Chihuahua condenada aos 15 anos de idade tinha patinhas 'esquisitas', mas foi seu coração que chamou a atenção e mudou o seu destino
Por Larissa Soares em Aqueça o coraçãoUma chihuahua de 15 anos, que havia sido colocada na lista de eutanásia, ganhou uma segunda chance quando cruzou o caminho de uma voluntária apaixonada por cães idosos.
Hoje, a cachorrinha Shelly aproveita seus anos dourados na Flórida, nos Estados Unidos, ao lado de Lívia, sua tutora.
O destino das duas se entrelaçou em um momento delicado para ambas. Enquanto Shelly enfrentava a possibilidade de passar seus últimos dias sem uma família, Lívia lidava com a dor da perda de seu primeiro cão idoso.
Segundo contou ao GeoBeats, Shelly chegou a um abrigo com sérios problemas de saúde.
A cadela sofria de doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite crônica e colapso de traqueia, condições que costumam exigir acompanhamento veterinário constante.
Por causa da combinação entre idade avançada e questões médicas, ela acabou entrando rapidamente na lista de eutanásia.
Infelizmente, essa é uma realidade enfrentada por muitos cães idosos em abrigos.
Animais mais velhos costumam ter menos chances de adoção quando comparados a filhotes e cães jovens, o que faz com que muitos passem meses ou até anos aguardando uma oportunidade.
A sorte de Shelly começou a mudar quando ela foi retirada do abrigo por um santuário especializado em acolher cães idosos e rejeitados. Foi lá que Lívia a conheceu.
Na época, ela atuava como voluntária no local e acompanhava de perto a rotina dos animais resgatados.
Mesmo estando em um ambiente seguro, Shelly continuava sem despertar o interesse de possíveis adotantes. Meses se passaram e ninguém apareceu para levá-la para casa.
Lar temporário que virou definitivo
Diante daquela situação, Lívia decidiu oferecer um lar temporário à cadelinha.
Ela pretendia apenas ajudá-la por algum tempo, mas bastaram alguns dias de convivência para que a relação entre as duas se fortalecesse.
"Decidi adotá-la temporariamente e vi que não podia deixá-la ir", contou.
Com o passar das semanas, a personalidade de Shelly começou a aparecer.
A cachorrinha que antes enfrentava dificuldades de saúde passou a demonstrar um lado carinhoso e cheio de manias adoráveis.
Quando está feliz, gosta de rolar de barriga para cima, se esfregar na tutora e distribuir lambidas.
Durante as refeições, faz questão de acompanhar tudo de perto e frequentemente pede colo para observar Lívia almoçar.
Outro detalhe que chama atenção são suas patas grandes e espalmadas. A própria tutora admite não saber exatamente o motivo da característica.
Ela acredita que possa estar relacionada ao desenvolvimento da cadela quando era mais nova ou até mesmo a alguma particularidade genética.
Independentemente da explicação, as patas acabaram se tornando uma das marcas registradas de Shelly.
"Elas são diferentes de qualquer outra que eu já tenha visto no resgate", comentou.
Uma senhora cheia de exigências
A rotina da chihuahua também inclui algumas exigências gastronômicas.
Segundo Lívia, há dias em que a cachorrinha simplesmente decide que não quer comer a refeição preparada.
Nesses momentos, ela se senta na cama, coloca a língua para fora e observa a tutora, como se estivesse pedindo uma nova opção no cardápio.
Apesar dos desafios relacionados à idade, a saúde de Shelly surpreende positivamente. A cadela passa por exames frequentes, consultas veterinárias e monitoramento.
Ainda assim, continua ativa, brincalhona e cheia de energia para aproveitar a companhia da família.
Lívia afirma que a respiração da cadela melhorou significativamente desde que ela chegou ao seu lar. Hoje, a tutora considera uma honra poder acompanhar essa fase da vida da cadelinha.
"É uma honra ser a mãe dela, sua cuidadora, ser o tudo durante seus anos dourados", declarou.
A ligação entre as duas ganhou ainda mais significado porque Shelly chegou justamente quando Lívia enfrentava o luto por outro cão.
"Ela me fazia rir, sorria comigo todos os dias. Ela me ajudou a passar por aquele período."
O final feliz que eles merecem
Em uma publicação feita no fim de abril, Lívia compartilhou uma reflexão sobre a importância de oferecer uma chance aos cães idosos.
"Cães idosos que acabam em abrigos merecem o melhor final, não o mais solitário", escreveu.
Ela também relatou que não se importava se teria pouco tempo com Shelly: "Eu só queria dar a ela o final que ela esperou a vida toda", escreveu.
A mensagem tocou milhares de pessoas e gerou relatos emocionantes de tutores que também abriram as portas de casa para cães idosos.
“Nenhum animal deveria morrer triste e sozinho em um abrigo só por ser idoso”, escreveu um internauta.
“Adotei dois labradores idosos. Eles tiveram uma vida maravilhosa por cerca de cinco anos e trouxeram alegria e amor para nossa casa”, relatou outro.
“Adotei uma cadela idosa que faleceu no mês passado. Tive-a por apenas quatro anos e meio, mas foram os melhores quatro anos e meio da minha vida. Ela era a minha alma gêmea e sou muito grata por termos nos encontrado”, compartilhou uma terceira.
De acordo com informações do PetMD, cães idosos estão entre os animais mais negligenciados nos abrigos.
Enquanto filhotes costumam despertar interesse rapidamente, muitos cães mais velhos aguardam por longos períodos sem receber pedidos de adoção.
O portal veterinário destaca que essa resistência geralmente está relacionada ao receio dos adotantes em lidar com possíveis problemas de saúde ou com o fato de terem menos anos de convivência pela frente.
No entanto, especialistas ressaltam que os benefícios da adoção de cães idosos costumam superar essas preocupações.
Benefícios de adotar um cão idoso
Uma das vantagens é que a personalidade do animal já está formada, permitindo que os adotantes conheçam melhor seu temperamento antes da decisão.
Além disso, muitos cães mais velhos já passaram pela fase mais agitada da vida e tendem a ser companheiros tranquilos, adaptando-se bem a lares que buscam uma rotina mais calma.
Outro ponto destacado é que cães idosos continuam plenamente capazes de aprender. Eles podem desenvolver novas habilidades, aprender comandos e estabelecer vínculos profundos com suas famílias.
A publicação também reforça que oferecer um lar amoroso durante os últimos anos de vida pode ser um dos maiores presentes que alguém pode dar a um animal.
Para garantir uma boa adaptação, especialistas recomendam agendar uma consulta veterinária logo após a adoção, preparar a casa para possíveis limitações de mobilidade e respeitar o tempo necessário para que o cão se acostume ao novo ambiente.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
