“Quanto eu te pago pra você me dar ele?”: crianças veem cachorro sem as patas dianteiras e deixam tutora sem reação
Por Larissa Soares em CãesA proposta sincera de uma criança acabou deixando a tutora de um cãozinho que não tem as patas dianteiras completamente sem palavras.
Enquanto Fátima carregava o filhote no colo, algumas crianças se aproximaram para fazer carinho no cãozinho.
Curiosas, elas queriam saber mais sobre aquele cachorro diferente e simpático que chamava atenção por onde passava.
Entre perguntas sobre idade, raça e outras curiosidades, um dos meninos resolveu ir direto ao assunto:
“Tia, quanto eu te pago pra você me dar ele?”
A pergunta deixou Fátima sem palavras. “Fiquei até sem reação”, escreveu ela ao compartilhar o momento.
A sinceridade do garoto arrancou risadas dos internautas:
“Ele com 50 centavos no bolso e um sonho”, brincou uma pessoa.
“Baixou a Nazaré Tedesco na criança”, comentou outra.
“Não julgo a criança pois eu faria a mesma pergunta”, brincou mais uma usuária.
E não é difícil entender por que o cãozinho desperta tanto carinho nas pessoas.
História do João
Antes de se chamar João, ele era conhecido como Toquinho. O filhote chegou à vida da médica veterinária Fátima por meio de uma corrente de ajuda organizada para encontrar um lar para um cão muito especial.
O cachorrinho nasceu sem as patas dianteiras. Mesmo assim, desde o primeiro momento, quem o conheceu percebeu que a ausência dos membros não diminuía em nada sua vontade de explorar o mundo.
Quando apresentou o filhote pela primeira vez, a protetora Iza, voluntária no projeto Alma de Patas, demonstrou toda a admiração que sentiu ao encontrá-lo.
“Eu tô tão apaixonada nele. É a coisa mais linda desse mundo”, disse.
Além da condição congênita, o filhote também apresentava uma hérnia que exigiria acompanhamento veterinário.
“Ele tem uma hérnia aqui, que só pode ser corrigida quando ele tiver um pouquinho maior.”
Os voluntários pretendiam encontrar uma família preparada para assumir os cuidados necessários ao longo do crescimento.
Mas enquanto o adotante ideal não aparecia, o filhote precisaria de um lar temporário. Foi aí que entrou Fátima.
Lar temporário
Veterinária especializada em fisioterapia e reabilitação de pequenos animais, ela se ofereceu para acolher o cachorro durante esse período de transição.
Fátima imaginou que iria apenas receber o filhote, ajudá-lo nos primeiros cuidados e entregá-lo à futura família. Mas os planos mudaram rapidamente.
Dias depois, Fátima voltou às redes sociais para contar o que havia acontecido.
“Quando deu dois dias de lar temporário, eu falhei na minha missão de lar temporário.”
O que deveria durar pouco tempo acabou se tornando definitivo.
Foi nesse momento que Toquinho ganhou oficialmente uma nova família e também um novo nome. Agora ele se chama João.
Desde então, o filhote passou a receber acompanhamento veterinário completo para avaliar suas necessidades futuras.
Uma das primeiras etapas foi uma consulta ortopédica detalhada. Os exames mostraram que existe a possibilidade de, no futuro, ele receber uma prótese especial.
No entanto, como ainda está em fase de crescimento, qualquer decisão precisará esperar mais algum tempo.
Além disso, a equipe médica também identificou que as hérnias exigirão procedimentos cirúrgicos.
“Não é somente uma hérnia, são duas. Uma na região da virilha e uma mais abdominal.”
Por enquanto, a estratégia é acompanhar cuidadosamente o desenvolvimento do cachorro antes das intervenções.
“Nós estamos fazendo todo esse acompanhamento para que ele tenha uma maior maturidade.”
João viverá bem sem as patinhas?
Fátima também tranquilizou os internautas afirmando que o filhote viverá super bem, apesar da condição. Segundo ela, o próprio comportamento do filhote demonstra isso diariamente.
Claro que algumas adaptações serão necessárias. Mas o trabalho de fisioterapia já começou para fortalecer a musculatura e aumentar a independência.
“Com a fisioterapia, a gente vai conseguir fazer um fortalecimento.”
Outro projeto que deixou a veterinária animada envolve a criação de uma cadeirinha personalizada produzida em impressão 3D.
“Para que ele possa fazer as atividades dele sozinho, principalmente passeio ao ar livre.”
Ao compartilhar a rotina do filhote, Fátima também busca combater um estigma que costuma acompanhar animais com deficiência.
“Eu quero mostrar pra vocês que um pet com deficiência não é coitadinho.”
João demonstra curiosidade, disposição para brincar e uma enorme vontade de interagir com as pessoas.
“Como vocês podem ver, ele é bem alerta, ele é bem feliz.”
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
