Cãolistenia: cão dá aula de esperteza ao cruzar rio gelado apenas sobre as patas dianteiras para não se molhar

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O monitor ambiental Walfredo Bahia registrou uma cena que surpreendeu turistas durante uma expedição no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, o PETAR, em Iporanga, São Paulo.

Um cachorro conhecido como Bolinha encontrou uma solução anatômica pouco comum para lidar com as baixas temperaturas da água ao atravessar o rio que corta a Caverna Alambari.

O animal atravessou o trecho inundado equilibrando-se apenas sobre as patas dianteiras, mantendo a parte traseira do corpo elevada para evitar o contato com a correnteza gelada.

A manobra do cão atraiu a atenção dos visitantes que acompanhavam o passeio monitorado. O comportamento demonstra a capacidade de adaptação biológica dos caninos em situações de desconforto térmico ou desafios físicos.

Ao erguer as patas traseiras, Bolinha reduziu a área de contato com a água, preservando a temperatura corporal em uma região sensível.

O episódio ocorreu em uma das áreas mais visitadas do parque, conhecido por seu complexo de cavernas e rios subterrâneos que mantêm temperaturas constantes e frequentemente frias durante o ano todo.

Cães possuem uma plasticidade motora elevada. Essa característica permite que o sistema nervoso central reorganize os movimentos e o equilíbrio com base nas necessidades imediatas ou limitações físicas.

Embora a maioria dos cães utilize o sistema quadrúpede de forma instintiva, a força muscular no tronco e nos membros anteriores pode ser desenvolvida para sustentar o peso total do corpo em situações específicas, como a observada na Caverna Alambari.

Essa habilidade de locomoção alternativa não é exclusiva de situações de lazer ou sobrevivência momentânea.

O vídeo publicado no dia 24 de abril pelo Instagram @ipotur_agencia tem 2 milhões de visualizações, 182 mil curtidas e 1.963 comentários.

“Visitei o parque e esse doguinho nos acompanhou na caverna. É realmente muito engraçado”.
“Gente é muito engraçado, nunca tinha visto igual eles são inteligentes e muito fofos”.
“O cachorro treinando calistenia na caverna”.
“Cachorro não fala pra não ter que trabalhar”.

Comentaram alguns internautas.

Confira o vídeo abaixo:

O melhor de tudo é saber pelos comentários que ele faz esse passeio com frequência e até hoje não se acostumou com a água fria. No entanto, o outro cão que aparece junto com os visitantes não se importou em molhar as quatro patas.

Atualmente, animais com limitações físicas permanentes também demonstram essa competência técnica.

Um exemplo de destaque é o cão sem raça definida chamado Super Noopy.

Diferente de Bolinha, que utilizou a técnica por conveniência térmica, Noopy nasceu com uma má-formação nas patas traseiras e aprendeu a se deslocar utilizando exclusivamente a força dos membros frontais.

A tutora de Noopy, Pollyana Mayer, compartilha a rotina do animal que se tornou embaixador do projeto Cão de Rodinhas. A iniciativa trabalha na conscientização sobre a inclusão de animais com deficiência e incentiva a adoção de pets que possuem condições físicas especiais.

No caso de Noopy, a transição para a marcha sobre duas patas ocorreu de forma espontânea, sem intervenção humana direta, o que reforça a tese da adaptação motora autônoma dos caninos.

Veja a forma como o cão se adaptou:

Em entrevista à revista Vida de Bicho, a veterinária Thessa Petersen, especialista em reabilitação animal, acompanha o caso de Noopy e esclareceu os aspectos clínicos dessa condição.

Segundo a profissional, a má-formação pode ter origem genética ou decorrer de doenças virais transmitidas durante a gestação.

A análise médica indica que o animal desenvolveu uma musculatura abdominal e superior significativamente densa, o que garante o equilíbrio necessário para a locomoção sem o auxílio de próteses ou cadeiras de rodas.

A estrutura física do animal se adaptou para suportar a sobrecarga nos membros anteriores de maneira saudável.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.