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Gato de rua aparece na janela de residência e implora para gatinhos da família deixarem ele fazer parte dela

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em Gatos

Um gato de rua passou a visitar diariamente a casa de uma família perto de Memphis, no Tennessee, nos Estados Unidos, e seu comportamento chamou a atenção da moradora Jaclyn Andersen.

Diferentemente dos outros felinos que apareciam apenas para comer, ele permanecia no local por longos períodos, observava os gatos que viviam dentro da residência pela janela e, aos poucos, parecia demonstrar que queria fazer parte daquela família.

O gato, que depois recebeu o nome de Charles, surgiu pela primeira vez durante a noite.

Acostumada a alimentar e cuidar dos gatos de rua da vizinhança, Jaclyn logo percebeu que havia algo diferente naquele visitante.

"Ele apareceu no meio da noite. A primeira coisa que notei foram aquelas bochechas enormes de gato. Era difícil não notá-las", contou ela ao The Dodo.

Nos dias seguintes, Charles voltou várias vezes. Como os demais gatos da região, ele aproveitava a refeição oferecida por Jaclyn, mas não ia embora logo depois de comer.

"Notei que ele parecia estar dormindo no capacho por uma hora inteira. Foi um comportamento muito estranho, porque a maioria dos gatos selvagens costuma ser muito arisca", explicou.

Enquanto isso, os três gatos que já viviam na residência também demonstravam muita curiosidade por aquele visitante em particular.

Um deles, inclusive, havia sido resgatado da mesma vizinhança algum tempo antes, o que fez Jaclyn imaginar se ele reconheceria Charles de alguma forma.

Com o passar dos dias, o gato começou a ficar ainda mais próximo da casa. Em vez de apenas esperar pela comida, ele passou a ficar diante da janela observando os moradores e os outros gatos.

Foi justamente nesse momento que Jaclyn percebeu o quanto ele precisava de ajuda.

"Quando ele me viu pela janela, não foi embora imediatamente. Ele ficou ali parado, piscando lentamente para mim através da janela. Parecia que estava tentando me dizer alguma coisa."

Além do comportamento dócil, seu estado físico preocupava bastante. As orelhas estavam dobradas, apresentavam sinais de infecção e o gato parecia extremamente cansado depois de tanto tempo vivendo nas ruas.

Diante daquela cena, Jaclyn decidiu capturá-lo para levá-lo ao veterinário.

O diagnóstico

Durante a consulta, veio o diagnóstico de FIV, conhecida popularmente como AIDS felina.

Segundo a organização Cats Protection, a FIV é um vírus que enfraquece o sistema imunológico dos gatos.

Isso significa que eles podem ter maior dificuldade para combater infecções e outras doenças ao longo da vida.

A doença costuma evoluir lentamente. Em alguns casos, podem passar até cinco anos antes do surgimento dos primeiros sinais clínicos.

Entre os sintomas que merecem atenção estão infecções frequentes, perda de peso, falta de apetite, inflamações na boca, diarreia persistente, olhos e nariz lacrimejando, além de recuperação mais lenta após doenças.

Apesar disso, a entidade destaca que um gato com FIV não está condenado a uma vida curta.

Com acompanhamento veterinário, vacinação adequada, alimentação de qualidade e um ambiente protegido, muitos vivem durante anos com boa qualidade de vida.

Nova vida

Foi então que Jaclyn decidiu que Charles jamais voltaria para as ruas.

Segundo ela, parecia que o gato apenas procurava um lugar tranquilo para descansar depois de uma vida inteira enfrentando dificuldades.

"Acho que ele está muito ansioso para se aposentar e viu um bom centro de convivência para idosos na minha casa, onde todos os meus gatos estariam seguros."

Nas semanas seguintes, Charles começou sua adaptação à nova rotina.

Embora nunca tivesse vivido exclusivamente dentro de casa, ele foi relaxando aos poucos. Também passou a aceitar carinho, algo que Jaclyn não esperava acontecer tão rapidamente.

"Sinceramente, eu esperava que ele resmungasse, mas ele ficou totalmente calmo. Ele me deixou fazer e gostou muito. Então, eu já fiz isso algumas vezes e ele realmente gosta."

Agora, a expectativa é que Charles seja totalmente integrado ao grupo de gatos da casa conforme ganha mais confiança.

Gatos com FIV precisam ficar isolados?

O diagnóstico de Charles despertou muitas dúvidas entre internautas. Diversos comentários perguntavam se seria seguro manter um gato com FIV convivendo com outros felinos da casa.

De acordo com os especialistas do VCA Hospitals, o vírus é transmitido principalmente por mordidas profundas, já que está presente na saliva de gatos infectados.

Isso explica por que muitos gatos diagnosticados com FIV possuem histórico de brigas quando viviam nas ruas.

A transmissão por meio de convivência cotidiana é considerada pouco provável.

Compartilhar o mesmo ambiente, dividir espaços da casa ou até trocar lambidas normalmente não representa uma forma eficiente de disseminação do vírus.

Para minimizar o risco, é recomendado manter comedouros separados e não deixar comida disponível.

O próprio organismo responsável pela FIV não sobrevive por muito tempo fora das células vivas, o que reduz ainda mais as chances de contágio em contatos casuais.

Ainda assim, especialistas lembram que cada situação deve ser avaliada individualmente.

A recomendação é que gatos positivos sejam castrados, mantidos em ambientes internos e, preferencialmente, em lares onde não haja risco de conflitos com outros felinos, justamente para eliminar a possibilidade de mordidas.

Além disso, o acompanhamento veterinário frequente torna-se ainda mais importante para identificar rapidamente qualquer alteração de saúde.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.