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Enquanto tutores viajavam, cachorro agonizava sob o sol quente e voluntárias invadem pátio para tentar salvá-lo

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em Proteção Animal

Um caso de resgate animal mobilizou a comunidade de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, e gerou um desdobramento jurídico na região. Dois cães foram retirados de uma residência no início da tarde de um sábado, após denúncias de que um deles agonizava no pátio enquanto os proprietários viajavam.

O animal que apresentava o quadro mais crítico passou por atendimento veterinário, mas não resistiu aos danos neurológicos e sofreu eutanásia. O segundo canino permanece sob a custódia de uma organização não governamental local, aguardando definição do Poder Judiciário.

O acionamento da equipe de voluntários ocorreu por meio de mensagens de aplicativo enviadas a uma das fundadoras da Upeva. O relato indicava a presença de um cachorro sofrendo convulsões em um pátio fechado.

Sem acesso direto pela entrada principal da residência devido aos portões trancados, as voluntárias obtiveram autorização de um vizinho para acessar o terreno lateral. Uma abertura na cerca permitiu a entrada na propriedade e a retirada imediata dos dois animais que estavam no local.

A publicação feita em 4 de abril obteve 778 mil visualizações, 74 mil curtidas e 3.574 comentários.

“Parabéns pelo resgate! Ainda bem que chegaram a tempo”.
“Obrigada, meninas! Vocês são incríveis e incansáveis! Sei que às vezes dá vontade de jogar tudo pro alto por verem tanta maldade humana, mas o propósito de vocês é muito maior!!! Não abandonem esse dom de vocês! Parabéns e obrigada mil vezes!!!”.
“Parabéns pelo resgate! É mto triste salvá-los de quem teria que cuidá-los!”.

Confira abaixo:

Atendimento veterinário e diagnóstico clínico

O primeiro cão, batizado pelas socorristas como Lupin, foi encaminhado ao plantão de uma clínica veterinária em estado de choque térmico e convulsão contínua. Os exames apontaram hipertermia severa, com temperatura corporal muito alta, além de infestação por parasitas.

O quadro clínico foi agravado pela exposição prolongada ao sol e ao calor excessivo durante o período das crises.

Após a estabilização inicial, o canino foi avaliado por um especialista em neurologia veterinária. Apesar das tentativas de tratamento e de o animal ter voltado a se alimentar, as sequelas neurológicas comprometeram as funções fisiológicas básicas.

"Das batalhas que perdemos… e que nunca se tornam mais fáceis…
Hoje nos despedimos do Lupin. Ele que ficou horas agonizando no sol quente sem apoio e sem ajuda. Ele que encontrou conforto no nosso colo, sem nunca ter nos visto antes. Ele que já reconhecia nosso toque e nossa voz a cada visita na internação.
Obrigada a todos que contribuíram financeiramente para os dias que o Lupin ficou na clínica. Obrigada a

@vetcavagnoli

por todo suporte dado a ele.
Tomar está decisão nunca fica mais fácil.
Uma parte do corpo do Lupin queria viver, a outra, pela demora do socorro, já não conseguia mais.
Não sabemos se quem deveria zelar pela sua vida hoje sente algum remorso.
Nós, que largamos tudo quando soubemos de ti, mesmo sem te conhecer, para ir ao seu socorro, queríamos muito que o final dessa história tivesse sido diferente.
A cada animal encontrado, nunca mais somos os mesmos.
Obrigada Lupin por ter nos transformado. Você não será esquecido.
Com amor,
Upeva"

A voluntária Nicolle, que participou diretamente da ação, detalhou ao Amo Meu Pet as condições que levaram à decisão médica pela interrupção do sofrimento do animal:

"Ele passou por consulta com o neurologista, ele chegou a voltar, ele chegou a conseguir comer e tudo, só que ele simplesmente não tinha nenhuma qualidade de vida. Ele ficava de lado o tempo inteiro, jogado de lado, não conseguia urinar, não conseguia defecar. Esperamos pelo menos uma semana e, por recomendação veterinária, inclusive lá do neurologista, foi realizada eutanásia no Lupin, visto que ele não voltaria à condição inicial."

Situação do segundo animal e processo legal

O outro cão localizado na residência, um exemplar da raça Chow Chow de idade avançada apelidado de Bubu, apresentava sinais crônicos de negligência, como perda de pelagem decorrente de dermatite alérgica por pulgas e bicos de papagaio na coluna vertebral.

A gravidade do estado de saúde de Bubu fundamentou o recolhimento de ambos os animais sob a justificativa de maus-tratos generalizados.

Os responsáveis pelo imóvel mantiveram contato com a ONG após a repercussão do vídeo do resgate no Instagram.

Em mensagem, os proprietários alegaram que estavam viajando e que haviam contratado uma pessoa para monitorar os cães uma vez ao dia. A defesa argumentou que a convulsão de Lupin pode ter sido um evento súbito e inédito.

O caso foi encaminhado às autoridades competentes para a apuração de responsabilidade criminal por maus-tratos a animais. Até o momento, a guarda definitiva de Bubu permanece sem resolução definitiva. Nicolle explicou a situação jurídica atual do sobrevivente:

"Nós não podemos doar ele porque está na Justiça toda essa questão para decidir se a guarda do Bubu fica com a gente ou volta para o tutor. Isso não é algo que é como a gente quer, mas a gente acredita que sim, que o Bubu vai ficar com a gente. Ele foi liberado logo na segunda-feira, ele é idosinho, tinha muita alergia à pulga, agora o pelo dele já está crescendo bem e ele toma uma medicação contínua para dor e para inflamação."

A Upeva assumiu os custos do atendimento emergencial, das consultas com especialistas e das medicações contínuas necessárias para a manutenção do cão idoso.

As despesas do processo de reabilitação estão sendo cobertas por meio de doações voluntárias e campanhas de arrecadação financeira promovidas pela instituição em suas plataformas digitais.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.