'Quando é pra ser, não tem jeito': moça reencontra cão que havia ajudado meses antes e abraça de vez o resgate
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coraçãoRahiane Donato, moradora de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, publicou um vídeo em seu Instagram para relatar a trajetória de sobrevivência de Théo, o terceiro cão de estimação da família.
O histórico do animal revela que o destino reservou duas oportunidades distintas para que ele fizesse parte da vida do casal, trazendo aos tutores a percepção de que o vínculo estava preestabelecido.
Em uma série de vídeos a tutora orgulhosa, detalha como o cãozinho superou um quadro severo de hemoparasitose após passar por diagnósticos incorretos, transfusão de sangue de emergência e tratamento prolongado para reabilitação da medula óssea.
O primeiro contato foi conturbado e envolveu mordidas
Na noite de 3 de maio de 2025 o caminho de Théo cruzou com o da família pela primeira vez. O cão, um vira-lata de porte pequeno e pelagem caramelo, foi localizado em uma avenida iluminada do município por Vitor, companheiro de Rahiane, que realizava um passeio com o outro cachorro da casa, chamado Amarelo.
O animal abandonado passou a segui-los por todo o trajeto. Por não apresentarem condições estruturais para a adoção imediata naquela noite, o casal aceitou o suporte de um trabalhador local que cuidava de quiosques na região e se prontificou a manter o bicho sob tutela provisória para retirá-lo da rua.
Durante dois meses eles continuaram cuidando do cão de forma remota. Foi então que a vida ofereceu a segunda chance de integração definitiva do cão à família.
Segundo explicações de Rahiane, em 25 de julho de 2025, o cuidador provisório precisou ser hospitalizado. Sem assistência, o cachorro foi reencontrado em estado de desnutrição, debilitado e com presença de sangue nas fezes.
Diante da nova situação de vulnerabilidade, a mulher assumiu a responsabilidade direta pelo animal e o encaminhou para um serviço de pronto atendimento veterinário popular. A primeira avaliação médica indicou parvovirose, e o paciente iniciou um protocolo de tratamento que não surtiu o efeito esperado.
"Ao vê-lo extremamente magro e evacuando sangue, meu coração soube que não era só saudades do até então dono dele", afirmou a tutora sobre o momento do resgate definitivo.
A persistência dos sintomas graves motivou a transferência para uma clínica veterinária particular, onde a profissional Ana Karine identificou o erro da abordagem anterior e fechou o diagnóstico definitivo de doença do carrapato. A infecção já havia comprometido de maneira severa o organismo do animal.
Três dias após o início do protocolo correto, os exames laboratoriais apontaram que os níveis de plaquetas caíram para mil e o hematócrito atingiu o patamar de seis, índices considerados de extremo risco para a sobrevivência do bicho de estimação.
O estado crítico provocou episódios de síncope no colo da tutora, o que exigiu deslocamento imediato, na madrugada de 5 de agosto, para uma unidade hospitalar veterinária.
"Foi desesperador, ele desmaiou duas vezes no meu colo, eu nem sabia que cachorro desmaiava de olhos abertos", relatou a atual tutora.
No hospital, o médico plantonista Diogo Mansueto constatou a necessidade urgente de uma transfusão de sangue. Devido à indisponibilidade de bolsas compatíveis no litoral, o material precisou ser transportado emergencialmente a partir de um banco de sangue canino localizado em Taubaté, no Vale do Paraíba.
Confira abaixo:
"Moramos em Caraguá, o hemocão fica em Taubaté, pensem numa madrugada longa, foi essa", destacou.
Embora a resposta inicial à transfusão tenha sido positiva, os exames de controle realizados a cada três dias voltaram a registrar queda acentuada nas taxas semanas depois.
Para contornar a falha na produção celular, a veterinária responsável planejou um protocolo de estímulo à medula óssea e solicitou o suporte especializado da hematologista veterinária Anna Paula Vitirito, que orientou o caso de forma remota.
O tratamento envolveu visitas diárias à clínica para aplicação de hormônios injetáveis, exames de sangue semanais e o uso contínuo de medicações orais e corticoides por um período de três meses.
A estabilização completa do organismo ocorreu após o período de dedicação terapêutica e apoio de redes de contatos. Em 4 de dezembro de 2025, o cão recebeu alta do setor de hematologia.
Rahiane descobriu posteriormente que o nome Théo significa presente de Deus, o que coincidiu com a mensagem de superação que ela buscou transmitir no registro compartilhado.
"Apesar de todo desgaste emocional, de todo gasto financeiro, eu faria tudo de novo", declarou a tutora ao avaliar o processo.
O vídeo conta com 105 mil visualizações, 15 mil curtidas e 527 comentários.
“Que a vida te trate como você trata os animais”.
“Ai amiga, que história linda você é 10 você é a salvação da vida dele e do amarelo também, eu acompanhei as duas, os dois resgate você é maravilhosa”.
“Que lindo , você não desistiu dele”.
Parabenizaram os internautas:
Assista:
Além de um lar seguro e amoroso, Théo também ganhou dois irmãos caninos!
Atualmente, o animal permanece em monitoramento preventivo doméstico, sem autorização para passeios externos ou aplicação de vacinas até que os exames periódicos comprovem a consolidação absoluta das funções da medula óssea.
