Filhote conhecido por ser o cachorro 'perfeito' é devolvido 3 dias depois a abrigo e voluntárias não entendem o motivo
Por Larissa Soares em CãesFubá tinha pouco mais de 50 dias quando deixou para trás uma história difícil e ganhou a chance de começar uma nova vida.
Resgatado ao lado da mãe e de mais dez irmãos, o filhote finalmente encontrou uma família e tudo indicava que aquele seria o tão esperado final feliz.
Mas os planos mudaram rápido demais. Menos de três dias após a adoção, o cachorrinho voltou para a ONG Coragem e Gentileza, de Criciúma, em Santa Catarina.
A devolução pegou as voluntárias de surpresa e deixou muita gente tentando entender o que havia acontecido.
A notícia foi compartilhada pela própria instituição no dia 30 de maio. Nas imagens, Fubá aparece de roupinha, no colo, enquanto uma das responsáveis pelo projeto conta sua história.
"A gente achou que ele tinha encontrado uma família, mas infelizmente não foi o que aconteceu", disse.
Segundo a ONG, o filhote foi adotado em uma quinta-feira. No sábado à noite, o pedido de devolução já havia sido feito.
A rapidez com que tudo aconteceu chamou atenção das voluntárias.
Um cãozinho perfeito
O que mais surpreendeu a equipe foi o comportamento do cãozinho.
Depois que voltou para o abrigo, elas puderam observar ainda mais de perto a personalidade do filhote e afirmaram não encontrar motivos aparentes para uma decisão tão rápida.
"Ele é um cãozinho extremamente carinhoso."
Além disso, Fubá já demonstrava comportamentos que muitos tutores costumam levar semanas ou meses para ensinar.
"Ele faz praticamente todas as vezes no tapetinho, dorme a noite inteira sem chorar e já está comendo ração seca."
A descrição continuava com uma lista de qualidades que deixou os seguidores ainda mais confusos:
"Ele adora ficar perto da gente. Ama receber carinho. Ama receber beijinho."
Na legenda da publicação, a ONG reforçou que Fubá era saudável, vacinado, vermifugado e sociável com outros animais. Mas também aproveitou para fazer um alerta importante:
"Adoção não é um teste. É um compromisso para a vida toda."
A frase resume uma realidade enfrentada por inúmeras organizações de proteção animal.
Embora a adoção seja um gesto bonito, ela também exige planejamento, paciência e adaptação. Principalmente quando o novo integrante da família ainda é um filhote.
Filhotes dão trabalho e isso faz parte do pacote
Segundo orientações da RSPCA, organização de proteção animal da Inglaterra e do País de Gales, os primeiros meses de vida são fundamentais para o desenvolvimento dos cães.
Ao chegar em uma nova casa, o filhote está passando por uma das maiores mudanças da sua vida. Ele acabou de deixar a mãe, os irmãos e tudo aquilo que conhecia até então.
Por isso, é normal que precise de tempo para se adaptar ao novo ambiente.
A entidade explica que, entre as oito e doze semanas de idade, os cães estão em uma fase extremamente importante de aprendizado:
- É nesse período que eles começam a conhecer novas pessoas, sons, lugares e experiências que ajudarão a moldar seu comportamento no futuro.
- Também é nessa etapa que precisam aprender regras básicas da casa, desenvolver hábitos de higiene e criar laços com os tutores.
A RSPCA destaca ainda que os filhotes precisam de rotinas consistentes, reforço positivo e muita paciência.
- Acidentes dentro de casa, mordidas em objetos, períodos de agitação e curiosidade excessiva fazem parte do desenvolvimento normal nessa idade.
- Outro ponto importante é a socialização. Os especialistas recomendam apresentar gradualmente o filhote a diferentes situações, sempre de maneira positiva, para que ele cresça confiante e equilibrado.
- Além disso, os cães jovens precisam descansar bastante. Crescer, brincar, aprender e explorar o mundo exige muita energia.
Por isso, quem decide adotar um filhote precisa estar preparado para acompanhar esse processo e entender que algumas dificuldades fazem parte da fase.
A segunda chance
A repercussão da história foi tão grande que chegou até Joinville, também em Santa Catarina.
Lá, uma mulher navegava pelas redes sociais quando encontrou a publicação sobre o filhote devolvido. Ela conta que já estava deitada e pronta para dormir quando assistiu à história.
"Eu comecei a chorar, chorar, chorar. Não conseguia parar de chorar."
A emoção foi tão grande que ela enviou uma mensagem para a mãe ainda naquela noite:
"Mãe, eu acho que a gente vai ter que buscar um cachorrinho lá em Criciúma", disse ela à mãe.
A distância não parecia importar muito naquele momento. "Eu falei que ele precisava de mim e eu precisava dele."
O encontro
Pouco tempo depois, o encontro finalmente aconteceu.
Quando viu sua nova tutora pela primeira vez, Fubá pareceu entender que algo bom estava acontecendo.
O rabinho começou a balançar sem parar. Tão rápido que o corpo inteiro acompanhava o movimento.
Nas imagens compartilhadas pela ONG, ele praticamente rebola de felicidade enquanto recebe carinho da nova família.
Os seguidores comemoraram.
"Olha o rabinho dele. Ele ficou muito contente", escreveu uma pessoa nos comentários.
"Eles se reconheceram imediatamente", disse outra.
"Sentindo que o Fubá vai ter vida de burguês", escreveu uma terceira.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
