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Cadela que venceu grave problema encontra felicidade com irmãozinho, mas aparência gera comentários cruéis

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em Cães

Uma cachorrinha que já enfrentou uma história marcada por dor acabou sendo alvo de piadas maldosas por causa da aparência.

Marielle, adotada por Tay Torres, recebeu comentários maldosos nas redes sociais depois que apareceu ao lado do novo irmãozinho, um cão com deficiência.

Na cena compartilhada por Tay, o cãozinho, que não tem o movimento das patas traseiras, aparece animado, pulando e latindo ao redor da cama. Enquanto isso, Marielle parecia querer fugir do ‘furacão’, observando com menos entusiasmo.

“Marielle amou ganhar mais um irmão. Não, ela não tem paciência com iniciantes e nem deveria né? Me disse que foi adotada pra ser filha única e eu destruí os sonhos dela. Adolescência é foda”, brincou a tutora na legenda.

Apesar do tom leve, a publicação abriu espaço para diferentes reações. Muitos seguidores elogiaram a dedicação da tutora em acolher animais com necessidades especiais.

“Muito legal a sua disposição em cuidar deles!”, escreveu uma pessoa.

Outros, no entanto, focaram na aparência de Marielle, fazendo comentários negativos sobre o rosto da cadela.

A crítica não passou despercebida por quem acompanhava a história. Uma internauta saiu em defesa da cachorrinha e da tutora.

“Não consigo achar graça nestas piadinhas de mau gosto contra os animais que são visivelmente vítimas de maus tratos e acharam alguém sem preconceito e cheio de amor para cuidar. Meus parabéns a pessoa que acolheu com tanto carinho esses bichinhos.”

História de Marielle

Por trás da aparência de Marielle existe uma história longa e delicada. A cadela foi vítima de maus-tratos ainda filhote.

“A Marielle foi queimada quando ela era filhotinha. Jogaram alguma coisa fervendo nela. A gente não vai saber se é óleo ou se é água. Eu acredito que seja óleo, pelo estrago que fez.”

Na época, ela tinha cerca de três meses e ainda estava em fase de crescimento. A recuperação aconteceu, mas deixou marcas profundas.

A pele da região afetada ficou extremamente sensível e não conseguiu acompanhar o desenvolvimento do corpo da cadela.

Com o tempo, isso gerou uma alteração permanente no focinho. Tay explica que existe uma abertura na região do nariz, consequência da dificuldade de regeneração da pele.

“Ela foi crescendo e essa pele não conseguiu acompanhar. E ela foi crescendo, crescendo, crescendo. A pele vai rompendo, porque não consegue se regenerar como o resto do corpo.”

A tutora chegou a buscar alternativas para melhorar a condição, pensando principalmente na saúde da cadela. A ideia era fechar a abertura para evitar riscos de infecção. No entanto, o resultado não foi o esperado.

“Quando a gente começou a fechar aquele buraco, a Marielle começou a ter muita dificuldade respiratória. Porque desde filhote ela aprendeu a respirar desse jeito.”

Diante disso, a decisão foi interromper o procedimento. “A gente decidiu que não ia piorar a situação dela. Com o buraco, ela respira normalmente.”

Hoje, Marielle leva uma vida considerada tranquila, apesar de alguns cuidados extras. Em determinados momentos, ela precisa de tratamento para questões respiratórias, mas no dia a dia se comporta como qualquer outro cão.

“Vou buscar a minha cachorra”

A chegada dela à família também tem uma história marcante. Tay conta que não foi responsável pelo resgate inicial.

Marielle foi acolhida pela ONG Casa dos Anjos, em Macaé, no Rio de Janeiro, que atua com casos graves de abandono e maus-tratos.

Foi por meio de um vídeo que Tay teve o primeiro contato com a cadela.

“Eu sempre digo que eu não conheço os meus cães, eu reconheço eles. Quando eu vi o vídeo da Marielle, eu falei, essa cachorra é nossa.”

Determinada, ela foi até Macaé para conhecê-la. O encontro confirmou o que já sentia.

“Conhecer não, vou buscar a minha cachorra”, relembra.

Antes da adoção, porém, Tay recebeu um alerta importante. Marielle já havia sido adotada anteriormente e devolvida no dia seguinte. O motivo foi o cheiro causado pela condição no nariz.

A resposta de Tay foi instantânea: “Eu falei, não. A gente não vai ter esse problema. Nunca”. E assim, Marielle ganhou um novo lar.

Adaptação com outros cães

A adaptação foi mais simples do que muitos imaginariam. Apesar de comentários sugerindo que ela estaria incomodada com a chegada do novo irmão, Tay esclarece que Marielle nunca foi filha única.

“Quando ela chegou aqui, ela já tinha muitos irmãos. Eu tenho outros animais deficientes, idosos. Ela nunca foi filha única.”

Segundo a tutora, a convivência com outros cães sempre fez parte da rotina da cadela, inclusive desde a época em que vivia no abrigo.

Ela também reforça que o comportamento mais “ranzinza” faz parte da personalidade de Marielle.

“Ela arruma umas confusões de vez em quando, mas foi uma adaptação fácil. Ela é bem tranquila.”

Diante dos comentários negativos, Tay decidiu se posicionar de forma direta. Sem tentar controlar o que as pessoas dizem, ela deixou claro que também responderia.

“Pode falar. Agora sustenta, porque eu vou responder.”

Acompanhe a Marielle no Instagram da Tay clicando aqui.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.