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“Não avisaram que iriam crescer”: Irmãs adotadas juntas são devolvidas meses depois e ONG desabafa

Após adoção conjunta, Sol e Lua são devolvidas já adultas e caso reacende debate sobre responsabilidade ao adotar

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em Cães

As imagens começam com duas filhotinhas pequenas, frágeis, daquelas que cabem no colo com facilidade e despertam sorrisos quase instantâneos. Sol e Lua aparecem juntas, ainda bebês, no dia em que conseguiram o que toda ONG espera para seus resgatados: um lar.

O vídeo avança. As mesmas duas irmãs surgem maiores, mais fortes, com aparência de cães já desenvolvidos. É nesse contraste que a história ganha outro peso. Meses depois da adoção conjunta, elas foram devolvidas.

O caso foi compartilhado em um vídeo publicado no Instagram do Instituto Eliseu, uma organização de proteção animal, que não escondeu a indignação. Logo no início do relato, o desabafo é direto. Sol e Lua foram devolvidas. E o motivo apresentado pela adotante chama atenção pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela gravidade. Segundo a justificativa, as duas eram muito agitadas, havia questões familiares envolvidas e, em um trecho que repercutiu, veio a frase que sintetiza tudo. Não avisaram que iriam crescer.

A adoção das duas aconteceu no começo do ano. Desde o início, segundo a ONG, todos os protocolos foram seguidos com rigor. Houve entrevista, conversa detalhada e explicações sobre o que significa adotar dois filhotes ao mesmo tempo. Não apenas o carinho, mas a rotina, o gasto, a energia e o compromisso de longo prazo.

Sol e Lua chegaram a ser entregues sem castração porque haviam acabado de sair de um tratamento. Pouco tempo depois, a própria ONG buscou as duas novamente para realizar o procedimento, seguindo o cuidado necessário com a saúde delas.

Nada disso foi suficiente.

Meses depois, veio o contato informando a devolução.

Para quem está na linha de frente do resgate animal, situações como essa são raras, mas profundamente marcantes. Não pelo número, mas pelo impacto. Cada devolução representa uma quebra de vínculo, uma mudança brusca de ambiente e, muitas vezes, um retrocesso emocional para o animal.

No relato, a ONG reforça que não trabalha com volume de adoções, mas com qualidade. O objetivo nunca foi apenas encontrar lares rapidamente, mas garantir que eles sejam definitivos. Ainda assim, existe um fator impossível de prever. O comportamento humano.

Segundo o desabafo, mesmo com critérios rigorosos, algumas pessoas conseguem passar pelo processo sem demonstrar, de fato, preparo para assumir a responsabilidade. Em muitos casos, a adoção acaba sendo uma tentativa de preencher um vazio, sem considerar que do outro lado existe uma vida que depende completamente dessa decisão.

Agora, Sol e Lua voltaram.

Já não são mais as filhotinhas que chamam atenção à primeira vista. Cresceram. E, com isso, enfrentam uma realidade mais difícil dentro do universo da adoção. Animais adultos costumam ter menos procura, o que torna o recomeço mais desafiador.

A ONG descreve o momento com franqueza. Não haverá mais sofá. Elas voltam para a baia. Ainda assim, reforça que serão respeitadas, cuidadas e que o principal desejo é que consigam superar o abandono que viveram.

Quando crescem, muitos deixam de ser “desejados”

O caso de Sol e Lua não é isolado. Protetores e organizações relatam que uma parcela significativa das devoluções acontece justamente quando os animais deixam de ser filhotes.

Na fase inicial, o comportamento é mais previsível aos olhos de quem não tem experiência. São menores, mais dependentes e, muitas vezes, mais fáceis de controlar dentro de casa. Com o crescimento, surgem mudanças naturais. Mais energia, necessidade de espaço, adaptação à rotina e, em alguns casos, comportamentos que exigem paciência e orientação.

É nesse momento que aparecem os arrependimentos.

Embora não exista um número único que represente todos os casos, entidades de proteção animal no Brasil frequentemente alertam para o aumento de abandonos e devoluções após os primeiros meses de adoção. O padrão se repete. Animais adotados ainda filhotes são devolvidos quando crescem ou quando deixam de se encaixar na expectativa criada no início.

Para quem atua no resgate, isso reforça a necessidade de processos cada vez mais criteriosos. Entrevistas mais longas, explicações detalhadas e, principalmente, a tentativa de garantir que a decisão de adotar não seja impulsiva.

Porque crescer nunca deveria ser um problema. É o esperado.

Repercutiu

Nos comentários da publicação, a revolta veio acompanhada de relatos que mostram o outro lado da história. Pessoas que também adotaram filhotes e enfrentaram dificuldades, mas escolheram permanecer.

“Eu adotei uma lindeza, de 3 meses do instituto. Ela veio castrada, na primeira semana com a gente foi internada e com doenças que nem encontraram, estamos há 8 meses com ela, gastamos o que nem podíamos. Ela está enorme, eu nem sonhava que ela ficaria desse tamanho, pesa ainda bebê 11 kilos. Dá um trabalho, já roeu todas as minhas cadeiras da sala, armário da cozinha e brinquedos eu nem sei qual comprar. Mas o amor que ela devolve pra gente é tão grande, mas tão grande que acaba compensando. Devolver não, amo tanto, mas tanto que chega a doer o coração de tanto que amo. Ela é minha lindeza, amor mais puro e inocente que temos em casa.”
“A minha também cresceu, mas se eu tivesse engravidado, um ser humano cresceria mais. Então minha fafazinha pode chegar até 1,70 que seguirá sendo meu mundo.”
“Meus amigos, não desanimem, força, esses dois anjos precisam de vocês e de nós associados. Sol e Lua, relaxem, brinquem e tirem todo o trauma que passaram. Em breve vocês terão uma nova família que as amará de verdade.”

Enquanto isso, Sol e Lua seguem aguardando.

Agora maiores, talvez menos “disputadas”, mas com a mesma capacidade de amar que tinham quando ainda cabiam no colo.

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes. 

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.