Filhote de “golden lata” achava que tinha encontrado uma família, mas é devolvido após 5 meses por roer cadeira
Por Larissa Soares em Cães
Tender tinha apenas três meses quando saiu do abrigo, em São Paulo, rumo ao que parecia ser o início de uma nova vida.
Resgatado ainda muito pequeno, ele fazia parte da chamada "Ninhada Natal", um grupo de filhotes que conquistou rapidamente o coração dos interessados em adoção.
Assim como os irmãos, ele encontrou uma família antes mesmo de crescer. Durante cinco meses, tudo indicava que aquele seria seu lar definitivo.
O filhote, descrito como carinhoso, brincalhão e apaixonado por pessoas, finalmente conhecia a rotina de uma casa, o aconchego de uma família e a segurança de ter alguém para chamar de seu.
Agora, aos oito meses de idade, Tender enfrenta uma mudança que ninguém gostaria de viver.
A família que o adotou decidiu devolvê-lo, e a notícia mobilizou protetores, voluntários e internautas que estão tentando encontrar um novo lar para o cão antes que ele precise retornar ao abrigo.
A história ganhou visibilidade após ser compartilhada pela plataforma Hyppet, que fez um apelo para divulgar a situação do filhote.
Segundo a publicação, nos primeiros dias após a adoção, ele demonstrava certa insegurança, como acontece com muitos cães que passaram por situações difíceis logo no início da vida.
Aos poucos, porém, foi se adaptando, criando laços e aprendendo novamente a confiar nas pessoas.
Tudo parecia caminhar bem até que a família percebeu que não conseguiria lidar com alguns comportamentos típicos da fase em que o cão se encontra.
"Eles não se sentiram aptos a realizar o trabalho de adestramento após ele ter roído parte de uma cadeira, e por isso decidiram não ficar mais com ele”, explicou a Associação Esperança dos Animais.
A ONG também fez questão de destacar que o cão não apresenta qualquer problema de agressividade ou comportamento grave.
"O Tender é um filhotinho muito bonzinho! A família que se interessar em adotá-lo terá que ter muita paciência e muito amor, pois ele irá sofrer com essa mudança de rotina. Queremos o melhor pra ele."
O caso acabou despertando reflexões entre internautas sobre as expectativas que muitas pessoas criam ao adotar um filhote.
Embora sejam extremamente fofos, cães nessa fase costumam atravessar um período cheio de descobertas.
Roer objetos, testar limites, gastar energia em excesso e precisar de orientação constante faz parte do desenvolvimento normal.
Tender precisa de um lar
Com oito meses, cerca de dez quilos e porte médio em desenvolvimento, o cachorro continua sendo descrito pelos voluntários como um companheiro afetuoso e cheio de energia.
"Um amor de companheiro. Extremamente carinhoso e brincalhão."
A ONG também explica que ele possui aquela animação típica dos filhotes, acompanhada por uma pequena dose de ansiedade comum para a idade.
No início, pode demonstrar alguma timidez diante de pessoas desconhecidas, mas costuma se soltar rapidamente quando percebe que está em um ambiente seguro.
Os voluntários admitem que a separação não será fácil para ele.
"Mudar de rotina e de referência dói neles também."
Por isso, o principal objetivo da associação é evitar que Tender precise voltar ao abrigo.
Mesmo quando oferecem todos os cuidados possíveis, os abrigos não conseguem reproduzir a dinâmica de um lar.
Para um cão que passou os últimos meses convivendo diariamente com uma família, a mudança pode ser bastante difícil.
Importância da adoção responsável
Segundo a Humane Colorado, uma das principais reflexões antes de levar um pet para casa envolve entender como ele se encaixará na rotina da família ao longo dos anos.
A organização destaca que muitas pessoas pensam apenas na fase inicial da adoção, mas esquecem de considerar compromissos futuros, mudanças de rotina, viagens, trabalho e disponibilidade diária.
Antes de adotar, é importante avaliar honestamente questões como tolerância a comportamentos típicos de filhotes, incluindo mastigar objetos, fazer bagunça, precisar de treinamento e exigir supervisão.
Outro ponto citado pela entidade envolve os custos. Alimentação, consultas veterinárias, vacinas, medicamentos, brinquedos, acessórios e eventuais emergências fazem parte da responsabilidade de ter um animal.
A Humane Colorado também recomenda que todos os moradores da casa participem da decisão. Quando a adoção é feita em consenso, aumentam as chances de que o animal encontre estabilidade e permanência.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.











