamação da córnea e dos tecidos ao redor dos olhos causada pela produção insuficiente de lágrimas.

As lágrimas desempenham um papel essencial na saúde ocular, pois lubrificam a superfície dos olhos e ajudam a remover partículas, microrganismos e outros agentes que possam causar irritação ou infecção.

Quando essa produção é reduzida, o olho fica mais exposto a danos.

Causas

Entre as causas mais frequentes estão doenças imunomediadas, nas quais o próprio organismo ataca as glândulas responsáveis pela produção lacrimal.

Outras possíveis origens incluem infecções, uso de determinados medicamentos, alterações hormonais e lesões neurológicas.

Sintomas e impactos na visão

Os sinais clínicos da ceratoconjuntivite seca costumam ser perceptíveis:

  • Olhos vermelhos, irritados e doloridos
  • Secreção espessa
  • Dificuldade para manter os olhos abertos
  • Em muitos casos, há também piscar excessivo e sensibilidade à luz.

Com o avanço da condição, podem surgir alterações mais significativas, como cicatrizes na córnea e hiperpigmentação, que deixam o olho com aparência opaca.

Esses fatores podem comprometer a visão de forma parcial ou permanente.

No caso de Hope, o problema acabou afetando sua capacidade visual, mas não a impediu de levar uma vida ativa.

Com acompanhamento adequado, muitos cães conseguem manter qualidade de vida mesmo com limitações.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.