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Gata Nazaré sai de madrugada e volta para casa com filhote de gambá que ela resolveu amamentar

Por
em Gatos

O instinto maternal de uma felina doméstica gerou uma dinâmica incomum em uma propriedade rural cercada por mata nativa. Uma gata apelidada de Nazaré chamou a atenção ao retornar de uma de suas saídas noturnas carregando um filhote de saruê, espécie de gambá comum no Brasil.

O animal silvestre estava fixado à pelagem da gata e tentava mamar, sendo acolhido por ela junto aos seus próprios gatinhos recém-nascidos na caixa de amamentação.

A tutora da felina, Lerissa Zago, acompanhou de perto o comportamento da felina e a evolução dos animais. Na madrugada seguinte ao primeiro resgate, Nazaré repetiu a ação e trouxe um segundo filhote da mesma espécie para o ninho.

Diante da ausência de vestígios da mãe biológica dos gambás na propriedade, a gata assumiu a função protetora de forma integral, manifestando inclusive comportamento defensivo e zelo excessivo com os novos integrantes do grupo.

Os filhotes receberam os nomes de Crash e Eddie, em referência aos personagens da animação infantil A Era do Gelo. Por um mês, Lerissa cuidou de dois filhotes de saruês que sua gata levou para casa na calada da noite.

A primeira publicação em setembro de 2025 obteve mais de 4,7 milhões de visualizações, 322 mil curtidas e 3.862 comentários.

“A outra gata: que filhote engraçado é esse?”.
“Primeiramente que mãe é quem cria”.
“Um Gatuê”.

Brincaram alguns internautas na época.

Confira:

A criação exigiu cuidados específicos descritos pela moradora, uma vez que a amamentação de gambás difere do processo dos felinos. Os saruês não possuem o reflexo de sucção tradicional, pois na natureza o leite materno é liberado em gotas.

Para garantir a nutrição, foi necessário introduzir uma fórmula de leite específica e sem lactose devido à intolerância da espécie. A tutora buscou informações com um veterinário especialista em animais silvestres.

Com o ganho de peso e o crescimento dos animais, a alimentação foi complementada com gema de ovo cozido e frutas, seguindo orientações veterinárias para espécies silvestres.

A rotina estabelecida também envolveu a convivência diária com os felinos da casa, permitindo que os saruês subissem nas costas de Nazaré para se locomover pelos cômodos.

O monitoramento dos animais incluiu o estímulo aos hábitos naturais da espécie. Com o aumento da atividade dos filhotes, começaram os exercícios de reintrodução em um muro externo da casa que faz limite direto com a vegetação local.

A gata Nazaré permaneceu por perto supervisionando a movimentação dos saruês enquanto eles escalavam e utilizavam as caudas preênseis para se equilibrar na estrutura.

O contato frequente com o ambiente externo buscou preparar a dupla para o retorno definitivo à vida selvagem.

O processo de reabilitação resultou na soltura de Crash, que atingiu o tamanho e o peso necessários para viver de forma autônoma na floresta. Eddie, por apresentar porte menor, ainda permaneceu mais alguns dias sob os cuidados temporários da moradora até que atingisse as condições ideais para a liberação na mata.

Apesar da soltura, os animais mantêm uma relação de proximidade com o local de criação. Crash retorna quase diariamente ao pasto da propriedade para consumir as frutas e a ração oferecidas pela moradora.

De acordo com um grupo de Facebook especializado em gambás, é vital desmistificar a imagem do "gambá fofinho":

A espécie possui hábitos estritamente noturnos, solitários e um temperamento imprevisível, não sendo domesticada para o convívio humano.

O manejo desses animais exige uma dieta onívora altamente especializada para evitar graves problemas de saúde, além de um forte investimento emocional e financeiro que contrasta com sua curta expectativa de vida, que varia de dois a cinco anos.

Diante da incapacidade dos órgãos ambientais oficiais em atender à demanda crescente de resgates, o apoio a voluntários e movimentos comunitários de reabilitação torna-se essencial para evitar o abandono ou a eutanásia desses espécimes.

A permanência de um gambá sob a tutela humana deve ser tratada como o último recurso, permitida exclusivamente quando sequelas de saúde impossibilitam sua sobrevivência e soltura na natureza, visando unicamente garantir o conforto do animal.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.