“Parecia uma serpente, mas piscava”: biólogo salva animalzinho de seus 7 gatos e mostra que ele não era uma cobra
Por Beatriz Menezes em Mundo AnimalO criador de conteúdo digital Matheus Silva Mesquita realizou o resgate de um animal silvestre no jardim de sua residência. O fato ocorreu em fevereiro de 2024, quando o profissional observou a presença de um espécime incomum na grama.
A intervenção evitou que o animal entrasse em contato com os sete felinos domésticos que vivem na propriedade, garantindo a integridade do réptil.
Conhecido nas redes sociais como Biomesquita ou apenas Mesquita, o biólogo e educador ambiental costuma registrar o cotidiano e produzir conteúdos informativos.
Ao realizar a inspeção matinal de rotina no quintal, ele localizou o pequeno visitante. A propriedade faz limite com uma área de mata densa e uma região de morro, fatores que favorecem o aparecimento espontâneo de fauna silvestre no local.
A primeira impressão que o animal causa ao observador comum está relacionada ao formato do seu corpo. Longo, cilíndrico e desprovido de membros visíveis, o réptil apresenta um padrão de movimentação que remete diretamente ao de uma serpente.
Essa semelhança morfológica frequentemente induz a população ao erro, gerando medo e reações agressivas contra o animal.
Mesquita utilizou o registro em vídeo para esclarecer as características anatômicas que diferenciam o exemplar de uma cobra peçonhenta. O bicho encontrado no jardim pertence à espécie conhecida popularmente como licranço.
"Pra você que não conhece, esse aqui é o licranço e ele é um lagarto. Isso mesmo, um lagarto sem patas", explicou o biólogo durante a gravação.
Em uma explicação detalhada, o especialista revelou a presença de evidências biológicas de que os ancestrais da espécie possuíam membros articulados.
Segundo o influenciador, o bicho apresenta características evolutivas muito específicas. "Na verdade, ele tem duas patinhas vestigiais aqui em algum lugar do corpo aqui. Isso aqui são dois vestígios de que esse cara evolutivamente em algum momento teve patas", apontou Mesquita.
Mecanismos de defesa e comportamento do licranço
O biólogo também falou sobre dois fatores biológicos determinantes para identificar o licranço. O primeiro deles é a presença de pálpebras funcionais, uma capacidade anatômica que as cobras não possuem.
"Isso porque ele tem pálpebras, cê tá vendo? Ele consegue piscar o olho. Cobras não piscam o olho", detalhou o profissional.
A segunda característica destacada foi a capacidade de autotomia caudal, que funciona como um mecanismo de sobrevivência quando o réptil se sente ameaçado por predadores.
"Ele ainda faz a autotomia, que é soltar a cauda, um pedacinho da cauda para conseguir se defender quando o predador ataca, que aí o predador fica ali entretido com a cauda e ele mete o pé, mesmo sem ter pé", descreveu.
"Essa estratégia dele é parecida com aquela da lagartixa, que quando você enche o saco da lagartixa ela solta o rabo e fica se mexendo ali e tal, enquanto isso a lagartixa vai embora", comparou o biólogo para facilitar o entendimento do público.
Durante o manuseio para o resgate, o animal chegou a morder o dedo do influenciador, deixando uma pequena marca superficial. O biólogo aproveitou o incidente para reforçar que a espécie não possui glândulas de veneno nem dentes inoculadores, sendo inofensiva para os seres humanos.
"Aí pra quem tá se perguntando se esse carinha aqui é um animal peçonhento, ele não é. Ele não tem nenhum tipo de veneno", garantiu.
Após a verificação do estado de saúde do réptil, Mesquita realizou a soltura na área de mata nos fundos da residência.
O habitat natural desses lagartos envolve camadas de grama, solo úmido e folhagem densa, locais onde encontram condições ideais para o seu desenvolvimento.
O licranço exerce um papel fundamental no ecossistema local. O biólogo informou que eles buscam abrigo na vegetação rasteira devido aos seus hábitos alimentares.
"Eles gostam de morar entre essa parte de grama assim, essa camada de grama, porque eles comem muitos animaizinhos que moram por aqui, principalmente aracnídeos e insetos", destacou.
O vídeo tem 567 mil curtidas e 4.621 comentários.
“Certamente eu iria achar que era uma cobra”.
“Eu já vi na internet, conheci como "cobra de vidro" mas sei que é um lagarto”.
“nossa eu aprendo tanto com seus vídeos”.
Comentaram os internautas.
Veja abaixo:
De acordo com o nationalgeographicbrasil o licranço também é chamado cobra-de-vidro. Os animais adultos são geralmente de cor marrom-acinzentada a marrom-acobreada, enquanto os jovens exibem tons dourados ou prateados pálidos com lados escuros e coloração ventral, descreve o Animal Diversity Web (ADW), um banco de dados online de história natural da Universidade de Michigan (nos Estados Unidos).
Entre os predadores desse lagarto, estão cobras e aves de rapina. De acordo com a ADW, ao soltar a cauda a estrutura pode se regenerar com outra cor diferente da original.
