"Feliz, gordinho e amoroso": Cachorrinho dá volta por cima e se transforma após receber amor
Por Larissa Soares em Proteção AnimalUm cachorro que vivia preso por uma corrente, sem acesso adequado à comida, água ou carinho, teve sua vida completamente transformada após ser resgatado pela ONG Mi Au Juda, de Ibirubá, no Rio Grande do Sul.
Recentemente, a ONG compartilhou imagens atuais do cão, agora chamado Pingo.
Nas gravações, ele aparece tranquilo, correndo, brincando e demonstrando a confiança de quem finalmente descobriu o que significa viver com segurança.
Mas a história começou de forma muito diferente.
Preso às correntes
Quando os voluntários chegaram ao local após uma denúncia, encontraram um cenário que infelizmente ainda é comum em muitos atendimentos realizados por protetores de animais.
O cachorro vivia preso a uma corrente, em condições extremamente precárias.
Segundo a ONG, não havia potes com água, não havia alimento disponível e a casinha sequer possuía panos ou qualquer estrutura que proporcionasse mais conforto.
Além da falta de cuidados básicos, o animal estava muito abaixo do peso ideal.
Os voluntários ofereceram ração, o cachorro devorou a comida rapidamente, um indicativo de que enfrentava longos períodos de fome.
Ao divulgar o caso nas redes sociais, a ONG compartilhou uma das justificativas que ouviu: "A gente dá resto de comida que sobra, porque comprar ração é caro."
Indignados com a situação encontrada, os protetores fizeram um desabafo.
"Esse é um dos muitos absurdos que ouvimos nas denúncias apuradas. A ignorância ultrapassando limites."
Na mesma publicação, a equipe descreveu a situação do animal.
"Cachorro macho, em situação crítica. Não possuía panos na casinha, nem potes de água ou comida, e muito menos afeto. Animal vivendo totalmente invisível."
Resgate
A mobilização permitiu que o cão fosse retirado daquele ambiente e recebesse atendimento.
Segundo a ONG, a denúncia anônima foi fundamental para que o resgate acontecesse.
Quando chegou aos cuidados dos voluntários, o cachorro apresentava costelas muito aparentes e já demonstrava sinais de anemia decorrentes da negligência prolongada.
Além da condição física debilitada, havia também o impacto emocional de uma vida marcada pelo isolamento.
A entidade relatou que ele vivia sozinho, sem atenção e praticamente esquecido. Mas o destino reservado para aquele cão seria diferente.
Nova vida
Após o resgate, ele recebeu tratamento, alimentação adequada e a oportunidade de encontrar uma nova família.
Foi nesse momento que surgiu Kelvin e seus familiares, que decidiram abrir as portas de casa para o cachorro.
A adoção deu início a uma transformação que pode ser percebida tanto na aparência quanto no comportamento.
O cão, que antes era invisível, passou a se chamar Pingo.
"Vocês lembram desse caso? Outubro de 2025. Esse é ele hoje. Feliz, gordinho e amoroso. Finais assim nos motivam a continuar", escreveu a ONG.
A publicação recebeu diversas mensagens emocionadas.
"O amor transforma. Tudo por eles e eles por nós", escreveu uma internauta.
Outra pessoa aproveitou para reforçar a importância das denúncias.
"É importante denunciar. Salva vidas."
Situações como privação de alimento, ausência de água, manutenção em locais inadequados, falta de assistência veterinária, abandono e agressões físicas podem caracterizar maus-tratos e devem ser denunciadas às autoridades competentes.
Desde 2020, a Lei nº 14.064 aumentou as penas para maus-tratos praticados contra cães e gatos.
A legislação prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda do animal.
Quando houver suspeita de maus-tratos, a orientação é reunir provas sempre que possível, como fotos, vídeos e informações sobre local, data e responsáveis.
As denúncias podem ser feitas à Polícia Militar, Polícia Civil, delegacias especializadas em meio ambiente quando existirem na região, Ministério Público ou órgãos municipais de proteção animal.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
