"Ao salvá-lo, ele também me salvou": Mulher encontra gato que parecia uma pedra e luta até o fim para ajudá-lo

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No fim de outubro de 2025, Renata Kerlane notou um gatinho em situação extrema circulando pelo bairro onde mora, em Sobral, no Ceará.

O gato estava extremamente magro e tomado por sarna, com tantas crostas e feridas que mal conseguia abrir os olhos.

Por ter outros animais, Renata não podia simplesmente recolher o gato e levá-lo para casa. Ainda assim, decidiu fazer o que estava ao seu alcance.

Todos os dias voltava ao local para alimentá-lo, oferecer água e iniciar um tratamento básico para aliviar parte daquele sofrimento.

O progresso começou a aparecer rapidamente. Já no segundo dia, ela percebeu que o gato conseguiu abrir os olhos.

Além disso, ele passou a reconhecê-la. Sempre que via Renata chegando, miava alto e caminhava em sua direção.

Mesmo debilitado, demonstrava vontade de viver e confiança na pessoa que estava tentando ajudá-lo.

Naquele período, Renata tinha um objetivo modesto.

“No começo o que eu queria era que ele apenas pudesse ser digno igual aos outros gatos de rua, pelo menos. Mas o sonho mesmo é que ele fique bem ao ponto de alguém querer ele”, contou nas redes sociais.

A ideia inicial era tratar a sarna ainda na rua até conseguir um lar temporário. Ela acreditava que seria difícil encontrar alguém disposto a acolher um gato em condições tão delicadas.

Mas a mobilização de seguidores mudou o rumo da história.

Após compartilhar a situação do animal, Renata conseguiu arrecadar recursos suficientes para levá-lo ao veterinário.

Uma batalha contra vários problemas ao mesmo tempo

O gato, que inicialmente recebeu o nome de Halloween por causa da aparência e da época em que foi encontrado, tinha cerca de três anos de idade e pesava apenas 1,3 quilo.

Além da sarna severa, apresentava infecção respiratória, anemia, desnutrição, problemas intestinais e diversas outras complicações associadas ao longo período de abandono.

Segundo Renata contou posteriormente ao The Dodo, os exames mostraram que praticamente todo o organismo do animal estava tentando sobreviver a diferentes doenças ao mesmo tempo.

Uma das cenas mais marcantes aconteceu logo após o primeiro banho medicamentoso.

“Quase 400 gramas de crosta se soltaram do corpo dele. E foi como se algo tivesse virado uma chave.”

As crostas acumuladas eram tão espessas que representavam uma parcela significativa do peso total do gato.

A remoção daquele material permitiu que a pele começasse a respirar melhor e marcou o início de uma recuperação que exigiria meses de cuidados constantes.

Início da transformação

Houve momentos difíceis durante o tratamento. Renata admite que chegou a acreditar que ele talvez não sobrevivesse.

Mas havia algo que chamava atenção de todos os profissionais envolvidos:

“Ele tinha uma vontade de viver incrível. Queria comer, queria carinho.”

Dia após dia, os exames melhoravam, o peso aumentava e os sinais de recuperação se tornavam mais visíveis.

Os pelos voltaram a crescer, o corpo ganhou massa muscular e Halloween passou a se chamar Renatinho.

O gato tímido e debilitado foi dando lugar a um companheiro afetuoso, curioso e cheio de energia.

Depois de receber alta veterinária, Renatinho finalmente pôde ir para casa. Foi então que aconteceu uma cena que permanece guardada na memória da tutora.

“Quando finalmente ele chegou em casa, dormiu esticado pela primeira vez. Foi aí que eu soube que ele se sentia seguro.”

Para Renata, aquele momento teve um significado ainda maior. Na mesma época em que encontrou o gato, ela estava se recuperando de um episódio depressivo.

Ela conta que cuidar do animal acabou trazendo um novo propósito para sua vida.

“De alguma forma, ao salvá-lo, ele também me salvou.”

Hoje, Renatinho é um gato grande, peludo, saudável e completamente diferente daquele animal coberto por crostas encontrado perto de um mercadinho do bairro.

O que é a sarna em gatos?

De acordo com informações da VCA Animal Hospitals, a demodicose é uma doença parasitária causada por ácaros microscópicos do gênero Demodex.

Embora esses organismos possam existir naturalmente na pele dos animais, algumas situações permitem que a população aumente de forma descontrolada, provocando lesões e inflamações.

Nos gatos, a doença pode causar queda de pelos, formação de crostas, vermelhidão, feridas e coceira de intensidade variável.

Em alguns casos, as lesões ficam concentradas na cabeça, rosto e pescoço. Em outros, espalham-se por praticamente todo o corpo.

Segundo a instituição, infestações mais extensas costumam estar associadas a problemas que afetam o sistema imunológico, tornando o organismo menos capaz de controlar a proliferação dos ácaros.

O tratamento depende da espécie de ácaro envolvida e pode incluir medicamentos tópicos, tratamentos orais e o controle de doenças associadas.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o prognóstico é positivo quando o diagnóstico é realizado corretamente e o animal recebe acompanhamento veterinário adequado.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.