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“Escolha quem mais precisa”: Cãozinho invisível ganha uma chance após pedido emocionante feito a abrigo

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em Aqueça o coração

Uma adotante decidiu não escolher pela aparência e pediu ao abrigo que indicasse o cão que mais precisava de um lar. A decisão mudou o destino de Rafaelito, um cachorro que passou anos sem ser notado enquanto aguardava uma chance.

O caso foi compartilhado pelo abrigo Adote Gavaa, que acompanhou todo o processo até a adoção.

Rafaelito vivia no local há cerca de quatro anos. Antes disso, havia sido resgatado em condições difíceis, dentro de uma caixa de transporte, com histórico de muito sofrimento.

Ele também ficou com sequelas após contrair cinomose, o que afetou sua locomoção.

No abrigo, era um daqueles cães que acabam ficando para trás. Tímido, desconfiado e com limitações físicas, dificilmente despertava interesse de possíveis adotantes.

Nova chance para Rafaelito

Foi então que uma mulher que já havia adotado com a ONG entrou em contato com um pedido muito especial:

“Eu quero que você escolha para mim um cãozinho que precise muito.”

A resposta surgiu instantaneamente na cabeça da responsável pelo abrigo:

“De cara o Rafaelito já me veio à mente. Eu tinha um carinho e uma conexão muito especial com ele. Ficava muito triste dele ainda não ter sido escolhido.”

Mesmo com a decisão tomada, o processo não seria simples. No dia da adoção, ao tentar se aproximar para levá-lo, o cachorro reagiu com medo. Rosnou, mostrou os dentes e evitou contato.

“Demorei quase uma hora para conseguir uma aproximação”, contou.

O comportamento não surpreendeu. Animais que passam muito tempo em abrigos tendem a enxergar aquele espaço como seu único lugar seguro. Qualquer mudança pode gerar medo e resistência.

Durante essa tentativa de aproximação, a equipe entrou em contato com a adotante para explicar a situação. Foi reforçado que Rafaelito poderia precisar de mais tempo para se adaptar, por conta do histórico e do comportamento.

Felizmente, a informação não fez a adotante mudar de ideia: “Traga o Rafaelito, a gente vai fazer dar certo no tempo dele.”

Casa nova

Ao chegar na nova casa, o cão continuou desconfiado. Depois de anos vivendo no abrigo, tudo era novo. Cheiros, sons, rotina. Ele não entendia o que estava acontecendo.

A adaptação exigiu paciência. Segundo o abrigo, esse tipo de situação é mais comum do que parece, principalmente com animais resgatados.

“Um animal resgatado carrega suas dores e cicatrizes, mas também uma vontade imensa de se entregar para amar de novo”, disse a representante do abrigo.

Com o tempo, Rafaelito começou a mostrar mudanças. Aos poucos, foi relaxando, observando o ambiente e criando vínculos. Na nova casa, ganhou até um novo nome. Agora é chamado de Costelinha.

A adoção também chamou atenção por outro motivo. A escolha consciente de não priorizar aparência ou características consideradas “mais fáceis”.

Na legenda da publicação, o abrigo destacou a importância desse tipo de atitude.

“Mais um cãozinho invisível foi escolhido e hoje já é um cãozinho muito amado e com um lar incrível.”

A adotante, que já tinha histórico com a ONG, foi lembrada como alguém que sempre apoiou o trabalho de resgate e decidiu, mais uma vez, fazer a diferença.

Nos comentários, a história gerou reações emocionadas.

“Caiu um cisco no meu olho. Que história de amor mais linda. Coração fica quentinho”, escreveu uma pessoa.
“Que emoção. Que pessoas maravilhosas que o escolheram!”, disse outra.

O período de adaptação

Segundo o Centro de Bem-Estar Animal SPCA Albrecht, existe um período importante de adaptação, que pode variar bastante de um animal para outro.

Uma das orientações mais conhecidas nesse processo é a chamada regra 3-3-3, utilizada por especialistas em comportamento animal para ajudar tutores a entenderem as fases iniciais da adoção.

Primeiros 3 dias

Nos primeiros três dias, o foco é a descompressão. O animal pode apresentar medo, insegurança e até recusar comida. Isso acontece porque ele está em um ambiente totalmente novo.

O ideal nesse momento é oferecer um espaço tranquilo, com cama, água e alimento, evitando estímulos excessivos. O contato deve acontecer no tempo do próprio animal, sem forçar aproximação.

Primeiras 3 semanas

Nas primeiras três semanas, o cão começa a entender a rotina da casa. É comum que comportamentos apareçam nessa fase, como latidos, mastigação de objetos ou resistência a comandos.

Estabelecer horários para alimentação, passeios e descanso ajuda a criar previsibilidade, o que aumenta a sensação de segurança.

Primeiros 3 meses

Já nos primeiros três meses, a tendência é que o animal esteja mais confortável. Nesse período, vínculos mais fortes começam a se formar e a personalidade aparece com mais clareza.

Atividades como brincadeiras, passeios e até treinamentos simples ajudam a fortalecer a relação entre tutor e animal.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.